Por um mundo com mais gerúndio

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Por Ricardo Hida*

Na língua inglesa, o sufixo “ing” indica movimento. Marketing, portanto, é a interação constante, incessante com o mercado. Já design thinking, outro jargão atual, é o pensamento criativo, todo o tempo, para organizar informações e gerar conhecimento que seja rentável para a organização.

Branding, por sua vez,  é a gestão full time – hoje vou abusar dos anglicismos – da marca e storytelling, é contar todo o tempo uma história. Nesse caso,  histórias bacanas para gerenciar a marca e interagir todo o tempo com o mercado. Mas para tudo isso funcionar é preciso pensamento estratégico. Que não surge do nada. Exige treino, observação, reflexão, pensamento crítico e criativo, além de técnica.

Todos os dias nos deparamos com várias reclamações do Brasil. A lista de queixas e defeitos do nosso País é tão grande quanto seu território. E, nós como povo, juramos que somos os melhores técnicos de futebol, os melhores novelistas, os melhores economistas. Ou seja, temos a receita para resolver tudo. Só nos falta o básico: pensamento estratégico.

Um bom estrategista consegue se livrar de suas crenças, de sua realidade e pensar muito além. Pensa no futuro, nas variáveis que ninguém vê, nas tendências e na forma como o outro pensa. Se, como povo, não conseguimos enxergar muito além de nosso nariz, como exigir que os executivos sejam estratégicos no mundo dos negócios.

O Brasil tem muito empreendedor e pouco estrategista. A justificativa é que a gente sobrevive, dribla as ondas e não tem tempo nem recurso para plantar o futuro. Nada mais equivocado. Se o teu negócio está sobrevivendo é porque ou não foi bem planejado ou o planejamento não foi se adaptando ao mercado. Voltamos ao sufixo ing.

Pensamento estratégico não é só uma vez por ano ou uma vez na vida. É constante. Assim como a relação com o mercado. A marca precisa todo o tempo se relacionar com o mercado. Seja através das próprias mídias sociais, seja através da imprensa e demais influenciadores. Tudo alinhado com histórias interessantes.

As agências de viagens deixaram de ser ofertantes de pacotes. Elas têm que vender histórias que seus clientes vão vivenciar. E, nós, agências de comunicação, devemos ajudar os hotéis, os operadores, os destinos, as agências a contar suas histórias todo o tempo para o mercado. Todo mundo tem história, inclusive as empresas. Todo mundo tem algo a contar. E as pessoas, adoram ouvir. Sim, por incrível que pareça, o público adora uma boa história. Mas ela tem que ser boa. Veja o canal Netflix: um monte de boas histórias prontas para serem contadas para bilhões de pessoas no mundo.

Se teu negócio não tem história para contar, ela só tem promessa. E de promessa, o mundo está cheio. A nova onda da comunicação não passa só pelas ferramentas. Não é a migração do off-line para o on-line. A grande mudança passa pela maneira como você se apresenta ao mundo. Com conteúdo, com histórias, com design. Sendo interessante,  being interesting.

*Ricardo Hida é formado em administração pela FAAP e pós-graduado em comunicação pela Cásper Líbero. Foi diretor da H&T Eventos, executivo de vendas na Air France-KLM, gerente de marketing na Accor Hospitality e diretor-adjunto do Escritório de Turismo da França no Brasil. Atualmente é CEO da Promonde. Dirigiu a comissão de turismo da Britcham e CCFB e é diretor da ABTLGBT. Ele escreve no Brasilturis às quartas-feiras. Contato: [email protected]

 

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