Todos a bordo: Hora de navegar!

Confira as expectativas para a temporada nacional de cruzeiros, sugestões de roteiros internacionais e novos navios com potencial para emplacar entre os brasileiros

cruzeiros

*Por Ana Azevedo e Felipe Lima

Os cruzeiros estão de volta! Após a interrupção inesperada, um mês antes do final da temporada 2019/2020, e da paralisação dos embarques em 2020/2021, as empresas já anunciam o retorno das operações. No Brasil, os primeiros navios começarão a zarpar no último trimestre, o que anima tanto o trade quanto os consumidores.

Na temporada 2019/2020, o segmento de cruzeiros foi responsável pela movimentação de R$ 2,24 bilhões, segundo dados registrados no estudo de perfil e impactos econômicos, desenvolvido pelo braço nacional da Associação Internacional de Cruzeiros Marítimos (Clia Brasil) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV). Apesar de ter sofrido com a redução de embarques, o período registrou crescimento de 7,6% em relação ao anterior.

“Na temporada 2019/2020 tivemos 469 mil cruzeiristas, marcando a terceira temporada de crescimento. Depois de anos perdendo navios e hóspedes, a gente teve, a partir de 2017/2018, períodos seguidos de crescimento. Em 2019/2020, a gente paralisou a operação em 19 de março, sendo que teríamos navios até meados de abril.

Perdemos um pouco, mas registramos um resultado interessante”, explica Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil. O executivo lamenta a suspensão da temporada 2020/2021, programada para zarpar com oferta de nove navios, mais de 600 mil leitos. “Os números impactariam a indústria, os destinos, as agências e a economia. Todos nós perdemos com isso”, reflete.

A boa notícia vem com o avanço do cronograma de vacinação que, combinado aos protocolos rígidos desenvolvidos pelos associados, permitem à Clia vislumbrar um cenário otimista para a próxima temporada. Resultados de uma pesquisa da Oxford Economics mostram que o segmento estará recuperado até 2024.

Abav-SP e Aviesp Clia Brasil
Marco Ferraz, presidente da Clia Brasil

“As companhias estão muito confiantes com a retomada e mantiveram o cronograma de construção dos 93 novos navios que devem entrar em operação até 2027. Hoje, temos 268 em operação”, afirma Ferraz.

Ele reforça o diálogo constante da associação com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), destacando que a situação é bem diferente da que se viu no ano passado. “A queda no número de casos no exterior permitiu a retomada na Europa, Caribe e Estados Unidos e, em breve, teremos navios aqui no Brasil. A previsão é que a gente esteja muito melhor com este avanço”, complementa.

Para que a previsão de início da temporada se confirme, é necessário que a Anvisa autorize as atividades do segmento. “A gente comunga com o mesmo propósito que é a segurança. Estamos com uma negociação muito bacana, mas tudo depende do cenário epidemiológico. Ainda temos tempo, visto que a temporada só começa em novembro, mas estamos otimistas com esse novo momento de operação no verão do hemisfério norte e pretendemos aproveitar bem o nosso verão também”, estima.

O Brasil terá sete navios, com o primeiro chegando em 31 de outubro, em Fortaleza (CE), seguindo para o sul do País para iniciar as operações. As demais embarcações chegarão até dezembro, sendo que o último aporta na costa brasileira para o cruzeiro de Natal, e todos ficam até 19 de abril.

“É uma temporada longa, com oferta de 566 mil leitos. Obviamente, ainda aguardamos a aprovação da Anvisa quanto à ocupação máxima. Na Europa, hoje, a gente opera com 70% da capacidade”, detalha Ferraz.

Na programação, serão ofertados 130 roteiros e mais de 550 escalas. O presidente da Clia Brasil lembra que, apesar de o segmento ainda ser considerado pequeno no País, os cruzeiros são relevantes para a economia e podem ser um reforço e tanto no pós-crise. A previsão é que a próxima temporada gere mais de 35 mil empregos, movimente cerca de R$ 2,5 bilhões e injete R$ 330 milhões aos cofres públicos, por meio dos impostos recolhidos.

“Além disso, é um segmento que movimenta toda a cadeia. Usamos transporte aéreo, hotelaria, receptivos, agências de viagens, guias de Turismo, restaurantes, atrações. Movimentamos todos esses segmentos e somos interdependentes. Um cruzeirista que quer fazer um roteiro partindo do Rio de Janeiro pode ir antes, se hospedar na cidade, visitar os pontos turísticos, fazer o cruzeiro, voltar e ficar um pouco mais”, complementa.

