Resiliência em prática: 15 resorts e suas estratégias para o pós-crise

Im­pactados pela crise, os resorts buscaram formas de otimizar a estrutura física, dar novos usos aos espaços externos e adequar experiências

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Por Ana Azevedo, Camila Lucchesi e Felipe Lima

Inovação. A força que esse conceito ganhou durante a pandemia levou muitas empresas a rever suas es­tratégias em busca de um diferencial competitivo para aquecer os negócios e acelerar a retomada do Turismo. Não foi diferente entre os resorts. Im­pactados pela crise, eles buscaram formas de otimizar a estrutura física, dar novos usos aos espaços externos e adequar o pacote de experiências – seja pautado por decisões admi­nistrativas ou pelas tendências que apontam para novos comportamen­tos do consumidor de viagens.

O prolongamento da crise pandê­mica mantém em alta a busca por es­paços amplos, fato que privilegia esse perfil de hotel. Segundo o Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem, do Ministério do Tu­rismo, resorts são hotéis com infraes­trutura de lazer e entretenimento, que disponha de serviços de estética, atividades físicas, recreação e convívio com a natureza no próprio empreen­dimento. “Resorts são ambientes favoráveis, pois têm abundância de áreas externas o que aumenta a se­gurança com a possibilidade de fazer o distanciamento social”, resume Ana Biselli Aidar, presidente-executiva da Resorts Brasil.

Com muito cuidado e enfrentan­do sérios problemas de caixa, os re­sorts tiveram de se desdobrar para estudar minuciosamente os pontos de contato na jornada do hóspede dentro do empreendimento, desen­volver e inserir novos protocolos de higiene e segurança, gerenciar e trei­nar equipes para o novo momento, além de se atentar às novas deman­das dos viajantes para guiar as ade­quações. E, em alguns casos, inovar.

Vale lembrar que inovação não depende, necessariamente, de um grande aporte financeiro. Como você poderá perceber nesta matéria, a criatividade das equipes à frente dos empreendimentos trouxe solu­ções de simples implantação, mas que promoveram mudanças signifi­cativas. Ana reforça que as novida­des podem não ser evidentes, já que algumas mudanças são feitas nos bastidores da operação.

“Buscar adaptar a estratégia para atrair outros segmentos de público não é tão inovador, mas faz muita diferença para o negócio. As­sim como investir na transformação digital de processos internos, como o check-in e reserva de passeios on­line ou por aplicativos. As soluções tecnológicas foram aceleradas pela pandemia, como forma de evitar aglomeração, e permanecerão em uso para manter o conforto e a expe­riência positiva”, pontua Ana.

Selecionamos 15 resorts em dez estados brasileiros que seguiram dife­rentes caminhos em busca de um di­ferencial competitivo para o pós-crise. Há os que realizaram adições robustas à estrutura física e outros que investi­ram no aprimoramento dos serviços e valorização das experiências. E exis­tem os que, por estratégia, optaram por manter tudo como está. Confira!


Pernambuco

Enotel Porto de Galinhas

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Spa Enotel (Foto: Divulgação)

O complexo Enotel fez um dos in­vestimentos mais robustos em termos de infraestrutura: desen­volveu um spa médico dentro do Enotel Convention & Spa. A novida­de estreou em janeiro deste ano e tem tudo para agradar ao hóspede ansioso por aliar as delícias de via­jar ao ato de cuidar melhor do cor­po e da mente, após tantos meses de estresse. A proposta do Spa Leger é dedicar uma semana ao resgate de hábitos de vida mais saudáveis, com suporte e acompanhamento de nutrólogo e personal trainner, sob supervisão da Dra. Nívea Cha­cur, médica administradora do spa.

Segundo Regina Biondi, diretora comercial do Enotel, a ideia é des­mistificar a relação entre resorts all inclusive com abundância em co­midas e guloseimas, incluindo ali­mentos saudáveis e de baixa caloria à oferta. “Queremos entregar uma nova modalidade de all inclusive que remeterá à saúde e ao bem-es­tar”, resume. Agora, as atenções do grupo se voltam à reabertura do Enotel Acqua Club, marcada para 15 de março. O único resort all inclusive com parque aquático da região abre suas portas com novidades, comple­tando a oferta de serviços.

