Responsabilidade empresarial

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Por Cássio Garkalns*

A evolução do entendimento do papel, da influência e das responsabilidades das empresas nos territórios onde estão inseridas vem evidenciando mudanças significativas na forma como os negócios são geridos, como a gestão dos impactos socioambientais é conduzida, como a sociedade e os governos percebem o legado dos empreendimentos empresariais e como projetos sociais são concebidos e implantados.

A similaridade de princípios adotados pela maioria das empresas na operacionalização de ações no âmbito da sua responsabilidade e obrigações sociais fortalece o entendimento de que há certo alinhamento sobre a importância de alguns assuntos: necessidade de identificação e envolvimento todas as partes interessadas; diálogo permanente; atenção que a sociedade vem dando ao tema; e desenvolvimento de ações que contribuam com o desenvolvimento sustentável.

Este cenário vem influenciando o setor do turismo. Por um lado, qualquer empreendimento do setor – seja um pequeno bar ou um grande resort – precisa pensar em como interagir positivamente e contribuir com o desenvolvimento local. Por outro, empreendimentos de grande porte – como hidrelétricas, parques eólicos ou solares que, aparentemente, não possuem relação direta com turismo – reconhecem que o apoio à organização e qualificação desta atividade pode ser uma ótima oportunidade de estimular o desenvolvimento socioeconômico e contribuir para a melhoria da qualidade de vida.

Há um movimento de que esse tipo de empresa grande oriente suas ações obrigatórias relacionadas à obtenção de licenças para elaboração de planos de desenvolvimento do turismo, de qualificação de empresários e funcionários do trade, de fortalecimento de questões associadas ao marketing de destinos. Isso porque, para que empreenda em uma determinada região, ela precisa identificar potenciais impactos socioambientais e desenvolver ações de contrapartida que possam mitigar os problemas e contribuir para que a região se desenvolva.

Preocupadas com a identificação de formas de contribuição e obrigadas a conduzir programas de mitigação de impactos, as empresas vêm encontrando no fomento ao turismo, quando tecnicamente pertinente, uma excelente oportunidade para gerar resultados significativos em regiões com alto potencial para a atividade.

São inúmeros os casos no Brasil em que a fórmula está sendo utilizada e que passam a ter papel importante de apoio à qualificação de destinos turísticos.

Adicionalmente, deve ser entendido que como estas empresas têm total interesse em construir uma relação positiva de longo prazo com a região de entorno, elas se comprometem e se envolvem com afinco para que os investimentos realmente gerem bons resultados que, em última análise, precisam ser quantificados e comprovados juntos aos órgãos responsáveis por suas licenças. Também trabalham para construir uma boa relação com a comunidade de influência e manter sua “licença social para operação”.

Aparentemente este entendimento segue um caminho sem volta, já que o desenvolvimento regional sustentável promovido por projetos estruturantes já está incorporado ao discurso, à prática e à essência de um número representativo dos grandes empreendimentos, que vêm adotando uma postura mais proativa em relação às questões socioeconômicas.

A necessidade de mudança na forma como a sociedade e as empresas atuam em conjunto já é reconhecida. O desafio passa a ser identificar como convergir as forças inerentes ao mundo dos negócios e contribuir, quando couber, no apoio ao desenvolvimento do turismo sustentável.

Vamos em frente!

* Cássio Garkalns é CEO da GKS Inteligência Territorial e professor do curso de 
pós-graduação em Gestão Estratégica da Sustentabilidade. cassio@gks.com.br

 

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