Showtime! IPW Anaheim destaca oferta dos EUA para o mundo

Edição da Califórnia reforça estratégias de promoção, revela números do turismo norte-americano e destaca novas histórias para guiar roteiros sob medida no país

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IPW de Anaheim recebeu mais de seis mil participantes de 70 países do globo

Conectar destinos dos Estados Unidos com compradores de todo o mundo é o principal
objetivo do IPW, maior vitrine do turismo norte-americano. O formato bem-sucedido permite que as reuniões extrapolem os limites do centro de convenções, com uma grande
oferta de eventos paralelos que ampliam as possibilidades de networking entre as duas pontas da cadeia.

Não foi diferente em Anaheim, cidade ao sul da Califórnia que recebeu a 51ª edição do encontro. O destino fez a lição de casa e superou as expectativas dos mais de seis mil
profissionais de 70 países que participaram da programação. A começar pela California Plaza, espaço ao ar livre onde destinos e fornecedores puderam mostrar um pouco mais do
que o Golden State tem a oferecer. As atividades incluíram café da manhã saudável, aula de ioga e happy hour com direito a participação de músicos e DJs badalados.

Roger Dow

A programação ganhou um ar californiano, que combina bem os negócios com um estilo de vida mais descontraído, mas imprime segurança na hora de endurecer o tom. Roger Dow, presidente e CEO da U.S. Travel Association, entidade que promove o IPW desde 1969, reforçou a importância do evento para a geração de negócios – a estimativa é
que as 110 mil reuniões gerem US$ 5,5 bilhões em gastos diretos com viagens aos Estados Unidos nos próximos três anos, soma que está US$ 800 milhões acima das previsões fornecidas nos últimos anos -, mas não escondeu a preocupação em relação à perda de competitividade do país.

“Quando nos encontramos no ano passado, eu falei sobre nossa perda de participação no mercado de viagens internacionais. Infelizmente ainda estamos enfrentando essa situação”, lamentou, referindo-se aos números do Departamento de Comércio dos Estados Unidos
que apontam para um aumento de 3,5% na visitação internacional em 2018 – enquanto a média global cresceu 7%. A série histórica mostra que o share dos EUA na chegada de viajantes internacionais caiu de 13,7% para 11,7% de 2015 para cá. O país recebeu, em 2018, 79,6 milhões de turistas estrangeiros, enquanto destinos líderes nesse quesito foram um pouco além – como a Espanha, que recebeu 82,6 milhões, e a França, que atraiu 90 milhões de turistas internacionais no ano passado.

Olhando o copo pelo lado “meio cheio”, o país do Tio Sam permanece em primeiro lugar em termos de receitas deixadas pelos viajantes internacionais, com US$ 256 bilhões. Na Espanha, por exemplo, o volume de gastos pelos turistas de outros países em 2018 chegou a 90 bilhões de euros (cerca de US$ 102 bilhões). “Enquanto o déficit comercial bateu
recorde de US$ 622 bilhões, a indústria de viagens teve superávit de US$ 69 bilhões. Sem a atuação desse segmento, o desempenho geral dos EUA teria sido 11% pior”, reforçou
Tori Barnes, vice-presidente executivo de Políticas Públicas da US Travel Association.

Segurança segue como prioridade

Sem apontar culpados, Dow reforçou o trabalho realizado para melhorar a visitação no país e destacou o que ainda há para ser feito. “Sei que muitos querem colocar esse resultado como legado de nosso presidente. Mas nós percorremos um longo caminho para ajudar a administração a valorizar a indústria de viagens como uma das principais geradoras de empregos e exportações para os EUA. Tive uma reunião pessoal com Donald Trump e tenho o prazer de informar que ele foi receptivo à mensagem que é possível crescer no segmento sem comprometer a segurança”, disse.

Para o CEO, as viagens têm um papel importante no fortalecimento da segurança nacional. Nesse sentido, anunciou a intenção, junto com o governo federal, de adicionar novos países ao Visa Waiver Program, ação que isenta o viajante de lazer do visto – que é substituído
por um cadastro eletrônico. Polônia e Israel foram citados como fortes candidatos; Brasil aparece na lista de destinos potenciais junto a Argentina, Costa Rica, Croácia, Romênia
e Bulgária.

Outras iniciativas são a expansão do Pre-Clearence – programa que insere estruturas de segurança comandadas por autoridades norte-americanas nos aeroportos de origem, liberando os viajantes das longas filas de imigração nos EUA –, a análise de redes sociais para os solicitantes de vistos e a aposta em biometria. “Vamos continuar a trabalhar
para implementar o rastreio biométrico em todo o sistema,” disse Dow, destacando cases positivos de adoção da tecnologia no Aeroporto Internacional de Dulles, em Washington DC, e no Aeroporto Internacional de Orlando.