As duas piscinas com ondas ga­nharam cascatas e um palco para a realização de shows, além de re­novação no paisagismo por toda a área de 45 mil metros quadrados, em projeto assinado por Marta de Souza Leão. Já o rio lento, um dos sucessos do parque, foi dividido em dois trajetos – um mais curto e outro mais longo. As inovações estruturais também estão no lobby, reformula­do por Vera Pires e Roberto Ghione, da VPRG Arquitetos, com essência na integração dos espaços à natureza e vista aos novos tempos.

E que vista! Um mirante emoldu­ra o mar e antecipa ao viajante, logo durante o check-in, o que ele irá des­frutar em sua estada. O espaço tam­bém abriga o Sports Bar e o Coffee Bar, além de lojas de conveniência. A decoração acompanha o estilo rús­tico de resort de praia – com tramas e materiais naturais que remetem também à cultura pernambucana – e dá espaço à sofisticação no projeto de Náiade Lins, artista plástica, ce­nógrafa e designer.

A gastronomia é outro desta­que do Enotel Acqua, com espaços diferenciados e adaptados para o momento atual. Quer comer em um jardim ao ar livre? A dica é ir ao res­taurante Flor de Sal, em estilo buf­fet. Prefere cardápio à la carte? Siga para o La Trattoria, com cardápio italiano assinado pelo chef Sílvio Ro­mero! Que tal algo mais regional? Es­colha o menu pernambucano, uma das opções temáticas oferecidas no jantar pelo restaurante Chiringuito, de frente para o mar – as outras são focadas na cozinha portuguesa e na culinária francesa.

O resort conta ainda com o Acqua Kids, um parque aquático in­fantil com brinquedos, mini rio lento e quiosques para acomodar as famí­lias. Nas proximidades, o restauran­te Siri oferece alimentação saudável para os pequenos, no cardápio cria­do pelo chef Romero e pela equipe de nutricionistas.


Nannai Resort & SPA

Foto: reprodução

O foco para esse novo cenário do turismo é intensificar a expe­riência do consumidor por meio do atendimento personalizado. No­vos programas, como o “Cozinhan­do com o Chef”, proporcionam ao hóspede conhecimento sobre o preparo do prato, em atividade realizada ao ar livre, mediante re­serva prévia. O formato pode ser privativo ou em grupo, com até 15 casais e três chefs. A refeição inclui pratos variados e harmonização.

Seguindo a linha do romance, o hotel oferta também piqueniques de frente para o mar. “O Nannai sempre teve essa característica da hospedagem personalizada, mas agora estamos investindo muito nisso, principalmente quando nos avisam que haverá uma comemo­ração. Há pouco tempo, um de nossos hóspedes retornou com as filhas adultas e fizemos um ví­deo com imagens dele brincando na piscina com elas, durante a primeira viagem deles ao hotel, quando elas ainda eram crianças. Ele nos ligou chorando de felici­dade”, ressalta Liana Gonçalves, coordenadora de Marketing e Ex­periência do resort.

Estruturalmente, o estabele­cimento deu continuidade às re­formas dos bangalôs, que haviam sido iniciadas antes da pandemia, foram paralisadas durante o fe­chamento do hotel e retomadas com a reabertura. A marca come­mora o sucesso da abertura da Pousada Boutique em Fernando de Noronha, operando desde de­zembro sob protocolos de bios­segurança. “Abrimos com muito sucesso, apesar dos procedimen­tos de entrada na ilha. As pessoas estão procurando muito, porque ouvir o nome Nannai no destino desperta curiosidade. A pousada tem apenas dez bangalôs, spa e piscina, além de uma vista mara­vilhosa”, ressalta.


Ceará

Dom Pedro Laguna Beach Resort & Golf

Foto: reprodução

Em Fortaleza, o Dom Pedro Lagu­na Beach Resort & Golf aprovei­tou o período de menor demanda ocasionado pela pandemia para estrear estrutura voltadas ao la­zer em família. O hotel ampliou as piscinas das villas e conta agora com uma nova área de piscinas para crianças, com equipamentos de entretenimento. Houve tam­bém a estreia de um espaço para a realização de casamentos.

Pedro Ribeiro, diretor comercial da rede Dom Pedro, ressalta que a ideia foi motivada pela alta procura do resort cearense para casamentos em termos futuros. “Os produtos de maior exclusividade têm tido exce­lente resposta por parte dos nossos hóspedes quer seja ao nível dos jan­tares exclusivos quer seja da oferta nas piscinas. Teremos novos pro­dutos relacionados com atividades para lançamento breve”, destaca.

