Sede de mudança

Por Cássio Garkalns

A água é um recurso natural essencial e usá-la racionalmente significa fazê-lo de uma forma responsável e consciente, evitando os desperdícios. Idealmente isso pode ser conseguido por meio da sensibilização da população sobre o impacto de determinados padrões de consumo e da adoção de medidas que diminuam a quantidade de água necessária para uma mesma finalidade.

No setor de Turismo, pelo fato de os viajantes normalmente estarem usufruindo de um “merecido momento de descanso”, muitas vezes se dão ao direito de certas regalias negativas sob o aspecto da sustentabilidade. Como, por exemplo, tomar banhos mais demorados ou utilizar toalhas lavadas a cada novo uso.

Conseguir lidar com as necessidades de atendimento de expectativas dos visitantes e, ao mesmo tempo, assumir uma postura responsável em relação ao uso da água demanda uma série de cuidados por parte dos empresários. Nesse sentido e com o objetivo de ajudar pequenos e médios empresários das áreas de hospedagem e alimentação a dar os primeiros passos nessa direção, elenco algumas práticas simples que podem ser adotadas sem grandes investimentos:

  • Informar clientes sobre o impacto de atitudes como, por exemplo: Utilizar toalhas recém-lavadas impõe consumo de dez litros por jogo de toalhas/lavagem; escovar os dentes por cinco minutos com a torneira aberta gasta 12 litros de água, enquanto molhar a escova, fechar a torneira e enxaguar a boca com um copo de água reduz o consumo a 300 ml; Um banho de ducha por 15 minutos consome 135 litros de água, se o tempo for de sete minutos o volume diminui para 80 litros.

 

  • Implantar rotina de verificação e ajuste mensal de vazamentos, considerando que uma torneira gotejando pode chegar a um desperdício de 46 litros por dia.

 

  • Criar campanhas de comunicação e pequenas premiações para que hóspedes e funcionários estejam atentos à questão dos vazamentos.

 

  • Orientar funcionários sobre a quantidade mínima de material a ser lavado por ciclo de máquina de roupa/louças.

 

  • Estabelecer procedimentos que proíbam torneiras abertas durante todo o tempo de lavagem de louças, considerando que uma torneira comum de cozinha aberta durante um minuto permite a passagem de até 20 litros de água.

 

  • Compartilhar o monitoramento do consumo mensal por meio de registro em planilha afixada em local visível pode gerar um espírito coletivo de participação.

 

  • Utilizar chuveiros econômicos, com regulagem de pressão e arejadores podem gerar economia de água de até 60%.

 

  • Utilizar descarga econômica, pois uma bacia sanitária com sistema de válvula e tempo de acionamento de seis segundos gasta de dez a 14 litros, enquanto as com caixa acoplada gastam de cinco a seis litros por acionamento.

 

  • Otimizar sistema para manutenção de áreas externas com captação de água de chuva.

 

Somos um país abençoado pela natureza, o que dá a falsa sensação que o problema da escassez não é algo real ou de curto prazo. O preço da água mostra essa disponibilidade, já que o valor no Brasil é US$ 0,50/m3, considerado baixo quando comparado com outros países, como Japão (US$ 2,63); EUA (US$ 3,09); e Alemanha (US$5,51).

Todo processo de sensibilização e conscientização que gere mudanças de comportamento é longo e demanda estímulos contínuos. Conseguir que turistas e empresários percebam a importância do impacto de determinados padrões de consumo e da adoção de ações que diminuam a quantidade de água necessária para uma mesma finalidade é fundamental para o Turismo.

O desperdício e o uso desnecessário de água não podem estar associados à boa experiência turística. Mudanças nas expectativas e nos desejos precisam se alinhar às novas questões globais do mundo que queremos. Vamos em frente!

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