Riviera Maya: Outro lado do Caribe mexicano

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Brasileiros estão na sétima colocação entre os maiores emissores para o destino que combina natureza e paisagens paradisíacas com a cultura maia
Brasileiros estão na sétima colocação entre os maiores emissores para o destino que combina natureza e paisagens paradisíacas com a cultura maia
Por Leonardo Neves (Matéria publicada na Ed. 821 do Brasilturis Jornal em fev./19)

Ainda era cedo, mas o sol já estava alto, deixando o aeroporto de Cancún bem quente. Era esse o tão falado calor do Caribe? Em novembro, a um mês do início do inverno no Hemisfério Norte, a temperatura estava de derreter. “Aceitam água e um pano úmido?”, sugeriu o funcionário do Grand Velas dentro do veículo que faria nosso transfer. O resort foi a primeira parada do grupo na Riviera Maya e o cuidado foi essencial para nosso conforto ao longo dos 40 minutos de estrada.

Quando eu pensava nos destinos caribenhos do México, tinha uma imagem bem definida em mente. Ela era composta por grupos de jovens com, no máximo, 30 anos reunidos em praias paradisíacas ao som de música eletrônica e embalados por drinques.

É… Pode até ser o caso durante o “Spring Break”, quando os jovens norte-americanos aproveitam o período para viajar para a região, mas estávamos com a época mais fria – apesar do calor de rachar.

Ruas de Playa Del Carmen
Ruas de Playa Del Carmen

No caminho entre o aeroporto e o resort (comumente oferecido para os hóspedes de todos os resorts locais) só se via árvores de mata fechada dos dois lados. Onde estava a água cristalina e as paisagens que rendem as melhores fotos?

Não demorou para me dar conta que, talvez, as coisas seriam diferentes do que eu estava condicionado a imaginar. E isso era ótimo.

A Riviera Maya faz parte do estado de Quintana Roo, região mexicana que recebeu cerca de 300 mil viajantes brasileiros ao longo de 2018. Apesar de o índice ser superior ao registrado em 2017, ainda não é o suficiente para fazer o País alcançar o top 5 de emissores, ficando na sétima posição, atrás da Espanha.

Estados Unidos (mais de 8 milhões de visitantes), Canadá (cerca de 2 milhões), Reino Unido (450 mil), Colômbia (mais de 400 mil) e Argentina (cerca de 400 mil) compõem a maior fatia de visitantes da região.

De acordo com Lilian Zanon, brasileira e proprietária da DMC AT Travel, que oferece tours em português, os viajantes do Brasil estão voltando à Riviera Maya e 2019 promete. “Em 2018 tivemos uma baixa, mas começou os números começaram a despontar novamente no pós-eleição. Neste ano, já temos diversos grupos corporativos fechados que devem incrementar em 20% o negócio”, destacou.

Mundo Maia

A pirâmide mais alta e escalável de Cobá
A pirâmide mais alta e escalável de Cobá

Para honrar o nome da região, em praticamente todos os locais há alguma menção ou inspiração relacionada ao povo Maia, que habitou a região antes da colonização dos espanhóis.

“Eles acreditavam que a raiz da seiva era uma passagem para onde os deuses ficavam. A península inteira está coberta de cenotes, poços de água formados por rios subterrâneos onde eles acreditavam que havia entradas para este ‘infra-mundo’.”

A descrição de Jorge Ruiz, gerente de tours e viagens para a América Latina do resort Grand Velas, provava que a história não era apenas uma questão turística, mas algo intrínseco à cultura local, passada por diversas gerações entre os moradores da região.

Os melhores lugares para sentir esse clima são os sítios arqueológicos. Alfredo Curi, guia do receptivo AllTourNative faz questão de lembrar que os Maias não eram apenas nativos que faziam sacrifícios, mas um povo com habilidades muito avançadas para a época.

Cenote subterrâneo

“Eles ergueram torres de onde podiam monitorar toda a costa de Tulum, faziam desenhos simétricos em pedras, criaram um sistema que levava água para as construções mais altas, tinham conhecimento em engenharia. As pessoas precisam deixar de ver os Maias apenas como um povo que fazia sacrifícios humanos”, destacou.

O local é um prato cheio pra quem admira história, arquitetura e atividades ao ar livre. Para chegar às pirâmides de Tulum, primeiro você tem de passar por uma pequena área com lojas e lanchonetes.

Chega-se às ruínas após cerca de 10 minutos de caminhada por uma pequena estrada. O mar do Caribe ao fundo torna a passagem pelo local um dos marcos da viagem.

O ponto baixo da visita é que as pirâmides têm acesso restrito ao público geral. O que é diferente em Cobá, distante 40 minutos de carro. O local é encoberto por árvores densas e as trilhas de terra batida são caminhos retos até as principais ruínas. Quem não estiver muito a fim de caminhar pode fazer o trajeto em uma bicicleta com condutor.