Além dos jantares privativos – disponíveis nas varandas das villas ou na beira da piscina – as novidades incluem um serviço de room service com bandejas flu­tuantes para o café da manhã nas piscinas privativas.

O executivo pontua que o esta­belecimento está equipado para promover eventos híbridos, mas não descarta a retomada dos en­contros presenciais. “Devido ao tempo que a pandemia já dura, acreditamos que a tendência é vol­tar aos eventos presenciais, assim que for possível. Mas o componen­te tecnológico irá ficar, permitindo que o evento híbrido seja realidade permanente e como complemento ao presencial”, finaliza.


Sun City Rota Das Emoções by Nobile

Foto: reprodução

Durante a pandemia um novo servi­ço, novo atrativo ou nova ativida­de podem ser significativos para uma rede. E um novo empreendimento? Foi o que a Nobile Hotels & Resorts fez, em parceria com o Grupo Manhat­tan. Lançou uma bandeira, focada em resorts de sol e mar no Nordeste. O meio de hospedagem em Camocim (CE), foi aberto em 24 de dezembro e conta com 123 quartos, além de pisci­na e área de lazer, incluindo espaço de jogos, teatro e minigolfe, entre outros.

Segundo Flávio Romero, gerente nacional de Operações Grupo Nobile, o projeto de expansão já contempla outros dois hotéis, sendo um na Bahia – com previsão de abertura ainda nes­te ano – e outro em Aquiraz, no Ceará. Todos os empreendimentos operam com timeshare, visto que o Grupo Ma­nhattan possui o Manhattan Vacation Club. “É uma marca bem segmentada e que estará presente somente no Nor­deste”, comenta Romero, destacando que o resort fica nas proximidades de Jericoacoara, um dos cartões-postais da Rota das Emoções.

Com quatro categorias de acomo­dação – Superior, Luxo, Premium e Royal -, além de suítes de 102 metros quadrados, o resort registra ocupação média acima de 50% e boa aceitação do público. Os viajantes, em sua maio­ria, vêm do entorno, com destaque para clientes de Sobral (CE), Teresina (PI) e Fortaleza (CE). “Eles não depen­dem de avião”, resume.

A inovação tecnológica permite transformar a televisão das acomoda­ções em um concierge digital. Com o controle remoto, os hóspedes podem assistir a diversos canais, conferir a programação de atividades de lazer, solicitar room service, pedir dicas de passeios e restaurantes e ter o extra­to do quarto, entre outros serviços. Romero conta que este é um trabalho que vem sendo realizado em toda a rede, de forma gradual.

O empreendimento também con­ta com dois salões modulares para eventos e um para reuniões – que es­tarão disponíveis para reserva a partir de abril – e tem como missão manter a média ocupacional na casa dos 50%. “Quando os protocolos começarem a ser flexibilizados, não temos dúvidas que vamos conseguir, tanto para o la­zer quanto para os eventos”, estima.


Bahia

Tivoli Ecoresort Praia do Forte

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Confiança na marca e proximi­dade com a cadeia de distribui­ção. É assim que Marco Amaral re­sume o diferencial competitivo do Tivoli Ecoresort Praia do Forte. “Ain­da estamos em meio à pandemia, os negócios estão sobrevivendo. Não é momento para grandes investimen­tos, pensando em estruturar áreas com base em comportamentos que são demandados agora, mas que podem ser temporários”, pontua o vice-presidente de operações e de­senvolvimento do grupo Minor na Europa e América do Sul.

Ele defende que o aumento na procura por estadas mais longas não justifica o investimento para direcionar o hotel ao segmento de long stay, assim como a alta na pro­cura por ambientes adaptados para trabalhar fora de casa não demanda correria para transformar a unida­de toda em um grande escritório à beira-mar. “Fizemos, sim, investi­mentos na rede de TI para melhorar a qualidade do sinal, já que há pes­soas ficando por mais tempo, fazen­do o chamado hotel office. Também adaptamos um espaço para as crian­ças estudarem online, é quase como uma sala de aula mesmo”, pontua.

O resort também investe em ex­periências que prometem atrair e acomodar diversos perfis de viajan­tes. Os chefs estudam ingredientes locais para desenvolver novas recei­tas para incrementar o serviço, en­quanto a equipe de entretenimento cria novas propostas de atividades ao ar livre. Entretanto, Amaral defen­de que os viajantes – sejam os mo­tivados pelas delícias à mesa, aficio­nados por exercícios físicos em meio à natureza ou interessados em criar memórias afetivas em um reencon­tro familiar – encontram respaldo na força da marca.