ÁGUAS PASSADAS

Marco Ferraz relembrou como o segmento lidou com os entraves provocados pelo novo coronavírus desde o início da pandemia até hoje. “Paralisamos voluntariamente no dia 13 de março e é óbvio que não se para um setor de uma hora para outra. Demoramos um mês e meio para repatriar cerca de 560 mil cruzeiristas e 250 mil tripulantes. Fretamos avião, pedimos apoio à Embaixada, abrimos fronteiras. Foi uma época de muita união e muita ajuda e essa comunicação entre a Clia e suas associadas foi muito bem feita. Temos a saúde e a segurança como prioridade e, juntos, desenvolvemos o protocolo com o auxílio de especialistas, médicos e cientistas’”, conta.

O protocolo-padrão desenvolvido é considerado bem rigoroso e supera até exigências de autoridades internacionais. Na Flórida, por exemplo, não há exigência de vacinação e Ferraz destaca que as companhias estão preparadas para receber vacinados e não vacinados.

“Entre os clientes protegidos, é possível fazer algumas flexibilizações nos protocolos, como dispensar a exigência do teste negativo para covid-19. A vacinação é um game changer e traz números positivos”, incentiva o profissional. No Brasil, a vacinação também é vista como um divisor de águas, visto que, conforme destaca o líder da Clia Brasil, resulta na queda no número de casos e no incentivo à reabertura de fronteiras.

“Os patamares estão altos e, quando caírem, demonstraremos ao mundo uma evolução. Os países vão reabrir para os brasileiros e pode ser que isso ocorra em bolhas, como na América do Sul que, com números mais baixos, pode receber os fluxos rapidamente”, pontua.

A reabertura permitirá que os brasileiros retornem aos roteiros preferenciais em águas internacionais, notadamente no Caribe e na Europa. “Considerando todos os navios do mundo, sabemos que 32% estão dedicados a roteiros pelas ilhas caribenhas e 28% ao território europeu, o que resulta em 6 a cada 10 embarcações alocadas nessas regiões”, complementa.

OPERADORAS ATENTAS

 As empresas que operam com o segmento marítimo já estão ansiosas pelo retorno efetivo dos navios aos mares, principalmente por conta da grande demanda que se apresenta conforme o cenário evolui. Isso é o que destaca João Pedro Silva, gerente-geral da Qualitours Cruises e Tours, que tem 90% dos seus roteiros internacionais e depende da abertura de fronteiras.

 “Estamos sentindo um movimento muito grande, com feedbacks de parceiros de mercado internacionais, que relatam vendas expressivas, com direito a lista de espera. Esperamos que isso ocorra também no Brasil, depois de tanto tempo de isolamento”, estima o executivo.

Apesar da alta procura, Silva destaca que ela ainda não pode ser comparada com a do cenário pré- -pandemia. “No entanto, a alta na procura de maio para cá nos deixa esperançosos e animados. De novembro de 2020 a fevereiro deste ano, a procura era gradual, mas apresenta crescimento íngreme, desde então”, conta.

A empresa optou por divulgar apenas a temporada 2022, até por conta da preocupação da mensagem que seria passada às agências parceiras. “Queremos garantir a melhor condição, algumas saídas com algum incentivo”, comenta Silva, reforçando que as empresas parceiras conseguem divulgar roteiros com o auxílio da comunicação criada pela Qualitours.

“A agência pode pegar nossos e-mails, adicionar o logo dela e fazer a divulgação”, comenta. Em março deste ano, a Qualitours promoveu o Cruise Week, evento que destacou novidades das companhias e novas ideias para o setor, sobretudo nas regiões da Antártida, Mediterrâneo e norte da Europa.

“O feedback dos agentes foi muito bom, os profissionais solicitaram material e muita cotação”, contou o gerente, adiantando que uma segunda edição está programada para acontecer na terceira semana de agosto. Dentre as apostas da Qualitour estão as embarcações Untamed Amazon e Iberostar Grand Amazon, com roteiros pelo rio Amazonas.

“A gente espera que seja uma tendência, porque são navios com poucas cabines. As pessoas não estão reticentes só por conta da covid-19, mas porque o brasileiro não pode entrar em outros países. O que existe em disponibilidade no Brasil está esgotando muito rápido”, declara Silva.

Sobre a oferta internacional, o executivo expressa otimismo em relação a roteiros e conceitos novos, em destinos importantes, como Amsterdã, na Holanda. “As companhias estão focando em exclusividade, em algo único, em uma experiência que agregue ao cliente cultura e entretenimento”, comenta.

Os roteiros de expedição compõem outra aposta da Qualitours, incluindo destinos como Galápagos, no Equador; Alasca, nos Estados Unidos, e o norte da Europa. “Nesses roteiros, uma equipe de cientistas e biólogos da equipe de exploração oferece um material muito enriquecedor e isso atrai os clientes. Entendemos que a pandemia despertou mais esse desejo nas pessoas por embarcar em cruzeiros com menos clientes”, diz Silva.

