Pesquisa traça perfil e revela preocupações do viajante latino-americano

novo viajante

Projetar cenários para apoiar a atuação de governos e empresas do trade turístico nos próximos meses com base nas respostas dos viajantes. Foi com esse objetivo que a Interamerican Network se uniu ao Conselho de Turismo da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP) para coletar dados que compuseram o perfil do novo viajante latino-americano.

O estudo se baseia nas tendências apontadas por 833 consumidores de serviços turísticos em quatro países. Além do Brasil, que teve as respostas de 343 viajantes tabuladas, a sondagem foi realizada na Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru. O documento atualiza dados obtidos na primeira sondagem, realizada no primeiro semestre, com as percepções obtidas nessa segunda rodada de perguntas, realizada entre 26 de outubro e 9 de novembro.

A conclusão é que os profissionais precisam investir cada vez mais em comunicação e seguir com os protocolos de saúde, segurança e higiene. “É preciso rever a priorização e a forma como o trade repassa as informações relevantes ao cliente para garantir que ele receba aquele dado como relevante”, defende Mariana Aldrigui, presidente do Conselho de Turismo da Fecomercio-SP.

A tendência de viagens nacionais foi confirmada, com a maioria dos respondentes dizendo priorizar roteiros domésticos (47,06% na média dos seis países e 51% no Brasil). Europa e América do Sul compõem o top 3. Nesse sentido, Mariana faz outra importante ressalva e recomenda cautela ao trade.

“A pandemia trouxe o olhar para dentro, a necessidade de reposicionar os produtos internos porque é o possível agora. Meu conselho é que os empresários não tomem decisões de longo prazo porque, assim que as fronteiras forem reabertas, a tendência é que voltemos a observar aumento nas viagens internacionais. É preciso avaliar investimentos, olhando para o curto e médio prazo”, defende.

Ela revela que uma simples menção à possibilidade de reabertura das fronteiras norte-americanas, ainda sem data para acontecer, resultou em aumento de quase 40% nas buscas de viagens para os Estados Unidos. Confira os destaques da pesquisa!

CRONOGRAMA

Mais otimista do que seus vizinhos, os brasileiros foram os que demonstraram mais esperança em relação a retomar as viagens em 2020. Enquanto a média dos países totalizou 23,29% das respostas, 34% dos brasileiros se disseram prontos para embarcar ainda neste ano. Os mexicanos foram os que se mostraram mais cautelosos, com a maioria dos respondentes (31%) afirmando que só se sentirão seguros para viajar a partir do segundo semestre de 2021.

A dependência da vacina para estipular o cronograma da viagem foi resposta que obteve a maior média (26,29%). Na primeira edição da pesquisa, realizada em junho, a média geral apontou para 46% dos respondentes reforçando a intenção de viajar em 2020.

PRIORIDADE MÁXIMA

Nem preço, nem infraestrutura e disponibilidade para atendimento médico. A maior preocupação dos viajantes ainda recai sobre questões relacionadas à segurança sanitária. Nesse quesito, as porcentagens foram bastante similares nos seis países, com a média geral chegando a 27,47%. A segunda colocação nas menções ficou para a busca por lugares que não sejam muito cheios (22,25%).

Argentinos e chilenos também manifestaram estarem atentos às políticas comerciais dos fornecedores para casos de remarcação ou cancelamento. “Se você vende produtos e não conseguiu internalizar essa lógica da flexibilização, uma dica é colocar essa informação como destaque na sua comunicação. Não nas letras miúdas e nem como última informação, lá no rodapé”, sugere Mariana.

ANTECENDÊNCIA DE COMPRA

Dados da pesquisa mostram que a compra de último minuto, comportamento tipicamente brasileiro, caiu em desuso durante a pandemia. A média dos seis países revelou antecedência de seis meses, com 27,13% das respostas – no Brasil, 29% das menções foram nesse sentido.  Já argentinos e chilenos reduziram o tempo de planejamento pela metade.

PAPEL DO AGENTE

Assim como o tempo de planejamento mudou, a teoria de uma suposta valorização da consultoria prestada pelo agente de viagens no pós-pandemia também parece ter perdido força. A maioria dos respondentes – 58,46% na média, com aumento de 13% em relação a junho, e 71% no Brasil – afirmou que pretende fazer o planejamento da viagem sozinho, diretamente com os fornecedores.

O auxílio dos agentes de viagens aparece em segundo lugar – com 28,93% da média geral e apenas 20% das menções no País. Para Mariana, esse dado revela falta de entendimento do consumidor em relação ao papel desse profissional. “Possivelmente, o viajante está acostumado a pedir auxílio somente quando vai para lugares onde não se sente seguro e sente-se constrangido nesse momento em que as viagens são mais curtas”, pontua.

Para ela, agentes e operadores devem diversificar sua comunicação para mostrar que existe a expertise contempla viagens longas e curtas, econômicas e caras. “É preciso explicar que o agente vai ajudar a fazer seleção mais adequada ao perfil, indicar hotéis que podem estar fora do radar. Por outro lado, também é necessário ser empático com o viajante nesse momento, pensar no tempo confinado em frente a telas, no impacto de promoções online e no tempo disponível para planejar as viagens”, pondera.

Como contraponto, os respondentes dos seis países afirmaram intenção de compra de pacotes completos com agentes de viagens. Essa postura alcançou 45,86% na média e teve 36% das menções no Brasil. Chama a atenção o fato que, no México, 49% dos entrevistados disseram que procurariam um agente para comprar o pacote completo, mas 7% informaram que não negociariam com esses profissionais em nenhuma hipótese.

Sobre compras em OTAs, a maioria dos respondentes disse que se sentem mais confortáveis para comprar apenas a acomodação (30,49% na média e 44% no Brasil). O México é o ponto fora da curva, com 32% dos respondentes afirmando que comprariam pacotes completos com as agências online.

INSPIRAÇÃO

Viajantes brasileiros buscam a inspiração para escolha dos destinos na internet. A resposta teve 27% das menções no País e 23,59% na média das respostas coletadas nas seis nações. Pouco acima, a recomendação de amigos conquistou o primeiro lugar geral, com 24,64%. Para Mariana, isso tem a ver com o aumento do alcance da internet. “Os impactos vêm de forma imprevisível! Você está vendo uma matéria sobre eleições e aparece a imagem de uma praia. Ou está assistindo a uma série e algo te inspira a buscar um restaurante”, pontua.

Ela defende a construção de um plano de comunicação integrado, iniciativa que também é estimulada por Danielle Roman, CEO da Interamerican. “O que se vê é a necessidade de investir em comunicação 360º, pois não adianta investir apenas em redes sociais ou só em publicidade tradicional. Para ser efetivo com o público é preciso conversar com cada audiência de forma diferente”, sugere.

Deixe uma resposta