Paris: de cidade-luz a farol do mundo

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Por Ana Carla Fonseca & Alejandro Castañé*

Basta mencionar “Paris” entre amigos para colher suspiros, olhares lânguidos e sorrisos embalados em sonhos. Paris dos museus, dos cafés, do patrimônio, de histórias que se fazem vivas a cada esquina. Paris do idioma do amor, dos aromas que são a perdição dos gulosos, da moda que é a perdição do cartão de crédito, dos debates intelectuais deliciosamente sem fim e de tudo mais que preenche a mente, a alma e o coração. Mas, além de tudo o que já foi e é, Paris está investindo no que será.

Nada como aprender com os erros. Deitada sobre louros em tempos recentes, a cidade-luz ficou à sombra da efervescente Berlim, da sempre descolada Barcelona, da Londres berço de economia criativa. Para voltar a ser um polo de atração de jovens talentos preocupados em transformar o mundo – e também para garantir que seus próprios talentos não fizessem as malas -, Paris pôs em prática um vasto programa de tirar o chapéu.

Palco de um arrojado projeto urbano que redesenhou a cidade na segunda metade do século 19, a metrópole deu prova de nova ousadia. Iniciada na década de 1990 mas visível somente agora, a operação Paris Rive Gauche vem transformando uma região ocupada por antigos terrenos industriais em um dos pedaços mais inspiradores da cidade.

São novos equipamentos públicos, negócios, residências e atividades universitárias, que hoje congregam 8 mil habitantes, 20 mil trabalhadores e 30 mil estudantes e professores, cujos números devem triplicar até 2020. Crème de la crème do projeto: a transformação da via férrea da estação de Austerlitz em alicerce de novas construções. Imaginem essa tacada de mestre aplicada às cidades brasileiras que surgiram e se desenvolveram em função das ferrovias.

Mas nem só de operações urbanas vive a nova Paris. Há cerca de dois anos a prefeitura lançou um convite para que qualquer residente repensasse e propusesse projetos para a cidade que queria. Batizada de “Senhora Prefeita, eu tenho uma ideia!”, a iniciativa reconhece que ninguém sabe mais de Paris do que quem nela mora. E nada melhor que se valer da inteligência coletiva de 2,2 milhões de pessoas para encontrar grandes soluções para o dia a dia, bem como propostas inovadoras de grande envergadura.

Quer mais? Diante da oportunidade de redesenhar 23 áreas parisienses, a iniciativa reinventer.paris provocou arquitetos do mundo inteiro a candidatar seus projetos, ampliando de forma exponencial as possibilidades de, como o nome diz, reinventar a cidade. O edital mobilizou grandes nomes do mundo todo – inclusive do Brasil. Uma filosofia bem diferente da que ainda temos em Terra Brasilis. Que o digam os estádios que construímos para a Copa do Mundo, sem que tenha sido dada a chance de candidatura a tantos jovens ou consolidados arquitetos do país.

Talentos nós temos de sobra; sonhos, então, nem diga! Aproveitemos então esse manancial de 207 milhões de brasileiros criativos, de empresas que dão nó em pingo d’água para inovar e de muitos gestores públicos ainda dignos do nome para fazer jus à maravilha que recebemos como País.

* Sócios-diretores da Garimpo de Soluções – Economia, Cultura & Desenvolvimento

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