Outra empresa que já espera com otimismo a temporada de cruzeiro é a Klas Viagens. De acordo com Paula Knevitz, sócia-diretora da empresa, há um aumento considerável na procura por viagens e muitos fatores corroboram com isso. “Aqui, no Rio de Janeiro, a gente teve antecipação do calendário de vacinação e, com isso, os clientes ficaram mais confortáveis em programar suas viagens”, conta. Esse conforto, ainda de acordo com a profissional, é mais notado entre os clientes que contam com carta de crédito e querem reprogramar seus roteiros.

“Com o lançamento da temporada e a divulgação de protocolos de segurança, eles estão mais à vontade. Novos clientes que estão mais receosos, talvez por não conhecer o produto e não ter noção das restrições. É aqui que entra um trabalho bem importante das agências de viagens, que têm de informar seu cliente sobre os protocolos”, defende Paula.

 Esse trabalho de proporcionar suporte aos clientes foi uma das principais frentes de trabalho da Klas durante os primeiros meses da pandemia. A operadora dedicou um setor para realizar alterações, reagendar viagens e ficar atualizado sobre as constantes mudanças que envolviam o setor, incluindo medidas provisórias e leis criadas para o enfrentamento do período atípico.

 Além disso, a empresa se colocou à disposição para auxiliar todas as pessoas que tinham dúvidas em relação a direitos e deveres em meio aos cancelamentos. “Abrimos o canal da Klas para qualquer um, cliente ou não, que não soubesse como agir. Afinal, eram pessoas que já estavam frustradas por não realizarem seu roteiro. Não tínhamos poder, claro, mas dávamos a consultoria para que ele fosse bem atendido e tivesse seus problemas solucionados”, explica.

Com base no Rio de Janeiro e em Curitiba, os cruzeiristas da Klas costumam embarcar nos portos da capital fluminense e de Santos (SP). Quando o assunto é destino internacional, a preferência é pelo Caribe. “Estamos com algumas ofertas para Caribe, que está sendo muito bem explorado pela Copa Airlines e pela Aeromexico, mas o Panamá passou a exigir uma quarentena de três dias. É uma alternativa, mas alguns clientes não querem passar por esse período de isolamento. Há outras rotas, mas só com voos de companhias norte-americanas e os Estados Unidos não permitem entrada nem para conexão”, lamenta Paula.

Quanto aos protocolos de segurança, ela reforça a importância de estar ciente sobre os cuidados nos destinos e nos cruzeiros. “Essa tem sido a nossa principal preocupação. O time vem buscando se atualizar e as armadoras estão promovendo capacitações para ajudar a alavancar a procura pelos cruzeiros”, comenta.

 MSC: PRIMEIRA A ZARPAR

A MSC Cruzeiros foi a primeira, entre as grandes companhias de cruzeiros, a retomar a operação, em agosto do ano passado. Hoje, a armadora tem seis navios dedicados à navegação no Mediterrâneo Ocidental, Mediterrâneo Oriental e norte da Europa. Nos próximos seis meses, mais quatro embarcações devem retomar os mares da Europa e da América do Norte: MSC Seaview, MSC Seashore, MSC Divina e MSC Meraviglia. Para a América do Sul, a armadora irá operar com cinco navios, sendo quatro deles dedicados a embarques no Brasil e um na Argentina.

O destaque vai para o MSC Seaside que estreia em águas brasileiras para roteiros de seis a oito noites, com embarques em Santos, rumo ao Nordeste. MSC Preziosa partirá de Santos e do Rio de Janeiro, o MSC Splendida zarpará de Santos e MSC Sinfonia terá embarque em Itajaí (SC).

Já o MSC Orchestra está programado para atracar em Buenos Aires para receber os passageiros com destino ao litoral brasileiro. Outras novidades envolvem a ampliação na oferta do MSC Yatch Club, presente em três navios (Seaside, Preziosa e Splendida); a campanha que oferece gratuidade para o segundo hóspede; as tarifas exclusivas para profissionais de saúde da linha de frente no combate à covid-19; e desconto para clientes acima de 65 anos.

Adrian Ursilli, diretor geral da MSC (Foto: Diego Siliprando)
Adrian Ursilli, diretor geral da MSC (Foto: Diego Siliprando)

A armadora oferece, ainda, um Programa de Reservas Flexíveis, que dá tranquilidade para os cruzeiristas planejarem e, se necessário, remarcarem a viagem sem taxa extra, contanto que a solicitação seja enviada até 15 dias antes do embarque. Para que essa retomada se mostrasse efetiva, a companhia apostou na comunicação, sobretudo com os agentes de viagens, com os hóspedes e com qualquer um que tivesse interesse em reservar viagens futuras, conforme declara Adrian Ursilli, diretor geral da MSC Cruzeiros no Brasil.

