Oportunidade: 54% dos idosos compram pacotes com agentes de viagens

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Pesquisa mostra alto índice de fidelidade ao canal de compra, mas também revela que 45% dos pesquisados têm dificuldades para encontrar produtos específicos para a faixa etária

Por Camila Lucchesi

O mercado carece de produtos específicos para a terceira idade. O argumento foi o tom das três palestras focadas nesse nicho, realizadas na Arena Brasilturis durante a Expo Aviesp, em Campinas (SP). Os números do segmento reforçam a mensagem de que existem muitas oportunidades para expandir os negócios por meio da atuação voltada aos clientes com mais de 60 anos.

O primeiro passo é entender a dimensão do segmento. Velma Gregório, diretora de relações institucionais da Editora Via, ressalta que um terço dos consumidores ativos tem hoje mais de 50 anos, segundo dados da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo. “Não existem produtos específicos para a terceira idade e quem diz isso não sou eu, mas os quatro maiores institutos de pesquisas do mundo, no estudo intitulado ‘A terceira idade será a bola da vez’. Existem excelentes oportunidades de ganhar dinheiro se soubermos nos comunicar bem com esse público”, enfatizou Velma.

Os dados são reforçados por estudos do Ministério do Turismo, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Locomotiva, apresentados por Ana Paula Garrido, jornalista e editora da revista Melhor Viagem, publicação especializada nesse público. O mais alarmante é que 45% dos consumidores ativos revelaram que enfrentam dificuldades para encontrar produtos adequados à faixa etária, inclusive no quesito turismo.

O que fazer?

Esqueça o estereótipo da velhinha de coque nos cabelos, sentada na poltrona com uma manta nas pernas e fazendo tricô. Entender que a velhice não é igual para todos é um dos segredos para ter sucesso nesse mercado. “Pergunte, não subestime, não pressuponha gostos e preferências; em vez disso, pergunte sobre os lugares favoritos e viagens que o marcaram”, sugere Velma para facilitar a construção de um perfil assertivo desse potencial cliente.

Valéria Tanuri, especialista em marketing de conteúdo e novas mídias, levantou outro assunto importante: a necessidade de o agente incluir seus produtos em canais on-line. Segundo dados do Instituto Locomotiva, o acesso à internet por indivíduos com mais de 60 anos cresceu 940% no Brasil nos últimos quatro anos. A mesma pesquisa mostra que 66% desse grupo acessa a internet com regularidade. “Aquela imagem do velhinho pedindo ajuda para mexer no celular já ficou no passado. Hoje, 42,2% dos idosos têm conhecimentos básicos de operação de smartphones; 20,8% estão no nível intermediário e 4,4% são avançados”, revela Valéria.

A especialista cita outros índices importantes apurados pelo Instituto: 45,1% passam mais de três horas conectados; 95% utilizam o Facebook com regularidade; 19% são usuários do Instagram; 26% compram cursos de ensino à distância pela rede e 17% estão nas classes A e B. “Eles têm estabilidade, tempo e dinheiro. Quer cliente melhor que esse?”, questiona.

Para fechar, ela deu dicas importantes para a construção de sites, blogues e fanpages adequadas para esse público com base em pesquisas do World Wide Web Consortium. Em resumo, é preciso apostar em quatro pilares: comunicação perceptível, interface operável, informação compreensível e conteúdo robusto. Outro cuidado que faz toda a diferença é criar um design que combine fontes maiores com uma paleta de cores agradável.

Produtos específicos

Existem exemplos pontuais de criação de produtos nessa formatação mais moderna. Há cerca de um mês, a Alitalia lançou a tarifa sênior, produto que oferece descontos substanciais às pessoas com mais de 60 anos na cabine Econômica Premium. Segundo Diego Lopes, gerente de contas da aérea, os valores começam em US$ 1.200 e a procura vem crescendo devido às vantagens em termos de conforto e custo-benefício.

Hoje a companhia opera ligações diárias entre o Brasil e a capital italiana, com saídas de São Paulo (11 voos semanais) e do Rio de Janeiro (diariamente). “Ainda não temos como estimar o comparativo de vendas, pois o produto é novo. Mas as buscas crescentes fizeram com que decidíssemos estender o período da promoção que terminaria em 31 de maio”, revelou Lopes.

Outra vantagem apontada pelo executivo foi a possibilidade de fazer stopover em Roma antes de seguir para outros destinos europeus conectados pela aérea. E a ‘cereja do bolo’ é que o produto é vendido exclusivamente pelas agências de viagens. “Essa tarifa não existe na internet”, reforça.

Presente à palestra, Mary Bueno destacou o interesse desse público pela Rota Turística da Uva, em Jundiaí (SP). Operando há dois anos, o roteiro é formado por 11 adegas de diferentes portes, além de nove restaurantes e sete lojas relacionadas ao tema uva e vinho. Segundo ela, muitos turistas vêm descobrindo as delícias de percorrer os atrativos na cidade que pleiteia o título de capital do espumante paulista.

“Pouca gente sabe, mas a uva Niágara rosa é uma mutação espontânea Jundiaí, descoberta em 1933, base para um delicioso espumante rose. Todos pensam nos destinos do Sul quando se fala em vinho, estamos trabalhando para mostrar que existe um polo produtor muito próximo de São Paulo”, explica Mary.

Segundo ela, 60% dos viajantes que participam dos roteiros é da terceira idade. Mas o produto não se restringe a eles. “Normalmente é uma viagem em família, o avô pega os filhos, netos e parte para um bate-volta em Jundiaí. Quem vem da capital paulista tem a facilidade de pegar o Expresso Turístico que parte da Estação da Luz para o passeio que pode se estender pelo fim de semana”, finaliza.

Por fim, Alessandra Savoia, representante da rede Bahia Principe no Brasil, reforçou a oferta hoteleira na República Dominicana, México e Jamaica. “Temos hotéis na Espanha, mas o destino não é muito demandado pelo mercado brasileiro. Nossa excelência em all inclusive e o cuidado na criação de atrativos que transformam o empreendimentos em verdadeiros destinos faz do produto uma excelente opção para cair no gosto dos viajantes da terceira idade”, disse.

Mais estatísticas

Ana Paula destacou dados importantes que ajudam a entender e atuar no nicho. São informações referentes a prioridades e hábitos dos idosos brasileiros, baseados em pesquisas do Ministério do Turismo, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto Locomotiva. A jornalista reforçou ainda que, em geral, os idosos buscam por destinos que não exijam grandes esforços físicos e preferem fazer viagens em um ritmo mais lento.

É preciso que destinos, atrativos e hotéis ofereçam boa acessibilidade, pisos nivelados, rampas, barras nos banheiros e corrimãos. O ideal é formatar pacotes que contemplem mais dias, menos atrações e mais pausas para descanso entre um local e outro. A dica, novamente, é conversar com o cliente para entender seu perfil e criar um produto exclusivo. “Lembrem-se que a personalização leva a fidelização”, finaliza Ana Paula.

Hábitos e prioridades dos idosos no turismo

54% fecham viagens com agentes

49% preferem consumir em vez de poupar

46% têm priorizado o lazer com maior frequência

41% preferem sair a ficar em casa

20% gastam mais com viagens atualmente

68,7% preferem viajar pelo Brasil

31,3% optam por destinos no exterior

61,4% viajam fora das férias escolares

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