Turismo britânico apresenta novidades e destaca recorde de visitantes em 2017

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Por Camila Lucchesi, de Newcastle (Inglaterra)

O bom e velho formato de reuniões de negócios ganhou um adversário de peso durante a realização da quarta edição do Explore GB, em Newcastle. A organização do evento de promoção do turismo britânico que acontece hoje e amanhã (1 e 2 de março) não contava com a força de uma massa polar severa que vem castigando toda a Europa com temperaturas negativas nesta semana.

As consequências do contratempo meteorológico se refletiram nos números do evento: bem menor do que o realizado em Brighton, no ano passado. A neve acumulada levou ao fechamento de estradas, atrasou trens e cancelou voos, o que impossibilitou muitos dos participantes de chegar ao destino localizado no Nordeste da Inglaterra.

A edição 2018 reuniu cerca de 600 convidados – cerca de 40% a menos do que no ano anterior -, entre fornecedores locais e compradores de 29 países. Do Brasil, participam Ana Taquecita (New Age); Andre Koloszwa (Grupo BRT); Bruna Basile (55 Destinos); Cintia Damasceno (Queensberry); Diogo Racanicchi (Flytour Viagens); Elisa Horter (Europlus) Flávia Santos (Teresa Perez); Marcelo Cukierkon (Bon Voyage); Paulo Pimentel (Soul Traveler) e Simone Pantoja (Porfolio Travel Solutions). Com integrantes vindos de Curitiba (PR), Porto Alegre (RS), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP), o grupo é liderado por Priscila Moraes, responsável pela comunicação e pelo marketing B2B do Visit Britain no País.

Crescimento constante

Entre hoje a amanhã, o Metro Radio Arena será cenário para 32 mil reuniões entre as duas pontas da cadeia – em 2017, foram 41 mil. Quem conseguiu chegar, ouviu boas histórias e grandes notícias sobre o turismo local. Richard Nicholls, chefe do departamento de Pesquisas e Previsões do Visit Britain comemorou a chegada de 39,9 milhões de visitantes internacionais em 2017, crescimento de 6% em relação ao ano anterior. Em 2016, o turismo da Grã Bretanha já havia registrado o número recorde de 37,4 milhões de turistas. Em termos de gastos, o resultado do ano passado chegou a 25,1 bilhões de Libras (R$ 112,5 bilhões), o que representa 12% a mais na comparação com 2016.

A grande maioria dos turistas que desembarcam em um dos aeroportos do Reino Unido e da Irlanda vem da Europa. Em 2017, 23.7 milhões de europeus visitaram algum destino britânico, com a vizinha França liderando o ranking com pouco mais de 4 milhões. Em seguida vêm Estados Unidos (3,4 milhões), Alemanha (3,3 milhões), Irlanda (2,9 milhões) e Espanha (2,4 milhões). Em termos de gastos, os EUA ficam no topo com mais do que o dobro do valor registrado pela Alemanha, segunda colocada (3,3 milhões x 1,5 milhões). A França vem em terceiro, com gasto médio de 1,4 milhões de Libras.

Se levarmos em conta o percentual de crescimento, a medalha de ouro vai para a Rússia, com 44% de aumento, chegando a 166 mil turistas. O Brasil fica em segundo lugar, com 199 mil desembarques, o que equivale a 37% a mais do que o registrado em 2016. A China fica na terceira posição, com 33% de crescimento e 268 mil entradas. Todos os números se referem ao período entre janeiro e setembro.

Analisando os dados pela perspectiva inversa, a Escócia foi a mais procurada pelos viajantes internacionais. Foram registrados 2,6 milhões de desembarques, o que significa 14% de aumento na comparação com 2016. Londres seguiu a média do Reino Unido e cresceu 7%, chegando a 15,1 milhões de entradas.

As projeções do Visit Britain apontam para um novo recorde em 2018, quando o número de visitantes estrangeiros deve chegar a 41,7 milhões – 4,4% mais do que em 2017. Já o gasto desses turistas no Reino Unido deverá atingir 26,9 bilhões de Libras, um aumento de 6,8% na comparação com o ano passado. O impacto do turismo para a economia britânica é de 127 bilhões de Libras.

Viajante como protagonista

Durante o discurso de abertura na manhã de hoje (1/3), Carol Dray, diretora comercial do Visit Britain e Visit England enfatizou o objetivo da campanha de marketing ‘I travel for…’ (Eu viajo por…), lançada no início de fevereiro. A plataforma segue a mesma linha de sua antecessora – intitulada OMGB/’Oh My GB’ em uma alusão a OMG/ ‘Oh My God’ – visando mostrar que a Grã Bretanha é o destino certo para viver momentos incríveis. “Queremos descobrir o que motiva as pessoas a viajar, ressaltando que cada um irá encontrar a ‘sua’ Grã Bretanha”, resumiu Carol.