“Nós atualizamos esse público sobre o processo de remarcação dos cruzeiros que foram afetados, o passo a passo da nossa retomada globalmente e também sobre o nosso abrangente e robusto protocolo de saúde e segurança global, desenvolvido para dar suporte es sencial às nossas viagens”, conta.

O profissional também destaca que, hoje,a equipe ainda trabalha com remarcações das viagens afetadas pela paralisação. Esses clientes impactados que optam por reagendar o itinerário recebem um bônus para consumo a bordo, enquanto o agente de viagens conquista 5% de comissão adicional como forma de reconhecimento pelo trabalho.

“Temos dado foco às ferramentas online e suporte, mesmo à distância, aos agentes de viagens e clientes para as remarcações, soluções de problemas e pagamento de comissões. Também realizamos constantemente lives e treinamentos, além de comunicar amplamente o nosso protocolo de saúde e segurança, implementado desde a nossa retomada na Europa no ano passado, bem como todos os detalhes sobre a nossa retomada globalmente”, destaca.

Como uma das armadoras responsáveis pela contribuição do protocolo de saúde desenvolvido em parceria com a Clia Brasil, a MSC Cruzeiros inseriu na rotina os testes swab para covid-19 para todos, antes do embarque, e faz o monitoramento contínuo, incluindo testes na metade do tempo do cruzeiro, triagem da saúde da tripulação antes do início do contrato, ao menos três exames para covid-19 com colaboradores, visitas protegidas em terra, aprimoramento da higienização, distanciamento social e uso de máscaras em áreas públicas.

Ursilli atribui o feedback positivo de cruzeiristas, tripulantes, prestadores de serviço, parceiros e comunidades onde atuam a essa soma de esforços de diferentes elos. “Nosso objetivo, além de propiciar um ambiente seguro para aqueles que estão a bordo de nossos navios, é também garantir a tranquilidade de toda a cadeia do turismo envolvida em nosso setor”, complementa.

 Com a temporada nacional se aproximando, o diretor-geral deixa claro que sua expectativa é que os brasileiros tenham momentos de alegria e de confraternização entre familiares e amigos, em meio à ampla gama de serviços, opções de entretenimento e oferta diversificada de cabines. Além disso, estima gerar grandes oportunidades de negócios para todos os agentes de viagens parceiros e nos destinos onde operam, contribuindo para a retomada do Turismo e da economia no Brasil.

“Nossa prioridade é realizar uma retomada segura, em fases, das nossas operações. Além disso, nas próximas semanas, veremos ainda mais portos e regiões reabrindo em toda a Europa, à medida que continuamos o nosso plano faseado de reinício das operações. Além dos seis navios operando na Europa, os cruzeiros no Caribe estão programados para serem retomados a partir de agosto, com mais dois navios. Na próxima temporada, teremos ainda mais navios retomando suas operações”, adianta Ursilli.

COSTA: PRONTOS PARA ZARPAR

Em novembro, o Costa Smeralda substitui o Costa Toscana para a aguardada estreia em águas brasileiras. O navio chega com uma semana de antecedência em relação ao programado e terá embarques exclusivos às segundas-feiras, em Santos e Salvador (BA), além de ofertar mais saídas. A novidade se deu pelo reposicionamento da frota em nível mundial, que também inclui a troca do Favolosa pelo Fascinosa no País.

O Costa Fascinosa é a primeira embarcação da categoria XL, com capacidade para 3,8 mil passageiros a navegar em águas sul-americanas O navio é movido a gás natural liquefeito (GNL), combustível limpo que reforça o com promisso do grupo italiano com o meio ambiente.

Dario Rustico, presidente da Costa Cruzeiros para América do Sul e Central

 “O remanejamento de embarcações era uma oportunidade que tínhamos e é ótimo termos o Smeralda navegando no Brasil, porque ele fará uma temporada um pouco mais extensa, oferecendo cruzeiro de Natal e atendendo à demanda que nos foi apresentada. De qualquer maneira, fizemos adições em todas as regiões contempladas”, pondera Dario Rustico, presidente da Costa Cruzeiros para América do Sul e Central.

O executivo reforça a importância estratégica do Brasil, dentre os países nos quais a Costa opera. “Em comparação com 2020, estamos crescendo 36%, já em análise frente à temporada de 2019, crescemos 54%. O País tem muita oportunidade para o crescimento da indústria marítima e, para isso, é preciso que haja desenvolvimento sustentável em infraestrutura pensando no futuro, ademais das oportunidades em geração de emprego”, salienta.

