Parcerias entre destinos turísticos

Com o impacto da pandemia, o debate sobre o desenvolvimento sustentável de destinos turísticos ganhou ainda mais destaque, ampliando o leque de desafios já conhecidos como sazonalidade, identificação de diferenciais, importância da qualificação, superlotação na alta temporada e ócio de equipamentos e serviços turísticos na baixa estação.

Em contrapartida, é cada vez mais comum o uso de instrumentos de planejamento municipal pautados em aspectos técnicos como formas de enfrentamento a esses e outros problemas. Também se tornou habitual criar uma visão compartilhada de futuro, a exemplo de diagnósticos da oferta, estudos de demanda (real e potencial), formatação de produtos (em rotas e circuitos), monitoramento de redes sociais, planos e ações de marketing, e, atualmente, adoção de protocolos de biossegurança.

Contudo, mesmo os gestores públicos que já expressavam preocupação com questões relacionadas a planejamento e gestão, viram a pandemia da covid-19 abalar seus esforços, mostrando outro fator indispensável para o desenvolvimento sustentável dos destinos: a articulação de alianças para além do olhar local ou mesmo microrregional.

Mesmo sendo relativamente comum a existência de iniciativas associadas à criação de rotas e circuitos que conectam dois ou mais municípios, uma forma de articulação e de convergência de esforços pouco explorada – que, inclusive, contempla municípios não limítrofes – é a estruturação de parcerias.

O modelo, além de fortalecer a autonomia do destino turístico na escolha de aliados, transpõe distâncias geográficas e permite que municípios que se julguem complementares possam buscar formas de apoio mútuo, mesmo que pertencentes a regiões distintas.

Considerando que a formação de uma parceria representa um acordo entre duas ou mais partes em prol de objetivos em comum, é fundamental que os atores envolvidos desempenhem seus papeis e responsabilidades de forma séria para que o arranjo proposto funcione.

Nesse sentido, uma parceria focada no turismo em oposição à ideia de concorrência direta pode estar pautada pelo entendimento legítimo e inteligente de que o resultado de ações alinhadas pode fortalecer conceitos e características presentes em todos os parceiros, como qualidade de produtos e serviços, semelhança do fator de atratividade, perfil da demanda.

Com essa visão, o estabelecimento de parcerias tem sua importância para além da divulgação e marketing dos destinos envolvidos, contemplando também decisões estratégicas tomadas de forma conjunta, fortalecimento na busca de apoios externos, realização de eventos faseados (com uma etapa em cada município) e promoção recíproca, entre outras possibilidades.

Um bom exemplo nessa direção é o início de uma aliança entre os municípios de Ilhabela (SP) e Camanducaia (MG), principalmente considerando as características do distrito de Monte Verde. Quais são os pontos de convergência entre um destino de montanha e um de sol e mar? São muitos! A atenção dada à sustentabilidade e à qualidade, a valorização de atividades ao ar livre, o foco em clientes com padrões socioeconômicos similares, a disposição em desenvolver eventos integrados.

As primeiras ideias para um primeiro evento ao ar livre e que ocorra em duas etapas – uma em Monte Verde e outra em Ilhabela – já estão sendo debatidas, assim como uma possível estratégia de descontos cruzados entre estabelecimentos “irmãos”, pela qual o cliente que frequentou determinado local em um destino tem desconto na outra cidade e vice-versa.

Algumas parcerias podem até começar a ser orquestradas em momentos de crise, quando a união e o apoio se tornam ainda mais necessários, mas podem se transformar em importantes ferramentas para a ampliação e distribuição anual da demanda. Desde que sejam conduzidas de forma técnica, participativa e com muita disposição!

Vamos em frente!

Deixe uma resposta