Protocolos de limpeza: Quanto tempo a UH deve permanecer vazia?

Protocolos para reabertura e redução de custos de operação sem impacto na qualidade foram os temas debatidos no segundo painel de hoje do Fórum Online de Hotéis Independentes. Maria José Dantas, presidente da Associação Brasileira de Governança (ABG); Fábio Folena, líder de Hospitalidade na Unilever Pro; Carla Trindade, consultora especializada em Gestão Operacional de Governança e Lavanderia Hoteleira; e Gunnar Georgi, especialista em Administração Hoteleira detalharam ações necessárias – incluindo dicas práticas de desinfecção de diferentes materiais nas unidades habitacionais (UH) – e defenderam a unificação dos protocolos no setor.

Na visão dos especialistas, a profusão de documentos e selos em nível federal, estadual, municipal e outros desenvolvidos pelas próprias redes hoteleiras pode causar efeito contrário no cliente – que, em vez de ficar seguro acaba tendo mais dúvidas em relação aos procedimentos – e nos estabelecimentos que podem se perder em meio a tantas regras. “Algumas cidades determinaram que os apartamentos fiquem vagos por 48 horas, outras exigem uma semana de UH desocupada, o que é completamente inviável. Precisamos de um direcionamento único”, comenta Carla.

Falando com propriedade, Maria José destaca que a ABG desenvolveu um protocolo que tem a intenção de consolidar as informações e foco total na governança. “Li mais de 20 manuais para entender o que estava sendo feito e encontrei muita informação desencontrada e quase nenhum dado relacionado à segurança do processo operacional. Todos dizem o que fazer, mas não como fazer. A partir daí, nos unimos a 50 especialistas para redigir um modelo que pode ser usado em todos os negócios, independentemente do porte ou da localização”, afirma.

Simplificação da UH

Maria José defende a necessidade de ter informações específicas e direcionadas para o processo de desinfecção, com sugestão de materiais, produtos e equipamentos adequados, lacuna que o manual da ABG deve preencher. Tanto ela quanto Carla também orientam os hoteleiros a simplificar as UH para facilitar o processo, já que o tempo de limpeza dependerá da quantidade de elementos e móveis no interior. Saem almofadas, papelaria e itens de decoração, permanecendo apenas o que for essencial.

 As camareiras ganham protagonismo nesse processo, na opinião da presidente da ABG. “Antes elas tinham de ser invisíveis, hoje elas devem estar em evidência na execução dos processos para os clientes que, certamente, serão mais observadores e críticos”, alerta. Para ela, os pontos de atenção devem ser os locais de mais alto contato – como maçanetas, controles remotos e interruptores – e é imprescindível que os uniformes sejam trocados sempre que a profissional for para a área externa.

Em relação ao tempo de espera para uso da UH por outro hóspede, Maria José desmistifica a prática geral que, por consenso, aguarda 48 horas após a limpeza do apartamento. “Hospitais têm carga viral infinitamente maior e o processo de desinfeção dispensa quarentena, contanto que seja feito de forma segura, com os agentes químicos adequados e profissionais devidamente paramentados”, afirma. “Os gestores podem esperar entre 2h e 4h para que as partículas do ar se depositem na superfície, fora isso não é preciso esperar nem um minuto a mais”, reforça.

Para Georgi, as áreas comuns trazem desafios tão grandes quanto os das UHs. “O hotel precisa mapear áreas de maior trânsito de hóspedes para definir os que ficarão restritos, sem circulação, e os que serão monitorados o tempo todo, com fluxo de higienização contínuo”, lembra. Os especialistas também destacam que os jogos de cama e toalhas devem ser lavados sempre que o hóspede desocupar o apartamento, independentemente do uso ou não do enxoval. “Nesse sentido, diminuir o número de camas pode ser uma boa estratégia”, orienta Maria José.

A rouparia suja segue em sacos plásticos vedados diretamente para a unidade de processamento para evitar contaminação cruzada. Na lavanderia, Carla reforça que a orientação é higienização das mãos a cada três horas e que o enxoval limpo saia embalado da unidade de processamento para garantir que não haverá problemas no trajeto.

Em relação à escolha de produtos, os especialistas aconselham busca pelo registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária e opção por elementos biodegradáveis, quando possível. “Muito tem se falado do ozônio que, realmente, é eficaz, mas temos de lembrar que a Anivsa ainda não chancelou o uso porque o novo coronavírus é muito recente. Dá para usar como complemento, mas é preciso ter um aparato de produtos químicos e processos”, orienta Carla.

Folena, que tem formação em Química, ressalta o cuidado especial com produtos corrosivos que, mesmo usado com luvas, podem causar problemas respiratórios. “Túneis de nebulização também devem ser observados com cuidado porque eles não são feitos para uso com os produtos químicos adequados à desinfecção e podem queimar a pele”, alerta.

Descarte correto

Outro ponto relevante é a destinação correta de luvas e EPIs, assunto que não tem sido destaque nas orientações e que concentra um procedimento importantíssimo para a retomada segura. “Não conheço nenhum hotel no Brasil com área para descarte de material contaminante desse tipo”, revela Maria José.

A presidente da ABG sugere uma adaptação aos empreendimentos que não têm orçamento para implantar uma área dedicada ou contratar coleta seletiva específica, já que nenhum negócio pode se eximir da responsabilidade ambiental por conta do potencial contaminante dos EPIs. “Alguns locais fazem convênios com farmácias para a retirada do material, outros deixam um contêiner exclusivo para o descarte de máscaras e demais itens, separado do lixo reciclável e orgânico. Eles ficam em quarentena para depois serem retirados normalmente pela coleta urbana”, sugere.

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