Dentre os destaques da temporada na América do Sul, está a demanda por Itajaí (SC), para os meses de novembro e dezembro. “Todos os dias, avaliamos os feedbacks que recebemos e buscamos como melhorar o serviço para os clientes e estamos dentro das nossas previsões. A estratégia é criar uma meta para daqui a cinco anos e, quando chegarmos lá, criaremos uma nova e assim por diante. Estamos com boas expectativas para essa temporada, baseada nas nossas análises de mercado e acreditamos que acontecerá aqui como ocorreu no resto do mundo, com a melhora do quadro epidemiológico haverá alta nas vendas”, enfatiza.

Ele também comunica a intenção de aumentar a acessibilidade e a presença de brasileiros em roteiros no exterior. “Querermos crescer exponencialmente em número de brasileiros visitando o Caribe, Dubai e o Mediterrâneo nos próximos dois a três anos”, afirma, ressaltando o norte da Europa e a Ásia como pontos ideais para se descobrir a gastronomia, cultura e história.

Se o objetivo é diversão, ele indica a América do Sul. “O Brasil ganha fácil, tem muita variedade, muitas festas. Você desfruta de verdade a vida para ser feliz”, defende. A Costa já está com dois navios em operação no exterior e vem posicionando mais dois para a retomada.

Até o início das atividades no Brasil, o grupo segue observando o mercado e as evoluções da pandemia, a fim de manter a segurança dos hóspedes e da tripulação. Em parceria com Clia, neste mês de julho, serão elaboradas as questões técnicas do protocolo de segurança marítimo nacional, com base nas ações tomadas nos Estados Unidos e Europa.

EXCLUSIVOS PARA VACINADOS

Pensando em aumentar a segurança a bordo, a Norwegian Cruise Line Holding (NCLH) estabeleceu para suas marcas que, até outubro, só permitirá o embarque às pessoas completamente imunizadas contra covid-19. A regra vale para as embarcações da Norwegian Cruise Line (NCL), Regent Seven Seas e Oceania Cruises, que também terão apoio de ferramentas tecnológicas para minimizar os contatos.

O procedimento de embarque, por exemplo, poderá ser feito com antecipação, incluindo o envio de uma selfie para identificação. Na entrada, o hóspede tem de apresentar o comprovante de vacinação e resultado negativo do teste RT-PCR. Nas dependências do navio, o uso da máscara será flexibilizado e a contratação de excursões não será mais obrigatória, permitindo ao hóspede que explore os destinos por conta própria.

Os navios operarão com 50% a 60% da capacidade de público e contarão com reforço no setor de saúde; mais enfermeiros, uma ala para isolamento, se necessário; e um profissional de saúde pública, além de parceria com hospitais, caso seja preciso desembarcar um viajante.

Norwegian - NCL
Estela Farina, diretora geral da Norwegian Cruise Lines (NCL) no Brasil

Equipados com filtro HEPA e tecnologia de vaporização para limpeza, os navios do grupo NCLH não permitirão self-service, disponibilizando um profissional para servir os hóspedes. “Estamos muito confiantes com esses protocolos e acredito que estamos agindo com muita responsabilidade, criando camadas de segurança ao pedir vacina e teste. Todas as companhias vêm agindo de maneira equilibrada. Não dava para colocar os cruzeiros em uma condição tão isolada, porque se os protocolos funcionam para hotelaria, aéreas e locação, era preciso acreditar que funcionariam também para o nosso setor”, destaca Estela Farina, diretora geral da NCLH no Brasil.

No próximo dia 25 de julho, o Norwegian Jade iniciará nas operações da NCL para a temporada de 2021. A empresa anunciou saídas adicionais de Nova York, Los Angeles e Flórida (Port Canaveral e Miami) e confirmou que Norwegian Encore substituirá o Norwegian Bliss no Alasca, partindo de Seattle, no dia 7 de agosto, e realizando escalas em Juneau, Skagway, Ketchikan e Icy Strait Point.

Com diferentes promoções para o mercado brasileiro, a companhia anuncia que estão abertas as vendas para as Bermudas, em roteiros que zarpam a partir de 26 de setembro de 2021, de Nova York, no Norwegian Breakaway. O itinerário pela Riviera Mexicana parte em 24 de outubro de 2021, de Los Angeles, a bordo do Norwegian Bliss; e a navegação no Caribe se inicia em 13 de novembro de 2021, de Port Canaveral, no Norwegian Escape.

“Eu não tenho uma estimativa para essa temporada, mas acredito que teremos uma ideia melhor dela em outubro, com o avanço da vacinação. Para 2022, estamos com uma ótima expectativa, apesar de ainda não chegarmos ao nível de 2019, que foi um ano muito bom. Temos notado alta demanda por Europa, Mediterrâneo, Ilhas Gregas e o Báltico, além de algumas reservas de grupos para o Caribe e a temporada na América do Sul, principalmente no período em que o navio retorna para a Europa”, conta.