A nova campanha segue o conceito de surpreender o visitante com a diversidade de opções, mas inclui um elemento-chave: a possibilidade de personalização. “As pessoas viajam por história, cultura, natureza, música, comida. E essa é a grande sacada dessa ferramenta, ela está centrada no viajante. Não há ninguém determinando onde ele deve ir e o que deve fazer, mas existem muitas possibilidades, incluindo atividades que não são tão conhecidas”, explicou Sally Balcombe, CEO do Visit Britain, em entrevista ao Brasilturis. “Se você viaja por cultura, teremos os museus tradicionais e também as novas galerias de arte contemporânea”, completou.

E novidade é o que não falta à Grã Bretanha. Na tarde de hoje, representantes dos escritórios parceiros do Visit Britain revelaram dados sobre aberturas recentes e projetos futuros para a imprensa presente ao evento. Na Escócia, a data mais aguardada é 15 de setembro, quando o Victoria&Albert, tradicional museu londrino, abrirá sua primeira filial na cidade de Dundee, a uma hora de Edimburgo.

“Chegou o momento do renascimento de Dundee”, comemorou Rona Wallace, executiva do Visit Scotland. O empreendimento fica às margens do rio Tay e se destaca pela arquitetura, com projeto assinado pelo escritório japonês Kengo Kuma – responsável também pelo estádio construído para os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020. Rona também destacou a abertura de três novas rotas turísticas pelo Nordeste do país e a remodelação e ampliação de Moat Brae, na cidade de Dumfries, local que inspirou J.M. Barrie a criar a Terra do Nunca de Peter Pan.

Eimear Callaghan apresentou as novidades da Irlanda do Norte e comemorou o crescimento do número de visitantes, puxado por dois temas em especial: Game of Thrones e Titanic. A série da HBO exibe os cenários de 26 atrativos localizados no país – todos sinalizados com painéis interpretativos que exibem as imagens da ficção – e o museu dedicado ao navio que sofreu a conhecida tragédia são os campeões de procura.

O aumento do interesse é comprovado com a grande expansão hoteleira noticiada pela executiva. Até o fim de 2018, mil novos quartos serão abertos em novos hotéis ou por meio da expansão de empreendimentos já existentes. “Teremos 10 mil quartos até 2020”, disse. O investimento para os próximos três anos é de 500 milhões de Libras.

Rob Jones, do Visit Wales, destacou a abertura de três novas rotas turísticas nacionais que percorrem regiões diferentes e proporcionam experiências variadas. “É possível percorrer apenas uma ou combinar as três”, disse. Segundo o executivo, 2018 será o Ano do Mar, com o objetivo de celebrar a costa épica com extensão de 1.400 quilômetros.

“Em 2019 iremos celebrar o Ano das Descobertas, o que nos permitirá trabalhar com muitas possibilidades em termos de gastronomia, cultura, lendas… Há muito para se descobrir em Wales”, disse. O destino cresceu 6% em visitação internacional na comparação entre 2017 e 2016, chegando a 909 mil visitantes.

Entre as diversas novidades apresentadas, Andrew Stokes, diretor do Visit England, destacou a criação de quatro novos itinerários temáticos: Costa da Inglaterra; Londres e a Inglaterra Cultural; Leste da Inglaterra; e Inglaterra de Bicicleta. Segundo ele, todos devem estar nas prateleiras até o fim deste ano. Ele também enfatizou

Legado do Norte

Outro ponto reforçado durante a programação foi a realização da Great Exhibition of the North (Grande Exposição do Norte, em tradução livre). O evento terá 80 dias de duração, com abertura marcada para 22 de junho, um dia após o início do verão no Hemisfério Norte. A ideia é celebrar a arte, a cultura, o design e a inovação do norte da Inglaterra e, segundo dados da organização, são esperados 3 milhões de visitantes – 2 milhões de habitantes da região e 1 milhão de fora.

Newcastle-Gateshead foi escolhida anfitriã em 2016 e teve 15 meses para desenvolver o programa, revelado em 27 de fevereiro. As atividades acontecerão em 30 locais espalhados pelas duas cidades que são separadas apenas pelo rio Tyne e três rotas que conectam os atrativos (Trilha da Inovação, da Arte e do Design). Entre os objetos expostos, Sarah Stewart, diretora de NewcastleGateshead Initiative, destacou Stevenson Rocket (locomotiva a vapor construída em 1829) e o piano no qual John Lennon compôs ‘Imagine’, uma de suas canções mais famosas.

Viagem a convite do Visit Britain, com seguro-viagem Affinity

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