“Temos 36 anos de serviços, com oferta de qualidade e consolidada. Esse conjunto traz segurança ao hós­pede e reforça a expectativa de que tudo está sendo feito em termos de protocolos”, explica. Essa segurança é repassada aos agentes de viagens e operadores, parceiros na comerciali­zação. “Voltamos nossas atenções a estar próximos das empresas, em uma comunicação clara e transpa­rente em relação a cancelamentos, remarcações e todos os assuntos relacionados à covid-19. É um inves­timento de tempo, de paciência e de vontade, não é monetário.


Complexo Iberostar Praia do Forte

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Com dois resorts à beira-mar, a Iberostar fincou bandeira nesse pedaço paradisíaco do litoral baiano há 12 anos e conquistou a fidelidade de turistas de todo o País. Tanto o Ibe­rostar Selections quanto o Iberostar Praia do Forte adaptaram sua estru­tura para melhor atender ao público durante a pandemia e para além dela.

A direção concentrou esforços no que sempre teve como valor primor­dial: a experiência do hóspede, agora guiada também por padrões de segu­rança. Para reforçar os cuidados nos bastidores, seguindo um robusto pro­tocolo de 300 medidas desenvolvidas sob a supervisão de um conselho mé­dico, o complexo implantou a troca de máscaras por turno entre os co­laboradores. Uma regra de simples implantação, com resultado mais do que eficaz para aumentar a sensa­ção de proteção.

“É uma forma visual de os hós­pedes checarem o cuidado na ope­ração”, explica Ramón Girón, diretor de operações no Brasil. A cada três horas de trabalho, os colaboradores realizam a trocar do acessório de proteção – entregue a todos os seto­res nos tons de areia, coral e cinza. “Muitas das inovações são invisíveis aos clientes porque são aplicadas nos bastidores, em áreas de funcio­nários e no transporte dos colabo­radores”, complementa Arnauld Le Lanchon, diretor do Iberostar Selec­tion Praia do Forte.

Sustentabilidade, tema que tem sido muito explorado como uma tendência nas viagens no pós-pan­demia, é um valor que a rede espa­nhola valoriza há anos e não foi di­ferente durante os últimos meses. O conceito é valor inegociável do gru­po, expresso de forma concreta pelo movimento Wave of Change.

O programa de sustentabilidade do Iberostar tem agenda própria, metas audaciosas para serem cum­pridas até 2030 e não parou durante os últimos meses. Pelo contrário! O programa que visa tornar os hotéis livres de resíduos nos próximos qua­tro anos, responsáveis pela cadeia de abastecimento para promover o consumo responsável de frutos do mar e neutralizar as emissões de carbono avançou no Brasil, mesmo durante a pandemia.


Alagoas

Salinas Maragogi All Inclusive Resort

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O resort investiu em tecnologia para melhorar a experiência e garantir a agilidade do serviço, além de cumprir com os protocolos no combate à covid-19. As novidades incluem a implementação do web check-in e a criação da Izi, assisten­te virtual que informa o viajante so­bre os serviços e a programação de lazer do empreendimento.

“Um dos nossos projetos é tornar a jornada do cliente totalmente digi­tal e, por isso, incorporamos o agen­damento para as atividades e subs­tituímos a folhetearia por QR Codes, incluindo o cardápio. Apesar de não ser uma demanda específica da pan­demia, fizemos mudanças físicas que vieram a calhar. Ampliamos a área de piscinas, porque eram poucas e com elas colocamos novos pontos de consumo, antes tínhamos um no lo­cal e hoje temos três”, pontua Suelen Ferreira, coordenadora de Gestão e Projetos do Salinas Maragogi.

Houve, ainda, a criação de uma tenda próximo à praia que pode ser utilizada para a realização de ativi­dades ao livre em grupo ou privati­vas. Suelen reforça que o objetivo do resort é digitalizar a experiência. “Tivemos de nos reinventar para oferecer opções de lazer. Tudo o que estamos ofertando leva em consideração os protocolos, porque o cuidado com as pessoas é a nos­sa prioridade”, afirma. A monitoria infantil está operando com interva­los menores de tempo e segmenta­ção por faixa etária, além de limite de público. Atividades individuais como o futebol de mesa, minigolfe e o jogo hamster ball são os desta­ques em entretenimento.