“É uma retomada gradual, com roteiros que agradam aos brasileiros, mas eu sinto que estamos mais voltados para agendamentos de viagens em 2022. Principalmente por conta das promoções que têm funcionado, as pessoas estão vendo como benefício”, pontua Estela.

Um dos exemplos é o parcelamento de excursões terrestres em 12 vezes, medida que foi adotada em reconhecimento ao perfil do consumidor e como uma oportunidade de mostrar diferencial no mercado nacional. Em 17 de agosto de 2022, o Norwegian Prima – primeiro de seis navios da nova classe de navios da NCL – iniciará sua primeira temporada em roteiros de dez dias, saindo de Amsterdã, na Holanda, e de Copenhague, na Dinamarca.

O flagship, com capacidade para 3.215 pessoas, terá um The Haven by Norwegian, redefinido com conceito de navio dentro do navio e acesso somente com o cartão-chave. A estrutura conta com um amplo deque, piscina infinita com vista para o rastro do navio, spa ao ar livre, com sauna de paredes de vidro, e sala fria.

No itinerário, estão o norte da Europa, Reino Unido e Caribe. A Regent Seven Seas aguarda a retomada do navio Splendor, que não conseguiu completar sua temporada inaugural, iniciada no final de janeiro de 2020.Para a embarcação, que volta ao mar em 11 de setembro, está programado um itinerário de 11 noites – partindo de Southampton, na Inglaterra, para visitar destinos na Escócia, Irlanda do Norte e Irlanda.

“Eu tinha esperança que as pessoas mais velhas buscassem os cruzeiros com mais antecedência e não aconteceu, mas houve uma mudança no consumo. A Regent já tem várias saídas em lista de espera, inclusive para suítes com tamanhos maiores, mais confortáveis”, observa.

Outro destaque para 2021/2022 são as 17 novas rotas para a Europa e Caribe e o Seven Seas Grandeur, sexta embarcação da frota programada para ser entregue no quarto trimestre de 2023. A embarcação com capacidade para 750 hóspedes é gêmea do Seven Seas Explorer e do Seven Seas Splendor.

Em relação à Oceania Cruises, Estela comenta que a armadora identificou 30% das reservas originárias de novos cruzeiristas e em complementos, enquanto 20% dos passageiros mundiais optaram por estender sua viagem até um total de 218 dias em relação ao produto de volta ao mundo.

“Quando você fala de volta ao mundo em 180 dias, você vê os olhos do cruzeirista brilhando, isso entra para a lista de desejos e acho que a pandemia cerceou tanto a liberdade das pessoas, que esse item pode ter subido na lista, criando uma oportunidade de realizar sonhos”, constata.

Esperada para 2023, a embarcação Vista será o primeiro de dois navios com capacidade para 1,2 mil pessoas da Oceania Cruises. O navio tem em seu nome um conceito de observação e está sendo construída junto com seu irmão – que não foi nomeado e está previsto para estrear em 2025 – no estaleiro italiano Fincantieri.

R11 TRAVEL: BÔNUS NA REMARCAÇÃO

As representantes brasileiras de armadoras internacionais estão se preparando para a tão esperada temporada da retomada. De acordo com Ricardo Amaral, CEO da R11 Travel, o segmento vai voltar ao normal, porque as pessoas querem viajar e é uma questão de tempo para que a liberdade seja uma aliada deste movimento de vazão.

“Os cruzeiros estão de volta na Ásia, na Europa, no Caribe, no Alasca e, em breve, no Brasil. Isso cria um ânimo. Você tem voos retomando, fronteiras reabrindo e um público que anseia por este momento”, comenta o profissional, que destacou a preocupação que a representante teve em relação ao atendimento.

Ricardo Amaral, CEO da R11 Travel
Ricardo Amaral, CEO da R11 Travel

Esse trabalho envolveu a solicitação de reembolsos de clientes do Grupo Royal Caribbean, que, no Brasil, chegou a uma média de 27% – menos da metade da média global. “Os cruzeiristas queriam viajar e o quanto antes. Esse fenômeno ocorreu e conseguimos manter uma capacidade de vendas muito grande”, relembra Amaral.

Para que houvesse menor taxa de cancelamento, o CEO da R11 conta como o processo de comunicação se tornou mais ágil. “A Royal ofereceu uma proposta muito sólida de não cancelar e reservar com segurança. Além da carta de crédito, deu 25% de bônus na remarcação. Nós tivemos uma capacidade de atendimento muito rápida, um dinamismo muito grande e tínhamos de ser ágeis em traduzir e repassar informações. Hoje, chegamos à conclusão que o delay que existia antes era um desserviço”, avalia.

