Turismo brasileiro deve se concentrar no doméstico em 2022

O panorama sobre o turismo brasileiro foi apresentado durante a programação do III Fórum Nacional da Hotelaria 2021, realizado pelo Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB)

Turismo brasileiro
André Sacconato, sócio da Gouvêa Analytics e consultor da Fecomercio SP (Foto: Lucas Kina/Brasilturis Jornal)

O cenário macroeconômico se desenha de maneira ainda polarizada, com as economias de China e Estados Unidos a frente do holofote. Como parte de uma grande cadeia produtiva, o turismo entra na equação e, especificamente no segmento brasileiro, o recorte preocupa. Contudo, na visão de André Sacconato, sócio da Gouvêa Analytics e consultor da Fecomercio SP, o mercado nacional ainda terá forças em 2022 para tomar as rédeas e ser, uma vez mais, protagonista.

Sacconato elucida que todo momento de crise apresenta, no final, oportunidades. Ele exemplificou três que, em sua análise, são promissores e que podem ajudar a atividade turística em sua retomada. A primeira é, como já dito, a aposta no turismo doméstico.

“O dólar não deve baixar e o turismo se concentrará nos destinos nacionais. Além disso, a expectativa é que o Brasil fique mais atrativo aos estrangeiros, tendo em vista o preço baixo em comparação ao câmbio desta moeda e de outras, como o euro”, explicou.

A segunda e terceira oportunidade para o retorno do turismo brasileiro, respectivamente, são o uso da poupança e décimo terceiro no turismo e a perspectiva de um candidato à presidência com agenda econômica confiável.

“A situação pode virar rapidamente com propostas claras e que viabilizem uma recuperação econômica palpável”, complementa Sacconato.

A apresentação integrou a programação do III Fórum Nacional da Hotelaria 2021, realizado pelo Fórum dos Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB). Ocorrido nesta quinta-feira (18), o encontro trouxe debates sobre o cenário futuro do turismo e hotelaria no Brasil.

Turismo e economia no Brasil

Ainda de acordo com o executivo, a taxa de inflação de 10,25% até setembro, no acumulado de 12 meses, é uma visão preocupante.

Por outro lado, ele cita que é preciso que o ambiente de negócios, incluindo o turismo, entenda que esta é a realidade, pelo menos, até o final de 2022. Ter um planejamento a partir disso, entendendo o mercado doméstico como principal valor atualmente, é um caminho promissor aos moldes do momento.

“As tentativas de flexibilização no teto de gastos, com precatórios e auxílios do teto, geram efeitos negativos. Com isso, sobra ao Banco Central o trabalho ‘sujo’ de controlar a inflação em meio ao cenário de mais moedas emitidas. Por fim, ações do governo visando a estabilidade com o público eleitor podem atrapalhar o manejo de uma crise. No final das contas, a palavra da vez no Brasil e no turismo é incerteza, apesar dos paliativos”, conclui.

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