O que esperar de 2020?

Mais do que nunca, será necessário que redes hoteleiras e companhias aéreas invistam em vendas online para garantir presença em motores de busca e redes sociais
o que esperar de 2020

Embora incerteza ainda seja uma palavra que explique o País, há certas tendências que ajudam a entender o que será o Turismo em 2020. O exercício de futurologia em consumo costuma ser mais certeiro que a previsão do tempo, porque o comportamento do consumidor se mostra mais previsível do que o aparecimento das nuvens. E é inegável que ciclos econômicos e preferências de compras não surgem de uma hora para outra, o que dá segurança para os profissionais de Marketing em suas decisões.

O primeiro ponto a se observar é um certo conservadorismo no consumo. O brasileiro, neste novo ano, fugirá de experiências muito novas e destinos que não são consolidados. Não apenas para otimizar o dinheiro investido, mas para fugir de riscos. O medo da flutuação do câmbio e de movimentos sociais, muitos com viés nacionalista, podem espantar os brasileiros de vários destinos internacionais.

O Japão, sede dos jogos olímpicos, será o destino da vez. No caso doméstico, a situação da segurança pública e meio ambiente determinarão as preferências dos viajantes. As imagens das queimadas na Amazônia e a presença de óleo no Nordeste atrapalharam o Turismo neste final de ano.

Outro aspecto a ser observado é o resultado de pesquisas publicadas recentemente sobre o orçamento dos viajantes. Cerca de 25% dos gastos em viagens são destinados para hospedagem, contra 20% em passagens aéreas. Mais do que nunca, será necessário que redes hoteleiras e companhias aéreas invistam em vendas online para garantir presença em motores de busca e redes sociais. Até porque o número de brasileiros que utiliza o smartphone para escolher os destinos e equipamentos turísticos de suas viagens continua crescendo.

Além disso, encontrar experiências únicas e realmente divertidas é o objetivo dos viajantes. Algo que destinos, hotéis e operadores de Turismo têm de manter em mente. Vale lembrar que, curiosamente, o termo millennial deixou de ser um rótulo geracional para se tornar uma qualificação determinada por hábitos de consumo.

Não podemos deixar de mencionar que, embora o governo federal insista em minimizar a diversidade e a sustentabilidade para agradar um eleitorado fiel em torno de 20%, a imensa maioria do País espera de marcas – sejam elas do Turismo ou não – uma postura de respeito ao meio ambiente e combate ao machismo, racismo e homofobia. Não ter essa preocupação afasta não apenas os turistas estrangeiros, mas, sobretudo, os próprios brasileiros.

Bem-estar e saúde também ganham relevância no Turismo, não apenas em 2020, mas nos próximos anos. A exigência vai muito além de uma academia nos hotéis. A preocupação com boa forma é tão significativa que houve aumento no uso de serviços de spa, inclusive em hotéis de negócios. Do mesmo modo, cardápio balanceado e com opções vegetarianas se tornaram obrigatórios em restaurantes, não importa a categoria do estabelecimento.

O envelhecimento da população e as viagens multigeracionais têm obrigado novos empreendimentos a criar todas as condições de acessibilidade. O número de idosos ativos no País não para de crescer e, segundo todos os estudos de mercado, aumentarão significativamente até 2035. Para uma parcela da população que poderá viver 100 anos, viajar entre os 65 e 95 parece razoável.

Nenhum dos pontos descritos é novidade para empresários de nossa indústria. No entanto, uma realidade de consumo que parecia distante está bem diante de todos nós. As tendências se tornam realidade em um prazo muito curto, o que deve influenciar investimentos presentes.

Chegou a hora! Não dá mais para adiar mudanças.  Seja no País, seja no Turismo, seja nos nossos negócios.

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