Tráfego aéreo cai mais de 74% em fevereiro na comparação ano a ano

Segundo a Iata, esse movimento foi global, com exceção da Austrália, que relaxou as restrições de voo e provou que há interesse em viajar

Tráfego aéreo

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) anunciou que o tráfego de passageiros caiu em fevereiro de 2021, em relação aos níveis pré-covid (fevereiro de 2019) e em comparação com o mês anterior (janeiro de 2021). A demanda total de viagem aérea caiu 74,7% em fevereiro de 2021 em relação a fevereiro de 2019. Esse resultado foi pior que a queda de 72,2% registrada em janeiro de 2021 em relação a janeiro de 2019.

A demanda internacional de passageiros em fevereiro de 2021 ficou 88,7% abaixo do índice de fevereiro de 2019, resultado inferior à queda de 85,7% ano a ano registrada em janeiro e o pior resultado de crescimento desde julho de 2020. O desempenho de todas as regiões piorou em relação a janeiro de 2021.

A demanda interna total caiu 51,0% em relação aos níveis pré-crise (fevereiro de 2019). Em janeiro, caiu 47,8% em relação a 2019. Isso se deve principalmente ao enfraquecimento nas viagens na China depois que o governo pediu à população que não viajasse no feriado do Ano Novo Lunar.

“Uma exceção importante foi o mercado doméstico da Austrália, onde o relaxamento das restrições nos voos domésticos resultou em aumento significativo no número de viagens. Isso mostra que as pessoas não perderam o desejo de viajar. As pessoas voarão, contanto que não enfrentem medidas de quarentena”, disse Willie Walsh, diretor geral da Iata.

As companhias aéreas da região Ásia-Pacífico relataram queda de 95,2% no tráfego de fevereiro de 2021 em relação a fevereiro de 2019, alteração mínima em relação à queda de 94,8% registrada em janeiro de 2021 em comparação com janeiro de 2019. A região continuou sofrendo as maiores quedas de tráfego pelo oitavo mês consecutivo. A capacidade caiu 87,5% e a taxa de ocupação caiu 50,0 pontos percentuais, atingindo 31,1%, a menor entre as regiões.

As companhias aéreas da Europa apresentaram queda de 89,0% no tráfego em fevereiro de 2021 em relação a fevereiro de 2019, resultado pior que a queda de 83,4% registrada em janeiro em relação a janeiro de 2019. A capacidade diminuiu 80,5% e a taxa de ocupação caiu 36,0 pontos percentuais, atingindo 46,4%.

As companhias aéreas do Oriente Médio apresentaram queda de 83,1% na demanda de fevereiro em relação a fevereiro de 2019, resultado pior que a queda de 82,1% na demanda de janeiro em relação ao mesmo mês de 2019. A capacidade caiu 68,6% e a taxa de ocupação diminuiu 33,4 pontos percentuais, atingindo 39,0%.

As companhias aéreas da América do Norte apresentaram queda de 83,1% em fevereiro em relação a fevereiro de 2019, resultado pior que a queda de 79,2% em janeiro de 2021 versus janeiro de 2019. A capacidade diminuiu 63,9% e a taxa de ocupação caiu 41,9 pontos percentuais, atingindo 36,7%.

As companhias aéreas da América Latina apresentaram queda de 83,5% na demanda de fevereiro em comparação com o mesmo mês de 2019, resultado pior do que a queda de 78,5% relatada em janeiro de 2019. A capacidade de fevereiro caiu 75,4% em relação a fevereiro de 2019 e a taxa de ocupação caiu 26,7 pontos percentuais, atingindo 54,6%, a maior entre as regiões pelo quinto mês consecutivo.

As companhias aéreas da África apresentaram queda de 68,0% em fevereiro em relação a fevereiro de 2019, o que representou um retrocesso em relação à queda de 66,1% registrada em janeiro versus janeiro de 2019. A capacidade diminuiu 54,6% em relação a fevereiro de 2019 e a taxa de ocupação caiu 20,5 pontos percentuais, atingindo 49,1%.

O tráfego doméstico de passageiros da Austrália caiu 60,5% em fevereiro em relação a fevereiro de 2019, uma melhoria significativa em comparação com a queda de 77,3% registrada em janeiro versus janeiro de 2019. Algumas restrições nas fronteiras entre os estados foram atenuadas no início de fevereiro.

O tráfego doméstico de passageiros dos Estados Unidos caiu 56,1% em fevereiro em relação a fevereiro de 2019, resultado melhor que a queda de 58,4% registrada em janeiro em relação a janeiro de 2019. A melhora foi resultado da queda nas taxas de contágio e aumento na taxa de vacinação.

Tráfego aéreo: cenário geral

“O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos declarou recentemente que as pessoas vacinadas podem viajar com segurança. Esta é uma boa notícia. Também vimos que a recente pesquisa da Oxera-Edge Health destaca a eficácia dos testes rápidos, precisos e acessíveis para COVID-19. Esses desenvolvimentos devem tranquilizar os governos de que há maneiras de gerenciar os riscos da covid-19 com eficiência sem depender de medidas de quarentena que eliminam a demanda e/ou testes de PCR demorados e de alto custo”, disse Walsh.

Ainda de acordo com o diretor geral da Iata, dois componentes precisam ser desenvolvidos com urgência para que a retomada ocorra efetivamente no segmento aéreo.   “O primeiro é a definição de padrões globais para certificados digitais de teste e/ou vacinação da covid-19. O segundo é um acordo do governo para aceitar certificados digitais. Nossas experiências até o momento mostram que os sistemas baseados em papel não são uma opção sustentável. Eles são vulneráveis a fraudes”, detalha.

O aplicativo Iata Travel Pass foi desenvolvido exatamente para atender a essa necessidade de gerenciar credenciais de saúde digitalmente. Seu primeiro teste de implementação total foi realizado em Cingapura, onde o governo já anunciou que aceitará certificados de saúde em aplicativos. Esta será uma consideração essencial para todos os governos quando estiverem prontos para reconectar suas economias com o mundo por meio de viagens aéreas.

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