O caminho da sustentabilidade pós-coronavírus

Sinais de que o Turismo vinha se transformando estavam se intensificando há bastante tempo, enquanto a sustentabilidade se consolida como tema recorrente em um número cada vez maior de eventos

O caminho da sustentabilidade pós-coronavírus

Qual será o caminho da sustentabilidade pós-coronavírus? Os sinais de que o Turismo vinha se transformando estavam se intensificando há bastante tempo. Expectativas dos turistas, preocupação com impactos sociais e ambientais, valorização do ecoturismo, prioridade por produtos locais e regionais, procura por destinos diferenciados e alternativos com menor número de visitantes, busca por experiências autênticas, implantação de programas (e investimentos) para a redução do consumo e desperdício de água e energia, responsabilidade social, gestão de resíduos, entre muitos outros exemplos na mesma direção.

Nesse cenário, o Turismo sustentável já vinha se consolidando como tema recorrente em um número cada vez maior de eventos, e sendo escolhido como objeto de muitos estudos acadêmicos. Seus princípios já estavam incorporados a obrigações apresentadas em editais de contratação apresentados por governos, bancos, empresas e agências multilaterais de fomento.

A própria criação desta coluna pode ser um ótimo indicativo, à medida que demonstra a preocupação de um veículo da importância do Brasilturis Jornal sobre o tema. E, claro, a consequente expectativa de que existem muitas pessoas interessadas em ler a respeito.

Até o início deste ano eu afirmava que a sustentabilidade no Turismo era uma tendência irreversível e que o desafio era como dar escala ao movimento, alicerçado em um equilíbrio delicado entre os desejos e possibilidades da oferta e da demanda.

Porém, surgiu a covid19 e sua pandemia já criou marcas significativas na história, impondo aprendizados e nos forçando a mudanças da forma como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. Ainda é impossível prever as reais consequências, mas é consenso que o Turismo é um dos que mais vem sentido as dificuldades da paralisação decorrentes da quarentena. E o setor que mais terá de se reinventar para poder sobreviver.

Algumas mudanças serão decorrentes do medo de uma eventual contaminação pelo novo coronavírus (ou por qualquer outro vírus que possa surgir). Outras, porque as pessoas estão aprendendo que podem fazer (parte) dos negócios à distância, que devem adotar atitudes de higiene mais rigorosas, ou mesmo que estão dispostas a voltar a viajar para destinos mais próximos, evitando estar muito longe de suas residências durante as próximas férias.

O caminho da sustentabilidade pós-coronavírus

Embora nada esteja definido ainda, tentei identificar alguns cenários que podem ser considerados para estimular a reflexão:

  • Destinos de natureza e atividades ao ar livre: As pessoas tenderão a buscar ambientes mais arejados, abertos, com um adensamento populacional menor e com menos contato com objetos comuns.
  • Novas práticas e protocolos de higiene: Os hotéis, museus, restaurantes, atrativos turísticos e meios de transporte precisarão adotar novas práticas de higiene para oferecer a seus clientes garantias de segurança.
  • Formas de deslocamento: Parte dos negócios que exigiam deslocamentos passará a ser feita por videoconferência; haverá certamente algum receio no uso de meios de transporte que impõe muita aproximação de pessoas por um tempo longo.
  • Efeito presente: Após um período em quarentena, sob condições de pouco acesso a novas experiências e paisagens, há possibilidade de que as pessoas que não tiveram sua situação financeira prejudicada queiram se presentear com uma viagem, para compensar o estresse e as restrições do isolamento prolongado.
  • Raio de abrangência: A tendência é que as famílias, amigos e casais voltem a viajar de forma paulatina, a partir da visita a locais mais próximos de suas residências, principalmente nos primeiros meses.
  • Tempo de permanência: No mesmo contexto do item anterior, há uma expectativa de que o tempo de duração das viagens de lazer tenda a ser um pouco menor, até que as pessoas tenham segurança novamente.
  • Reinvenção: Muitos negócios do setor não aguentarão o período de restrição aos deslocamentos e fecharão, causando danos aos proprietários, funcionários e à configuração de alguns destinos turísticos. Isso criará um novo (e diferente) mercado, no médio e longo prazo, que precisará ser reconstruído.

É um momento de muitas incertezas, cuidados, mas também de esperança e de oportunidades, no qual a sustentabilidade será ainda mais valorizada. Cabe a cada um de nós tentar ver o copo meio cheio ou meio vazio e buscar as melhores formas possíveis de seguir ainda melhor.

Vamos em frente!

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