Nova campanha

Em termos de promoção internacional, a Brand USA aproveitou o encontro mundial para anunciar a campanha inspiracional United Stories, com foco em relatos individuais que destacam a diversidade dos destinos norte-americanos.

Chris Thompson

Chris Thompson, CEO da Brand USA, destacou também os resultados do trabalho pelo mundo, que registrou aumento de 6,6 milhões de visitantes e trouxe mais US$ 6,2 bilhões aos cofres americanos nos últimos seis anos. O impacto total das ações é estimado em US$ 48 bilhões.

Outro ponto foi a expansão do “Hear the Music”, iniciativa que dá aos artistas de diversas cidades a possibilidade de criar novos arranjos para músicas consagradas. Dez deles criaram versões próprias para “What I Like About You” e “Boogie Shoes”, usando a música como instrumento para mostrar a diversidade cultural presente nos 50 estados
norte-americanos.

Thompson também reforçou o lançamento do terceiro filme produzido em parceria com a MacGillivray Freeman, em formato Imax. Há três anos, o cinema foi incluído entre
as plataformas para a promoção do país, com a estreia de “National Parks Adventure”. Dois anos depois, foi a vez de destacar a música como motivação de viagem ao país. Em
“America’s Musical Journey”, Aloe Blacc viaja por destinos icônicos e mostra como as diferentes vertentes da música moldaram a história e os costumes do país.

A estratégia se mostrou acertada, segundo dados de uma pesquisa realizada pela Phocuswright e pela Oxford Economics e conduzida nos mercados do Brasil, Canadá, China,
Alemanha, México e Reino Unido. O primeiro documentário atraiu 172.335 novos viajantes internacionais aos Estados Unidos e criou impacto total de US$ 1,5 bilhão na economia dos Estados Unidos.

O novo filme – que tem o título provisório de “Into America’s Wild” – estreia nas telonas em fevereiro de 2020, em Washington D.C. Patrocinado pelo grupo Expedia, o documentário passeia por paisagens históricas e trilhas desconhecidas pelo país, seguindo os passos de John Herrington, primeiro astronauta nativo americano; e Ariel Tweto, piloto
do Alasca.

A mensagem por trás do enredo é um chamado para que os viajantes se conectem com a natureza e busquem criar suas próprias histórias ao ar livre pelo país. O discurso que
guia o filme sinaliza também uma nova forma de promover os destinos norte-americanos, seguindo a tendência comportamental dos viajantes que, cada vez mais, priorizam
as experiências e destacam (e compartilham) seus momentos inesquecíveis.

Os fornecedores entenderam o recado e priorizaram, durante as reuniões de negócios, informações sobre atrativos e serviços capazes de criar memórias indeléveis na mente
dos viajantes. A próxima parada do IPW será em Las Vegas, cidade que recebe a 52ª edição da feira de negócios de 30 de maio a 3 de junho de 2020, com a expectativa de 03contar com ainda mais quartos e um novo centro de convenções.

Las Vegas não é novata na recepção do IPW. No próximo ano, será a quinta vez que o destino sedia o evento, tendo recebido delegações de todo o mundo nas edições de 1982,
1989, 2008 e, mais recentemente, 2013. O sucesso de Vegas como destino turístico, seja para lazer ou negócios, é traduzido nos números. No ano passado, a cidade recebeu 42,1 milhões de turistas, sendo 8,2 milhões de estrangeiros.

PREVISÕES PARA 2019

O início do ano registrou queda em cinco dos dez maiores emissores internacionais de
viajantes aos Estados Unidos. Os piores resultados foram registrados por México e Alemanha que, respectivamente, enviaram números 11,4% e 6,7% menores de turistas ao país entre janeiro e março na comparação com o mesmo período de 2018, segundo
dados do Departamento de Comércio dos EUA. Canadá, China e Coreia do Sul também tiveram desempenho negativo.

O Brasil cresceu 2,5% no primeiro trimestre, com a chegada de 558 mil viajantes, resultado que coloca o País na sexta colocação entre os emissores – uma posição acima em relação ao mesmo período do ano passado. Em 2018, 2,2 milhões de brasileiros chegaram aos EUA e deixaram por lá a soma de US$ 11 milhões, o que consolidou o País no sétimo lugar, tanto no ranking de emissores quanto no de receitas.

Em termos de destinos, os mais procurados pelos viajantes internacionais entre janeiro
e março deste ano foram Nova Iorque (1,26 milhão); Miami (1,24 milhão) e Los Angeles
(979 mil).

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