Quando a carne é fraca… E a reputação, pós-moderna

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Por Ricardo Hida*

“Quem tem fama deita na cama”. “Reputação é como fogo, quando se apaga, torna-se difícil reacender”. “É mais fácil lidar com uma má consciência do que com uma má reputação”. São dezenas os ditados populares e frases de grandes filósofos falando sobre a imagem que terceiros fazem de nós, de empresas nas quais trabalhamos ou de lugares em que vivemos.

Embora todos saibamos o valor da boa reputação e quais benefícios ela carrega, não nos damos conta do processo para construir uma imagem boa e duradoura. E o perigo que um erro pode causar a uma história de sucesso e grandes realizações.

O primeiro passo para construir um nome sólido é ganhar notoriedade. As pessoas precisam saber que uma marca existe. Em seguida, torna-se fundamental entender o que a marca traduz, faz, oferece. Depois a marca precisa ganhar preferência racional e emocional das pessoas, diante de outras disponíveis. Por último, como consequência de um trabalho coerente, consistente e persistente, vem a boa reputação. E com ela todos os frutos.

Certamente, passos errados podem ser dados e – desde que não sejam antiéticos, causem grandes e graves problemas aos outros – perdoados conforme a reputação de quem os dá.

A Operação Carne Fraca, amplamente divulgada nesta semana causou um mal estar muito grande no Brasil e no exterior, além de um prejuízo político, financeiro e econômico para milhões de pessoas, afetando não só o agronegócio mas também o turismo. Afinal que País é esse que está sempre metido em confusão e permite tantas e escabrosas atrocidades?

Muito se engana quem afirma que os grandes culpados sejam a Polícia Federal e a imprensa. Os culpados são os fiscais e executivos das empresas envolvidas. Ponto final. O ministro Blairo Maggi, com soberba e vexatória ignorância, anunciou que vai retaliar o Chile, dificultando a entrada de peixes e frutas do país porque nosso parceiro do Mercosul não quer receber, por enquanto, carne brasileira.

Ora, ele quer obrigar um consumidor a comprar produtos de qualidade duvidosa? A proibição de entrada de produtos chilenos no Brasil deveria ocorrer se eles representassem uma ameaça a saúde e bem estar dos consumidores e não porque o nosso vizinho quer preservar a saúde de sua população.

Fato é que todo um trabalho de muitos anos, na conquista de mercado para a produção pecuária do Brasil, foi jogado no lixo, juntamente com a carne podre. E o esforço de todos nós em mostrar o quanto existe gente boa, honesta, talentosa e qualificada no País, oferecendo muito produto e serviço bom – inclusive no turismo – também foi embora.

Mas não é só uma grande crise de um País que deve ser bem administrada. Pequenos negócios e carreiras também devem viver em constante vigilância para garantir reputação ilibada. O consultor Mario Rosa, em seu livro “ A reputação na velocidade do pensamento” oferece aos leitores os dez mandamentos da nova reputação, que reproduzo a seguir:

  1. Não desprezarás a tecnologia;
  2. Romperás com velhos condicionamentos;
  3. Viverá sempre em público;
  4. Não mentirás;
  5. Serás uma marca;
  6. Serás mais transparente;
  7. Não esquecerás o passado;
  8. Viverás em duas dimensões;
  9. Aprenderás a ver e se expor;
  10. Obedecerás uma “nova” ética.

De fato, hoje, um registro amador feito em um celular barato pode destruir uma grande reputação. Em épocas de Google e Facebook, qualquer mentira poderá ser revelada em segundos. Não existem mais os antigos limites da privacidade, nem com posts desautorizando Mark Zuckenberg.

Racismo, homofobia entre outras abominações são crimes e não são mais tolerados pela imensa maioria da população. Hoje a existência se dá no universo real e virtual. Tudo muito novo para construir e destruir imagens. Mas, de toda maneira e desde a época mosaica, a obediência à ética foi e será o maior ativo para qualquer reputação.

E nós, brasileiros, deveremos entender de uma vez por todas que o antigo “modus operandi e vivendi” do jeitinho não tem mais lugar em uma sociedade hiperconectada, globalizada e que pode destruir em segundos uma reputação secular.

 

*Ricardo Hida é formado em administração pela FAAP e pós-graduado em comunicação pela Cásper Líbero. Foi diretor da H&T Eventos, executivo de vendas na Air France-KLM, gerente de marketing na Accor Hospitality e diretor adjunto do Escritório de Turismo da França no Brasil. Atualmente é CEO da Promonde. Contato: [email protected] 

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