Para que tantos eventos?

País afora, acumulam-se eventos de turismo amadores e incompletos

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0606Tornou-se a melhor âncora para conectar todos os elos do ecossistema. Ou, enfim, aproximar os destinos dos provedores de produtos e serviços do setor.

A WTM não nasceu ontem. Com foco em business to business, surgiu no Reino Unido há 39 anos. Organizada pela Reed Travel Exhibitions, é realizada anualmente em quatro países de quatro continentes. Sua meta é criar oportunidades para quem atua na indústria de turismo se conhecer, aprender e fazer negócios. Só na versão inglesa, seus quase 4.700 estandes recebem mais de 50 mil profissionais e representantes de governos de 186 países.

Em sua 7ª edição, a versão latino-americana gradualmente amplia presença no Brasil e região. Tirando proveito da boa reputação internacional, rede de relacionamentos, e competência de gestão, já atrai 600 empresas, e é visitada por 19 mil profissionais do setor.

A operação da WTM contrasta com o resto que se vê no mercado brasileiro. País afora, acumulam-se eventos de turismo amadores e incompletos. Amadores porque são feitos por quem entende patavina deste tipo de organização, com resultados lamentáveis. E incompletos, porque pecam pela legitimidade, já que não representam o turismo, mas só um elo da cadeia.

Afinal, o que move realização destes encontros? Em geral, são entidades de classe em busca de um salva-vidas que viabilize sua sustentação econômica – diante da baixa representatividade, não obtêm contribuições suficientes dos associados.  Estas realizações já nascem tortas. São desvios de finalidade tão absurdos como uma sapataria que, por perder dinheiro, decide abrir um restaurante para subsidiá-la.

Associações deveriam se concentrar em representar os interesses da classe junto aos governos e demais públicos de interesse, assim como se tornar fóruns para discussão de ideias, tecnologias e tendências, e promover inovações. Há exceções, como a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) e Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB), que sabem cumprir seu verdadeiro papel, com atuação discreta e focada em resultados. E que, por coincidência ou não, evitam realizar eventos alheios aos seus fins.

A “eventite”, anomalia típica do turismo em terras brasileiras, cobra alto preço. Como todo mundo se acha no direito de promover uma feira ou encontro de negócios de turismo para chamar de seu, fica difícil saber o que vale a pena do resto. Estes encontros se multiplicam como coelhos, o que força o trade a uma maratona de deslocamentos, quase sempre inúteis. É uma perda de tempo que poderia ser dedicado aos negócios.

Quem paga estas despesas? Resposta parcial: os destinos e uma gama de provedores. Todos se sentem forçados a cotizar para não ficar mal na foto com seus clientes. Resposta completa: como ninguém quer perder dinheiro, é o consumidor final que absorve os custos, embutidos no preço de suas compras em turismo. Assim, em vez de crescer o número de viajantes que chegam ao País – estacionados há décadas em vergonhosos 6 milhões por ano – o Brasil se especializou em aumentar o número de eventos para o trade.

Se quiserem sobreviver aos irreversíveis novos tempos do consumo on-line, os profissionais de viagens não precisam virar pássaros travestidos de peixes para mergulhar em mares desconhecidos. Têm de concentrar energias no que fazem de melhor. Precisam ser consultores, especialistas em viagens e na arte da hospitalidade, exercitando o contato humano. Este é o seu verdadeiro DNA. Algo que nenhum aplicativo jamais substituirá.

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