A última e mais alta pirâmide maia do local pode ser escalada, mediante algum esforço físico. Virar o corpo em 180º e admirar o horizonte verde e plano, entretanto, faz tudo valer a pena.

Banquete local

Comida pronta

A dica é fazer a pausa para o almoço na modesta comunidade Tres Reyes, um pouco à frente de Cobá que atrai turistas de diferentes partes do mundo. Lá é possível provar algumas das iguarias caseiras do México, preparadas pelas famílias locais, que apostaram na parceria com a AllTourNative como uma forma de renda alternativa, por meio do turismo.

O pequeno banquete inclui arroz, feijão e tortilhas caseiras com recheios artesanais – dos mais picantes aos mais suaves – acompanhado por suco de hibisco.

A última parada é em um cenote que corre abaixo de uma caverna com morcegos. Para chegar à água, é preciso fazer uma caminhada por trilha de 10 minutos que leva a um pequeno santuário maia.

Ali, um senhor totalmente vestido de branco começa a entoar uma benção no antigo dialeto Maia. Próximo ao rio subterrâneo, pequenas construções de madeira funcionam como vestiário e guarda-volumes.

Antes de cair na água, é obrigatório tomar uma ducha gelada para retirar sujeira e suor do corpo e evitar a contaminação do cenote. Depois da passagem por uma escada de madeira, o teto escuro da caverna destaca os mamíferos voadores que fazem do local a sua casa.

O breu só não é total porque a água cristalina do cenote reflete a luz dos holofotes instalados na parte de baixo.

Parques e atrações

Braço do rio formando uma piscina para os visitantes do parque Xcaret
Braço do rio formando uma piscina para os visitantes do parque Xcaret

Outros destaques da região são os parques que formam o Experiências Xcaret. No mais antigo, o Xcaret by Mexico, há atrações mais tradicionais e relaxantes como nado em cenote, piscinas naturais formadas por braços do mar caribenho, algumas quedas d’agua e até um mini zoológico.

O local tem um plano de expansão em andamento e as novidades devem ser inauguradas até 2020.

O forte de lá é o entretenimento nas apresentações e shows. Um deles acontece dentro do maior auditório do local e conta a história do México, desde os tempos dos Maias.

O roteiro destaca, também, características marcantes das principais províncias que são contadas através de dança, acrobacias e muita música, com direito a orquestra ao vivo. Há opção de reservar um jantar especial, com preço pago à parte.

O Xenses, como o nome já indica, brinca com os sentidos. Diferentes atrações confundem até a nossa perspectiva. Estávamos subindo, descendo ou em linha reta? O truque de ilusão na área que simula um vilarejo mexicano é tão bom em entrelaçar a mente que faz perder o equilíbrio.

Uma das principais atrações do Xenses é o trajeto de 20 minutos por um caminho totalmente escuro, onde os únicos guias são sua audição e o tato.

Interior do Xplor Fuego

Já o Xplor Fuego aposta na aventura, com rios de lama, nado e remo em cavernas, tobogãs e as maiores tirolesas da região. O caminho para entrar no parque – uma descida com tochas que levam a área de recepção, dentro de uma antiga caverna – dá o tom de toda a experiência.

Um dos maiores destaques é a trilha de 30 minutos dirigindo um buggy 4×4 em um trajeto propositadamente acidentado para dar emoção e balançar mais o carro.

Artista do Cirque Du Soleil

A Riviera Maya é também casa do único show fixo do Cirque du Soleil fora dos Estados Unidos. A apresentação Joya, realizada no teatro do resort Vidanta é tão surpreendente quanto os principais shows do grupo nos EUA. A experiência VIP – opcional – começa com uma pequena apresentação de drinques.

No jantar, a apresentação dos pratos reforça a experiência com cardápio em papel comestível, uma colherada de framboesa congelada em nitrogênio, carne assada em uma bandeja que emanava uma luz laranja, e diversos doces dentro de um livro. Tudo faz parte do show.

Ao fim da viagem, a antiga imagem de Cancún já havia se dissipado. Os conceitos foram substituídos por algo ainda mais amplo. A Riviera Maya não é apenas o mar cristalino, a areia e os resorts.

O lugar tem atrativos que o tornam completo, com história, cultura e atrações que vão além de um “simples” destino de sol e praia. Quando seu passageiro reservar um roteiro para Cancún, sugira a ele encarar 40 minutos de estrada para conferir o que o local reserva. Ele poderá se surpreender.

Viagem realizada a convite da CPTM e da Copa Airlines com seguro Affinity e dados móveis Flexiroam X

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