OMT estima declínio de 60% a 80% no Turismo devido covid-19

África e do Oriente Médio são vistas com mais otimismo quando o assunto é recuperação ainda este ano, diferente das expectativas para as Américas

OMT
Zurab Pololikashvili, secretário geral da OMT (Foto: Arif Hüdaverdi Yaman - Anadolu Agency)

De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), a pandemia da covid-19 causou uma queda de 22% nas chegadas de turistas internacionais no primeiro trimestre. A entidade ainda estima que a crise pode gerar o declínio anual entre 60% e 80% quando comparado com os números de 2019, colocando milhões de meios de subsistência em risco e ameaçando reverter o progresso alcançado no avanço dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).  

“O mundo está enfrentando uma crise econômica e de saúde sem precedentes. O turismo foi duramente atingido, com milhões de empregos em risco em um dos setores mais intensivos em mão-de-obra da economia”, declara Zurab Pololikashvili, secretário-geral da OMT.

Ainda de acordo com o estudo, em março, as chegadas caíram acentuadamente em 57% após o início de um bloqueio em muitos países, bem como a introdução de restrições de viagens e o fechamento de aeroportos e fronteiras nacionais, traduzindo uma perda de 67 milhões de chegadas internacionais e US$ 80 bilhões em receitas.

A Ásia e o Pacífico mostram o maior impacto em termos relativos e absolutos, chegando uma queda de 33 milhões de chegadas. A Europa também surpreende, com uma taxa de queda de 22 milhões de desembarques. Confira a comparação completa das regiões frente ao ano passado:

Chegadas de turistas internacionais, 2019 e primeiro trimestre de 2020 (% de variação)

Cenário anual

Os cenários atuais apontam para possíveis quedas nas chegadas, variando de 58% a 78% no ano. O resultado final vai depender da velocidade da contenção e da duração das restrições de viagem e do fechamento das fronteiras. Os cenários abaixo baseiam-se em três datas possíveis para a abertura gradual das fronteiras internacionais:

  • Cenário 1: -58% – Com base no alívio das restrições de viagem no início de julho.
  • Cenário 2: -70% – Com base no alívio das restrições de viagem no início de setembro
  • Cenário 3:  -78% – Com base no alívio das restrições de viagem no início de dezembro

O impacto da perda de demanda em viagens pode se traduzir da seguinte forma:

  • Perda de 850 milhões a 1,1 bilhão de turistas internacionais
  • Perda de US$ 910 bilhões a US$ 1,2 trilhões em receitas de exportação do turismo
  • De 100 a 120 milhões de empregos diretos em risco

A expectativa é que o impacto seja sentido de diferentes formas, com a Ásia e o Pacífico se recuperando primeiro.

E em 2021?

A demanda doméstica deverá se recupera mais rapidamente do que a internacional, segundo o Painel de Especialistas da OMT. A maioria estima ver sinais de melhor até o último trimestre de 2020, mas principalmente no próximo ano. Com base em crises anteriores, espera-se que as viagens de lazer se recuperem mais rapidamente, para destinos de amigos e parentes, principalmente, do que viagens corporativas.

A expetativa de recuperação é mais otimista nas regiões da África e do Oriente Médio, com a maioria dos especialistas prevendo recuperação ainda este ano. Os especialistas das Américas são menos otimistas e menos propenso a crer em um reaquecimento ainda este ano. Europa e Ásia contam com estimativas mistas, com metade esperando recuperação no próximo ano.


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