Raffaele Cecere: “É necessário ser estratégico nos eventos híbridos”

De acordo com Rafaelle Cecere, presidente da R1 Soluções Audiovisuais, nem todos os eventos terão resultados positivos no modal híbrido de evento

Raffaele Cecere
Raffaele Cecere, presidente do Grupo R1 Soluções Audiovisuais

O “novo normal”. O termo, incorporado ao vocabulário em tempos de pandemia, é visto pela R1 Soluções Audiovisuais como errôneo. De acordo com Raffaele Cecere, presidente da empresa, não há novo normal, visto que todos os aparatos atuais que estão sendo usados – principalmente em relação a eventos híbridos – já existiam.

“Não estamos em home office, estamos em isolamento social. São poucas as pessoas que estão, de fato, tendo infraestrutura que lhes proporcione o escritório em casa. Obviamente este é um cenário que vai deixar alguns legados”, declara o empresário, que destaca, ainda, tratar-se de um momento nada favorável. “Se fosse positivo, seria um bom normal”.

Muito já se falava em evento híbrido, como na última edição do Lacte, ocorrida no primeiro trimestre deste ano. Quando ainda não se tinha o cenário pandêmico atual, o evento já observava a possibilidade de integrar ainda mais público nos encontros digitais como uma grande oportunidade. Cecere reforça que a covid-19 ajudou a consolidar a prática, contudo, ele chama atenção para o fato que este é um serviço que precisa ser focado em estratégia.

“Não é todo tipo de evento que vai trazer resultado no modelo híbrido. Na verdade, ele pode até significar prejuízos para a empresa. Vamos pensar no futebol, por exemplo. Atualmente, canais de televisão brigam pela transmissão de jogos. No entanto, não são todos os jogos que lotam estádios. Então, é necessário avaliar o que vai ser mais benéfico ao futuro do evento e entender que nem sempre o híbrido é a solução”, exemplifica.

Para esclarecer sobre a importância de levar em consideração o conceito híbrido, o presidente da R1 Soluções Audiovisuais sugere pensar no objetivo dos participantes de cada evento. Com base nisso, é possível entender melhor se é vantajoso torna-lo híbrido ou mantê-lo somente no formato presencial.

“Se o evento busca oferecer mais experiência, o híbrido pode não trazer bons resultados, já que isso precisa ser vivenciado. A oportunidade de participar do evento de forma virtual pode desmotivar as pessoas a participar presencialmente. Agora, se o seu evento é focado em conteúdo, o modelo híbrido pode ser uma boa alternativa”, complementa.

Período de aprendizado

Raffaele Cecere reconhece que o período de quarentena vem sendo de aprendizado, o que resulta em inovação para a empresa. Dentre os ensinamentos, o profissional destaca o fato de lidar com outro perfil de público: o telespectador. “O timing é diferente. Se der erro em um minuto, eu posso perder audiência. A exigência para que tudo dê certo triplicou porque o cliente não sabe o que está acontecendo aqui. Outra coisa é o tempo de evento. Antes, a gente trabalhava com eventos de oito horas. Hoje, o máximo é de quatro horas. Ninguém aguenta mais ficar tanto tempo na frente do computador”, exemplifica.

Além de aprender, a empresa também compartilha com o mercado novas oportunidades para atuar neste momento. Em parceria com o Sheraton São Paulo WTC Hotel, a R1 Soluções Audiovisuais montou distintos cenários e estúdios para o setor, parte do investimento de R$ 1 milhão realizado pela empresa. “Antes, eu tinha de estar em muitos lugares; hoje eu consigo fazer muitos eventos em um lugar só. Acho que esse aprendizado e a oportunidade de mostrar para o cliente como funciona não são ideais, mas é o possível para agora”, conta.

O fluxo de eventos do mercado corporativo caiu – segundo Cecere, são cerca de dez eventos por mês, porcentagem pequena frente aos mil, em média, realizados no período pré-pandemia -, mas a representatividade do segmento para a R1, não. O executivo assume que chegou a arriscar no mercado de eventos e shows, mas acredita que o segmento de negócios manterá o seu protagonismo.

Parceria consolidada

A parceria entre a R1 Soluções Audiovisuais e a World Trade Center São Paulo já é de longa data. E, em meio à crise apresentada por conta da pandemia, as empresas decidiram unir forças. De acordo com Luciana Lentini, diretora comercial do WTC Events Center, foi uma aliança concretizada quando as duas empresas notaram que não podiam parar suas operações.

Raffaele Cecere
Luciana Lentini (WTC Events Center) e Raffaele Cecere (R1 Soluções Audiovisuais)

“Hoje, qual parceria fez tanto evento online quanto nós? Nenhuma. Mostramos ao cliente o quanto estamos preparados e estamos constantemente informando-os sobre as devidas condições de segurança. Os próprios clientes não estavam preparados. Então ajudou muito a gente ficar aberto, trazer a R1 para este forma de estúdio, para que o cliente se sinta seguro”, comenta Luciana.

De acordo com a executiva, o empreendimento tem acústica boa e internet de qualidade, itens de extrema importância visto que qualquer ruído na transmissão pode gerar resultado negativo. “A gente garante: ‘Olha, aqui conseguimos unir tudo isso e entregar um produto de qualidade’”, complementa.

Cecere comenta que as empresas se mostraram muito parceiras do Turismo, dando voz para o setor e proporcionando novas opções neste momento mais fragilizado. “Demos voz ao trade, porque no começo, a verdade é uma só, a expectativa de faturamento é zero. O que a gente queria mesmo era levar conforto para pessoas e trazer esses profissionais para as outros se prepararem também. Isso nos dá muito orgulho”, afirma.

A parceria também se estendeu para o quesito segurança sanitária. O presidente da R1 comenta que vem aprendendo, em conjunto com sua parceira, sobre o que fazer. “Criamos alguns protocolos de higienização de equipamentos. O hotel também espalhou totens de álcool em gel e segue todo um protocolo. A gente também aprende com eles. Teve um laboratório que visitou o meio de hospedagem e deu quase 100% da nota de conformidade. Foi uma chancela conquistada dois meses após o início a pandemia”, comemora.

Única meta

Neste momento, lucro não é a prioridade da R1. Cecere deixa claro que estima faturamento na faixa dos 10% na comparação com o período pré-pandemia, mas reforça que a meta da empresa é sobreviver. “Queremos sair disso. Não sei se será em 2021 ou 2022, mas quero que acabe. Sabe pesadelo? Eu só quero acordar”, declara.

Sobre o futuro dos eventos, o presidente da R1 reforça que o modal híbrido pode acrescentar ao segmento, mas prevê um retorno ao cenário pré-pandemia, com novos legados. Além disso, Cecere observa um movimento contrário e diz que sente uma conversão do digital para o físico. “Nos eventos de games, por exemplo. Eles são muito tecnológicos, mas estão fazendo cada vez mais encontros e ações presenciais”, conclui.


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