Rio Grande do Norte

SEHRS Natal Grand Hotel & Resort

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O SEHRS prezou pela solidez do quadro de funcionários, a fim de continuar entregando serviços de alta qualidade. Um dos exemplos nesse sentido é a oferta de café da manhã servido no quarto dos hós­pedes, sem custo adicional. O resort também reformulou as atividades de lazer, adaptando a oferta para que os programas ocorram integral­mente ao ar livre. Os grupos infantis de até 25 pessoas são segmentados pela faixa etária e têm a praia como local de socialização. Já a progra­mação para os adultos destaca atra­ções musicais na área da piscina, também com limitação de público.

“Nós mantivemos os nossos co­laboradores, pois são eles quem fazem a roda girar. Aqui tem a apli­cação de todos os protocolos de biossegurança e, ao mesmo tempo, uma percepção de normalidade. Estamos muito felizes com essa re­tomada e o orçamento desenhado até abril já está cumprido”, destaca Willian Lass, diretor geral do hotel.

O executivo enfatiza a facilidade da tecnologia na comunicação com o hotel, seja para fazer check-in ou solicitação de serviços, via web ou aplicativo. Ainda sem previsão de conclusão, o SEHRS está em nego­ciações para adquirir o terreno ao lado, a fim de ampliar a área do es­tabelecimento.


Mato Grosso

Malai Manso

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Dedicar um time de orientadores exclusivamente para orientar os hóspedes em relação aos protocolos de segurança. A iniciativa realizada pelo Malai Manso, resort próximo à Chapada dos Guimarães (MT), é um desses exemplos de ações simples que revertem em grandes resultados.

“Foi um diferencial de acolhimento e criou um movimento que foi segui­do por outros empreendimentos”, pontua Dairon Grande, diretor de Operações. O executivo acrescenta que a equipe foi realocada de outros departamentos menos demandados, o que reforça a responsabilidade do hotel com seus colaboradores.

O mesmo cuidado foi dedicado pelo hotel à comunidade do entorno. Nos meses em que permaneceu fe­chado, o Malai Manso refez a jornada do hóspede pelo hotel, reviu os pon­tos de contato e readaptou processos internos para garantir a segurança.

Esse trabalho resultou em um ma­nual de combate próprio, de mais de 200 páginas, que foi compartilhado com a prefeitura e com o trade local. “O documento serviu de base para a adaptação da estrutura e dos servi­ços de pequenas pousadas, restau­rantes e bares da região”, comenta.

Em relação à estrutura, o executi­vo destaca que os espaços físicos não foram adaptados, mas que algumas atividades realizadas em ambientes internos acabaram migrando para a área externa. “A Vila Malai, área gas­tronômica, vem sendo mais usada para recreação”, complementa.

Inau­gurado em novembro do ano pas­sado, o centro de convenções com mais de 4 mil metros quadrados não foi demanda da pandemia, mas teve uma adição que segue em linha com as tendências. É o Espaço Amazônia, um anexo para eventos externos em meio a um jardim e com um foyer de vidro na lateral.

O diretor adianta que, ainda neste mês de março, o resort terá sistema automatizado para check-in anteci­pado, via aplicativo. A novidade vem para diminuir os pontos de contato e se integra à pulseira digital que é entregue ao hóspede para funcionar como chave do quarto e registro de consumo extra.

Em termos de ocu­pação, o Malai Manso opera hoje com 80% de leitos, apesar de não haver nenhum decreto limitando a capaci­dade. “Assim conseguimos atender melhor o hóspede, fazer o rodízio de apartamentos e manter o distancia­mento de mesas nos restaurantes e espreguiçadeiras”, finaliza.


São Paulo

Casa Grande Hotel

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Resiliência é a palavra de ordem do Casa Grande Hotel, que, por con­ta da queda no volume de eventos – responsável por 40% da receita antes da pandemia -, ampliou o horário de funcionamento de seus serviços de lazer. De acordo com Sérgio Souza, diretor comercial, o resort conta com estrutura completa e a ampliação foi suficiente para atender à demanda de lazer.

