Retrospectiva 2021 da diversidade

Retrospectiva 2021 da diversidade - Diversificando

Por Luanny Faustino – Formada em Relações Internacionais, especialista em negociações internacionais pela USP e em Racismo e Política e Neurociência

O ano de 2021 foi atípico em vários sentidos, sendo o segundo ano da pandemia da covid-19 que assolou o mundo todo e que nos fez repensar a forma que fazíamos as coisas. “Desconstruir”, “novo normal”, “você está no mudo” e “online” foram algumas das palavras e expressões que mais ouvimos nesse ano. Acredito que retrospectivas sempre são muito importantes, tanto para avaliarmos o que passou quanto para planejarmos o que virá. Por isso, no nosso bate-papo de hoje, eu lhes convido a fazer comigo uma retrospectiva dos tópicos mais importantes para a Diversidade e Inclusão nesse ano.

Tivemos que conviver com essa crise sanitária vergonhosa, da qual além de ter gerado um número assustador de mortos por covid-19, também causou a redução da empregabilidade no Brasil, principalmente de pessoas dos grupos “minorizados” como mulheres e negros.

As desigualdades ficaram mais evidentes quando analisávamos dados como os do IBGE, que diziam que no primeiro trimestre de 2021 tivemos um nível de desocupação de 17,9% entre mulheres contra 12,2% entre os homens. A discrepância aumenta quando olhamos o recorte racial, onde brancos têm o menor índice de desocupação com 11,9%, já pretos tem 18,6% e pardos 16,9%.

Por outro lado, sem sombra de dúvidas, foi em 2021 que a “ficha caiu” para muitas empresas que entenderam que diversidade e inclusão são temas estratégicos, essenciais e inteligentes. Vimos esses temas borbulhando nas redes sociais, nos jornais e nas rodas de conversa, por todos os lados. Eu acredito que nesse ano demos um passo muito importante rumo à construção de um mundo mais justo, igualitário e inclusivo. É claro que temos muito o que fazer ainda, mas celebrar as conquistas é necessário.

Dentre as ações que temos para celebrar, quero destacar o aumento de empresas que abriram inscrições para vagas afirmativas, focando na contratação de profissionais representantes de grupos “minorizados”, visando diversificar seu quadro funcional para que espelhe a realidade da sociedade na qual essa empresa está inserida.

Esse tipo de ação tomou força após empresas como Bayer e Magazine Luiza terem aberto inscrições para seus programas de estágio e trainee com exclusividade para profissionais negros(as). Apesar da repercussão polêmica, essa atitude inspirou outras empresas de diversos setores a fazerem o mesmo, dentre elas cito a Unidas, Copa Airlines, Latam, Itaú, CVC Corp, Digeo, 99 Jobs, EY e Vivo, que alavancaram vagas afirmativas para a contratação de pessoas negras, transexuais e mulheres, além de assinarem tratados de compromisso para aumentarem a participação desses grupos em cargos de decisão.

É importante destacar, para quem ainda não sabe, que destinar vagas para públicos sub representados é uma forma de realizar ações afirmativas, as quais estão previstas na lei do Estatuto da Igualdade Racial. Essas medidas são essenciais para reparar a discriminação histórica racial, étnica, de orientação sexual afetiva, identidade de gênero ou religiosa.

Outra conquista nesse ano foi o fato de os Estados Unidos ter emitido seu primeiro passaporte com designação de “gênero X”, ou seja, para uma pessoa com gênero neutro. Esse fato abre precedentes nunca antes vistos em relação ao respeito aos direitos LGBTQIA+. Vamos torcer para que outros países, como o Brasil, em breve sigam essa diretriz.

Já no trade turístico, tivemos vários eventos que abriram espaço em seus programas para conteúdos voltados à Diversidade e Inclusão, o que estimula a disseminação da informação e engajamento de novos(as) aliados(as). Precisaremos observar se essas atitudes foram feitas de forma intencional para gerar mudança de mindset, ou se só seguiram tendências.

Citei aqui grandes corporações e organizações que estão fazendo sua parte na construção de um mundo mais igualitário, mas existem muitos pequenos e médios empreendedores(as) que também estão fazendo sua parte, assim como indivíduos de forma autônoma também.

Pretendo, na terceira edição da nossa Coluna Diversificando, trazer essas pessoas que estão fazendo sua parte para nos inspirar com suas histórias. Afinal como falamos na CKZ Diversidade, consultoria da qual faço parte do quadro, pequenas mudanças fazem uma grande diferença.

Termino desejando boas festas à todas(os) vocês que seguem a coluna Diversificando e desejando tê-los(as) comigo em 2022. Bora fazer a diferença que queremos ver no mundo!

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