Por que precisamos falar de diversidade e inclusão no turismo?

DIVERSIDADE

Por Jorge Barros*

Antes de falarmos sobre diversidade e inclusão no turismo, precisamos entender que, de modo geral, existe um equívoco social sobre a temática. Diversidade e inclusão não se referem, apenas, a misturar pessoas diferentes em suas cores, características físicas, gênero ou orientação sexual. Mesmo que um ambiente seja formado por um grupo heterogêneo, se não houver valorização e respeito entre as diferenças, não há diversidade e inclusão.

Por definição, diversidade tem a ver com “como as pessoas se tratam e se respeitam”, enquanto a inclusão tem a ver com “como as pessoas se sentem tratadas”. Sem um, não há outro.

Partindo deste princípio, podemos afirmar que a indústria do turismo – de lazer e de negócios – é uma das que mais tem potencial de promover diversidade e inclusão. Começando pelos destinos, passando pelos mais de 50 setores econômicos que a integram e chegando até o viajante, toda a cadeia envolvida nesta indústria precisa olhar, falar e promover a diversidade e inclusão em sua rotina.

Afinal, quando pensamos em turismo, além das praias, montanhas e clima, o Brasil é reconhecido por sua acolhida para as diferentes nações e culturas que aqui desembarcam em busca de nossas belezas. Na teoria, o turismo acolhe quem aqui chega, especialmente o viajante internacional. Mas, na prática, as empresas estão preparadas para lidar, interna e externamente com as diferenças?

Olhemos para alguns grupos de afinidade: negritude ou afro, gênero, mulheres, LGBTQI+, pessoas com deficiência, diversidade etária ou de gerações, diversidade cultural, religiosa e de corpos. Estes são alguns exemplos “comuns” quando olhamos para o viajante, para os profissionais que estão nas empresas que promovem a experiência no turismo e para aqueles que atuam diretamente nos destinos. Do início ao fim, a indústria é impactada e pode apresentar uma experiência negativa ou positiva quando o assunto é diversidade e inclusão.

Os ganhos para a indústria são pauta recorrente e, para dar três exemplos, citemos o aumento da expectativa de vida, que tem ampliado o número de viagens da chamada terceira idade, o alto tíquete médio do turismo LGBTQI+ e o poder multiplicador da PcD, que raramente viaja sozinha. Então, nos resta a dúvida: por que o turismo ainda não é totalmente inclusivo?

Em nossa avaliação, a resposta pode parecer complexa, mas é simples. Como citado no início deste artigo, é preciso entender o que é diversidade e inclusão em seu aspecto amplo e social.

Mais: as organizações do primeiro, segundo e terceiros setores que integram a indústria do turismo – por meio das pessoas em suas diferentes posições hierárquicas – precisam ampliar seu olhar para além dos cuidados, apenas, com suas políticas, diretrizes, protocolos e processos, pois isso pode fazer com que todos cumpram (ou tentem cumprir) regras, muitas vezes, sem concordar com elas ou valorizá-las. Está aí um erro fatal que faz com que muitas organizações invistam na teoria e não sintam os resultados, de fato.

E como atuar neste hiato entre teoria e prática, fazendo com que os funcionários destas organizações se sintam incluídos e se tornem multiplicadores e embaixadores da inclusão para os viajantes?

Do ponto de vista mercadológico, sabemos que algumas iniciativas vêm sendo feitas, com resultados importantes. É o caso, por exemplo, do LACTE, promovido pela Associação Latino Americana de Gestão de Eventos e Viagens Corporativas (Alagev), que vem ampliando, ao longo dos últimos anos, os espaços dedicados à criação de cultura e promoção de debate e discussão aberta para as temáticas de diversidade e inclusão.

Mas, para nós, ainda falta tratar o tema. Quer seja da porta pra fora (os destinos e todos os players que orbitam ao seu redor, aí inseridos bares, restaurantes, quiosques, empresas de passeios e de souvenir) quer seja da porta da dentro das empresas que fomentam o turismo, é preciso criar agentes de transformação e propósito, capazes de legitimar o outro em seu papel, gerando comportamento mais inclusivo em toda cadeia.

Uma das formas identificadas, testadas e com resultados mensurados, é promover a integração entre ciência e arte, que é o que fazemos na Fator Diversidade. Juntar as bases da ciência do comportamento humano com a força emocional da arte é um caminho poderoso e capaz de transformar sentimento, pensamento e, mais importante, o comportamento das pessoas, gerando ambientes de melhor convívio com as diferenças.

(*) Jorge Barros é diretor e um dos fundadores da Fator Diversidade, consultoria que une ciência e arte para o desenvolvimento de ambientes corporativos diversos e inclusivos

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