E, como o home office tomou con­ta do cenário corporativo, o resort se adequou e lançou o Hotel Office, vol­tado às famílias. “Os filhos, a partir de três anos, ficam na Casa das Crianças, disponível das 9h às 22h, permitindo que os pais possam trabalhar com tranquilidade. Criamos apartamentos estruturados para isso, com infraes­trutura e maiores, e oferecemos uni­dades localizadas perto da área infan­til”, comenta o diretor.

Apesar da logística de oferecer acomodações próximas e das fer­ramentas aptas para o home office, Souza declara que muitos hóspedes redefiniram o programa, passando a trabalhar na área da piscina, no res­taurante ou no bar. “O restaurante Atlântico, por exemplo, só abre para almoço e jantar, mas muitos hóspe­des pedem para sentar lá para traba­lhar enquanto observam o mar. É as­sim que as pessoas estão. É uma nova demanda”, declara.

O segmento Mice ainda faz falta, visto que o empreendimento sediava de 150 a 170 eventos por ano. “Só não promovíamos eventos em janeiro e na segunda quinzena de dezembro, por opção, devido à demanda de lazer”, relembra. O diretor acredita que o segmento passará por uma reformu­lação e que o conceito de escritório no hotel e os eventos híbridos tendem a se unir, sobretudo nos encontros me­nores, que tendem a crescer no curto prazo após a pandemia.

Apesar de ser uma decorrência das exigências relacionadas à pande­mia, a migração de serviço para o bufê assistido foi destacada pelo executivo por uma questão que não estava pre­vista, mas que cai muito bem no cená­rio que estamos vivendo: a redução do desperdício. Segundo ele Souza, a quantidade de alimentos descartados caiu 70%, o que motiva a administra­ção a manter essa opção no futuro.


Royal Palm Plaza Resort

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Para a rede Royal Palm, um re­sort deve ser aliado ao concei­to de inovação. E o grupo mostrou que boas iniciativas podem ser muito eficazes, apesar da pan­demia. Uma das grandes novida­des da rede foi o lançamento do programa Viva Royal – executado entre julho e dezembro de 2020 -, que teve como objetivo ajudar as pessoas a restabelecer hábitos deixados de lado após a chegada da covid-19.

De acordo com Priscila Domit, diretora de Vendas e Marketing, a iniciativa foi responsável por mais de 2 mil diárias vendidas no período. “O hotel fica próximo da capital paulista e trabalhava o la­zer como atrativo para os finais de semana, mas não tinha nenhum chamariz para os dias da sema­na. Por isso, elaboramos o proje­to. Foi diferente de tudo o que a gente viu e uma aposta tão asser­tiva que outros empreendimentos também implementaram”, co­menta. O sucesso motivou a ad­ministração a retomar o projeto neste ano, entre abril e julho.

Outras novidades vieram com importantes parcerias. A iniciativa junto à Estrela, tradicional fabri­cante de brinquedos, inaugurou um museu para unir a nostalgia dos pais com a curiosidade dos fi­lhos. E a união de forças com a Hair Concept by Roberta Gomes colocou a estética de vez na pauta da rede. “Vamos expandir a atuação no ho­tel por meio de um conceito dife­rente, com tratamento exclusivo e individualizado, que será ampliado para outras frentes dentro do em­preendimento”, adianta Priscila.

Outra novidade é a mudança no perfil do The Palms, hotel de 116 acomodações que passa a ser 100% dedicado ao segmento corporati­vo. Segundo a diretora, o objetivo é transformar o hotel – que faz par­te do complexo em Campinas, mas tem recepção própria e GDS exclusi­vo – no único meio de hospedagem cinco estrelas da cidade. Apesar da aposta em Mice, o empreendimento poderá se adaptar à necessidade da sazonalidade.


Mavsa Resort

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Reaberto em julho do ano passa­do, o Mavsa Resort inovou na criação de ofertas para atrair o pú­blico do entorno para estadas mais curtas. A apenas 90 minutos da capi­tal paulista, o empreendimento em Cesário Lange investiu na combina­ção de perfil adequado às famílias e proximidade com destinos relevan­tes dentro do estado que é o maior emissor de turistas no País para criar o Mavsa Experience.

O day use operou em datas sele­cionadas, em setembro do ano pas­sado, com uma seleção de atrações para quem não pode permanecer por todo o final de semana no re­sort. Não há previsão para retomar o programa neste ano, já que a procura pelos pacotes convencio­nais vem crescendo gradualmente e ainda há limitação na ocupação, de acordo com a determinação do governo do estado de São Paulo. Nesse mesmo sentido, o hotel criou pacotes temáticos para contemplar o público que opta por estadas cur­tas, a partir de duas noites.