Com um grande número de clientes só aguardando a reabertura das fronteiras nos Estados Unidos, a R11 Travel estima que o segundo semestre já apresente clara melhora no mercado e que, a partir de 2022, o segmento volte à normalidade. “Vamos estar mais próximos do que éramos antes. Fizemos nossa lição de casa e avalio com muito otimismo esse período. Por isso, pretendemos intensificar a comunicação, além de voltar a estar presente”, conclui.

DISCOVER CRUISES: MONTANHA-RUSSA A BORDO

Representante exclusivo no Brasil das marcas Princess Cruises, Cunard Line, Holland America Line, Hurtigruten e Carnival Cruise Line, a Discover Cruises vê com otimismo as reservas para destinos como Alasca e Caribe, motivados principalmente pelos avanços no calendário de imunização.

Pablo Zabala, gerente nacional da Discover Cruises

“Houve uma retração no mercado, porque o cliente estava esperando os protocolos de segurança, mas agora com a aceleração da vacinação já estamos vendo os clientes antecipando as férias do final do ano e de 2022 para o verão europeu”, afirma Pablo Zabala, gerente nacional da empresa.

Olhando para o mercado nacional, Zabala destaca a embarcação Westerdam, da Holland Cruises, que passará por águas sul-americanas entre outubro de 2021 e março de 2022, contemplando os portos de Buenos Aires, na Argentina, até Santiago, no Chile.

Os itinerários de 14 e 16 dias vão até Ushuaia e a Antártida, respectivamente. Em 26 de setembro deste ano, a companhia lançará a embarcação Rotterdam, a terceira da classe Pinnacle, com capacidade para 2.668 hóspedes.

A saída inaugural será de Amsterdã, na Holanda, com roteiros de 14 noites por Copenhague, na Dinamarca; Warnemunde, na Alemanha; Tallinn, na Estônia; São Petersburgo, na Rússia; Helsinki, na Finlândia; Estocolmo, na Suécia; Kiel, na Alemanha; e Aarhus, na Dinamarca.

 Programado para navegar durante todo o ano, em roteiros de sete dias para o leste e oeste do Caribe, a embarcação Mardi Gras, primeira na América a navegar com gás natural liquefeito (GNL), tem sua saída programada para 31 de julho, a partir de Port Canaveral, na Flórida (EUA). Dentre as atrações está Bolt, a primeira montanha- -russa a bordo, além de mais de 12 restaurantes e da primeira versão a bordo do programa de TV “Family Feud”.

Para o embarque, a companhia exige a vacinação completa. “Esse é um lançamento importante, porque se trata de um mega navio, com 180 mil toneladas, e capacidade para mais de 6 mil passageiros. Há um parque aquático, minigolfe e quadra de esportes, atrativos que atendem ao perfil do público brasileiro que quer descontrair e viajar com a família”, ressalta.

É válido pontuar que a armadora também opera saídas de Miami e Nova Orleans, em direção ao Caribe, além de roteiros para o Havaí, Golfo do México e Alasca. A Princess Cruises está focada da divulgação de seus roteiros para o Alasca, neste mês de julho, saindo de Seattle; e para a retomada ao Caribe, além da temporada no Mediterrâneo com roteiros de 7, 14 e 21 dias, a partir do no final de 2021. A frota atual é composta por 13 navios, com previsão de mais dois para o início das atividades.

“Teremos dois lançamentos esse ano, o Enchanted Princess e o Discovery. Apesar do atraso que a pandemia causou, o programa de construção de navios da empresa continua o mesmo. A Princess é uma companhia que apresenta um lançamento por ano, além de investir em tecnologia, como o Medallion Class que está presente em todos os navios da frota e permite o pagamento sem contato, apenas por aproximação”, ressalta.

Outra novidade em termos de ferramentas digitais é o Crew Call, pelo qual o hóspede pode solicitar auxílio da tripulação por meio do aplicativo da televisão de seu quarto. Se o atendimento presencial for necessário, um funcionário é direcionado para a acomodação, melhorando a qualidade de aproveitamento do tempo a bordo.

DISNEY CRUISE LINE: ESTREIA AGUARDADA

A Disney Cruise Line vai oferecer às famílias de viajantes roteiros de 8 a 12 noite, a partir do verão norte-americano de 2022, pelas Ilhas Gregas, Mediterrâneo, norte da Europa, Alasca e Caribe. Pela primeira vez, haverá cruzeiros saindo de Miami com destino às Bahamas e Castaway Cay, a ilha privativa da companhia.

disney wish
Disney Wish

A operação vigora durante o verão no Hemisfério Norte. No Alasca, o Disney Wonder zar pa a partir de Vancouver, no Canadá, para cruzeiros de sete noites, passando por Dawes Glacier, Skagway, Juneau e Ketchikan.