O empreendimento se tornou dog friendly em agosto, o que amplia as possibilidades de um passeio que integre a família completa. Dois cãe­zinhos de até dez quilos são autori­zados para hospedagem nos chalés e têm até uma área especial destinada aos passeios no amplo espaço exter­no. O tutor precisa apresentar a car­teira de vacinação do animal, além de providenciar a alimentação e itens de higiene para ele durante a estada.


Rio de Janeiro

Vila Galé Eco Resort Angra dos Reis

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A pandemia veio para despertar a criatividade de profissionais da hotelaria e, no Vila Galé, o foco foi agir para transformar o momento ruim em benefícios para a autoestima. “Quería­mos surpreender positivamente, sem pensar no que não podíamos mais fa­zer, mas no que é ainda possível”, co­mentou André Gamelas, coordenador de Lazer e Entretenimento do resort no litoral fluminense.

Além de treinar as equipes de Entre­tenimento para garantir a segurança, o hotel criou três circuitos autoguiados para o lazer. O objetivo é proporcionar uma experiência agradável por meio de um enredo de situações criadas nos polos espalhados por diferentes locais. O Circuito Natureza, por exemplo, con­vida o hóspede a ter um contato com o meio ambiente, incentivando-o a plantar uma árvore. O Circuito Atleta é mais voltado para a parte física e spa, enquanto o Circuito Bem-Estar envolve meditação.

A atividade que veio para ficar foi implementada em agosto, com boa aceitação, conforme declara o coor­denador. “Ainda há aqueles hóspedes que sentem falta da aglomeração, mas fizemos um trabalho de incentivo e, aos poucos, o boca a boca transfor­mou os circuitos em uma das princi­pais atividades”, pontua.

Outras opções foram desenvolvidas e integradas ao cardápio, como os sa­raus na varanda e a disponibilização de e-books e audiolivros por meio de uma biblioteca digital. E outras novidades estão previstas, como a inauguração de teatro e biblioteca – ambos voltados ao público infantil – e a estreia da Rádio Galé, com playlist, dicas de saúde e destaques na programação.


Santa Catarina

Infinity Blue Resort & SPA

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Um mergulho na cultura local. Essa é a proposta do resort localizado em Balneário Camboriú, por meio do Experience Guide. O programa lista uma série de atividades possíveis nessa porção do litoral, como um tour focado na produção artesanal de cerveja, uma tarde de compras com personal shopper ou um pas­seio nas bikes elétricas da Vindrais, fabricante uruguaia que tem uma filial na cidade catarinense.

“Estamos pegando os produtos da região e transformando em uma experiência para oferecer mais so­fisticação ao nosso cliente”, declara Juliana Campeoto, gerente de Ven­das do resort que opera atualmente com 65 apartamentos – 36 unidades seguem bloqueadas. Para o público infantil, o destaque é o café da ma­nhã lúdico, com direito à participa­ção de fadas e pirata


Paraná

Mabu Thermas Grand Resort

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O resort em Foz do Iguaçu, um dos destinos mais conheci­dos em território brasileiro, segue investindo em opções de lazer e entretenimento outdoor para as famílias. Em dezembro de 2020, o complexo comemorou dois anos de inauguração de um de seus maiores atrativos: o Blue Park, parque aquático com direito a praia de água termal, com tempe­ratura em torno de 36ºC, atrações voltadas aos pequenos e toboá­guas de até 17 metros de altura, para quem não abre mão de adre­nalina.

Uma das novidades em 2020 foi a Blue Slide, uma megatirolesa que estreou assim que o comple­xo reabriu, em setembro. Com 30 metros de altura e 350 metros de extensão, ela oferece vista privile­giada para o parque aquático, per­mite descidas em dupla e é total­mente adaptada para cadeirantes e pessoas com dificuldade de lo­comoção.

As estreias também se estenderam para a oferta gastro­nômica que, agora, contempla 23 estabelecimentos com cardápio pra lá de diverso. Tem restaurante bufê, à la carte, empório, cerveja­ria, sorveteria, pizzaria e até uma casa especializada em coxinhas.  Outra aposta da rede foi o lan­çamento do My Mabu, complexo de 484 apartamentos que opera no conceito de multipropriedade e estreou no resort paranaense em julho do ano passado.

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