Dois dos cruzeiros farão escala em Icy Strait Poin, em substituição à parada em Skagway. Em 9 de junho de 2022, o Disney Wish – embarcação temática que engloba personagens da Disney, Pixar, Marvel e Star Wars – fará sua saída inaugural em um cruzeiro de cinco noites para Nassau, nas Bahamas, com parada na ilha privativa da Disney, Castaway Cay.

A temporada se manterá com opções de três a quatro noites para os mesmos destinos, partindo de Port Canaveral, na Flórida. As reservas foram abertas para o público, em 27 de maio de 2021, para cruzeiros no Disney Wish, com saídas entre junho e setembro de 2022.

VELLE REPRESENTAÇÕES: PARCERIA NACIONAL

No braço fluvial do setor de cruzeiros, a Velle Representações destaca as marcas Amawaterways, Uniworld Boutique River Cruises e a Scenic Cruises, empresas que estão entre as preferidas dos brasileiros. Em termos de destinos, a Europa é o ponto mais badalado.

“O roteiro alto Danúbio, que vai da Alemanha até a Hungria, é o mais vendido. Há também o baixo Danúbio, percorrendo o leste europeu, a partir da Hungria até a Romênia, que está sendo muito buscado para 2022. O segundo mais comercializado é opção que vai da Holanda até a Suíça e pode ter uma variação na época da primavera, fazendo Holanda e Bélgica”, aponta Ricardo Alves, diretor-executivo da Velle.

Ricardo Alves, diretor-executivo da Velle

Ele também ressalta o roteiro pela Provença, com ênfase na culinária; e o Sena, em direção à Normandia para amantes de vinhos. Já em Portugal, o tour mais atrativo é a navegação pelo rio Douro, também conhecida pelo vinho. Com 3.530 quilômetros de comprimento, o rio Volga é a opção na Rússia e, para os amantes da Ásia, a dica é o rio Le Conde, que percorre Camboja e Vietnã. Além desses, a Velle também indica cruzeiros fluviais na China e Índia.

O portfólio crescerá com entrada das novas embarcações AmaSiena e AmaLucia, operando nos rios Reno e Danúbio, e o AmaDahlia, navegando no Egito. A Avalon, outra marca representada no Brasil pela Velle, inaugurará tours pelo rio Reno com a embarcação View, enquanto a Senic Cruises terá o iate Eclipse II como destaque.

Já a Emerald Wateways lançará o Emerald Luna nos rios Reno e Danúbio, além de incluir o Emerald Azzurra Yacht no portfólio. Por fim, a Uniworld apresenta as embarcações SS Sphinx (Egito), Mekong Jewel (rio Mekong), SS La Venezia (Itália) e o SS São Gabriel (rio Douro). A média na capacidade fica entre 100 e 150 pessoas. Para 2021, a Velle Representações evidencia a entrada das parceiras Crystal Cruises, Amazon Dolphin e Belle Amazon – esta última estreando como a primeira par ceira nacional.

“Sentíamos falta de oferecer um produto nacional, pois é uma forma de ajudar a desenvolver o setor no País. No Brasil, o produto cruzeiro fluvial ainda é muito novo e requer muito desenvolvimento, precisamos fazer o governo entender que este é um mercado importante”, ressalta.

Seguindo o conceito de volta ao mundo, a Amawaterways oferta cruzeiros de 45 e 46 noites com troca de embarcações ao longo do percurso. Para o verão europeu, a rota começa na Normandia pelo rio Sena, passa por Bordeaux e faz todo o rio Danúbio, com quatro desembarques para troca de barcos.

Na primavera, são três intercâmbios no roteiro da Provença, na França, passando pelo rio Reno, e percorrendo todo o Danúbio com o AmaMagna. “A AmaWaterways também oferece um roteiro de outono e a Uniworld disponibiliza itinerários que se iniciam no Egito. Esse formato de ligar um cruzeiro a outro já existia e, para quem não deseja passar um período tão longo a bordo, é possível combinar mais de uma opção”, comenta.

Alves elenca ainda, que os minicruzeiros estão disponíveis visando conquistar pessoas mais jovens que desejam viver a experiência a bordo, mas por um período mais curto. Olhando para o futuro, 2022 está se mostrando promissor, com a alta de brasileiros interessados em consumir o produto.

“Vínhamos em uma crescente muito boa quando a pandemia chegou. Estávamos com seis grupos e tivemos que remanejar para este ano, conseguimos também vender um grupo para outubro e esperamos que saia. Desde o começo de 2021, a maior parte das buscas de pacotes é para o ano que vem e já estamos com problemas de overbooking porque os norte-americanos compraram tudo assim que se iniciou a retomada nos Estados Unidos”, finaliza.

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