Turismo de luxo representa US$1,54 trilhões para o mercado global

Segundo o WTTC, o turismo de luxo é responsável pela movimentação de 1,54 trilhões de dólares anualmente, além de gerar 62 mil empregos globalmente e reforçar o cuidado e preservação com o meio ambiente

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Fórum BLTA discute papel do turismo de luxo no mercado global

Nesta quarta-feira (28), durante o Fórum BLTA, Glória Guevarra, presidente World Travel & Tourism Council (WTTC) ressaltou a movimentação de U$D 1,54 trilhões do turismo de luxo dentro do mercado global. O setor foi responsável também por gerar 330 milhões de empregos, se tornando segundo a executiva, responsável pela criação de uma a cada quatro vagas em comparação com os demais segmentos.

“Há 30 anos observamos as movimentações de mercado de 175 países e por isso, podemos afirmar que nos últimos nove anos, o Turismo tem excedido o crescimento do PIB global. Em 2019, o setor cresceu 3,5% em comparação com o PIB mundial que chegou a 2,5%”, afirma Gloria.

Mercado resiliente

Com a pandemia de covid-19, o mercado turístico sofreu a perda de 197,5 milhões em vagas trabalho e $5,543 bilhões no faturamento. Conforme a executiva, esta é uma das esferas que mais se abala com as crises sanitárias, financeiras e de segurança.

“Estamos vivendo uma crise sem precedentes e para sair dela é imprescindível o trabalho em conjunto. Entre 2001 e 2018, o Turismo enfrentou 90 crises. Com elas aprendemos sobre a relevância da colaboração entre o setor público e privado, a construção de uma jornada fluída, implementação de protocolos padrões globais e adaptação a novas tecnologias”, afirma.

Dos 90 tipos de crise, 36% correspondem a desastres naturais 32% estão relacionadas ao terrorismo e questões de segurança, 19% são oriundas de instabilidades políticas e 13% provém de doenças e epidemias. Dentre os casos enfrentados, os ataques de 11 de setembro e a crise financeira de 2009 estão entre os de maior impactos.

Estratégia e recuperação

Guevaraa ressalta que o WTTC foi convidado pelo G20 para colaborar em uma estratégia internacional de recuperação de 100 milhões de postos de emprego, a fim de impulsionar a economia. Dentre os aspectos trabalhados está a reabertura das fronteiras e remoção de barreiras para as viagens, o estabelecimento global de diretrizes para a testagem pré-embarque para covid-19, com quarentena somente para resultados positivos, criação de corredores aéreos entre destinos economicamente relevantes, e após a liberação da vacina, a criação de um selo informativo para os viajantes consultarem as especificidades, atualizações e exigências de cada país.

Luxo e negócios

O plano ainda inclui a adoção de protocolos sanitários globais com instruções para a população e apoio governamental aos empreendimentos, com incentivos fiscais, liquidez e proteção aos trabalhadores. “Temos que aprender a coexistir com esse vírus. Podemos conter os contágios, salvar vidas e ao mesmo tempo promover viagens sustentáveis. As viagens transformam e nos ajudam a enfatizar a importância com o meio ambiente e a desenvolver a economia”, enfatiza.

Ainda de acordo com o WTTC, os gastos em viagens de negócios em 2019, representou 21,4% do total, ou 1,26 bilhões de dólares. O segmento teve alta de 2,8% em comparação aos 2,5% da economia total. “A indústria de negócios está se recuperando, a China por exemplo, está em funcionamento com protocolos de segurança e já é possível realizar convenções e eventos. As viagens de negócios permitem que haja mais viagens de lazer. Nesse setor, as viagens de luxo são as primeiras que estão retornando, o que é muito bom, porque causam um impacto positivo nas comunidades”, declara.

Diamante Bruto

No Brasil, o Turismo representa 7,4 milhões de empregos. Em 2019, o PIB do segmento fechou em 7,7%, com alta de 3% em comparação com o 1,2% do PIB nacional. Na análise do WTTC, os gastos com turismo de negócios correspondem a 11%, lazer 89%, doméstico 94% e internacional 6%.

No último ano, conforme Vinicius Lummertz, secretário de Turismo do de São Paulo, só a capital paulista apresentou elevação de 5% na economia, além do incremento de 700 voos, números que representam os investimentos públicos na fomentação da atividade estadual.

“Os economistas continuam vendo a economia como o setor primário secundário e terciário e não enxergando que o turismo movimenta todos eles. A nossa agenda em São Paulo está voltada para trabalhar essa abertura. Estamos fazendo ações de recuperação do centro, abrindo as rotas cênicas e gastronômicas, operando o Plano de Reabertura, que diferente dos países lá fora, não teve recuo, promovendo o Vale do Ribeira e agora, receberemos um aporte de R$500 milhões para a execução de novos projetos do Desenvolve SP”, aponta.

Seguindo essa linha, o secretário divulga a existência de um plano para elevar a potência do Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas. “Temos uma grande projeção para o crescimento do aeroporto de Viracopos que está mudando a dinâmica da sua privatização. O primeiro destino turístico vai nascer ali por Itupeva, perto do Hopi Hari, sei que não é atração de luxo, mas dado a localização privilegiada para os atrativos e conexões, será muito bem valorizado”, afirma.  

A respeito do potencial nacional para o turismo de Luxo, Vinicius enfatiza as opções termais e bem-estar, dois aspectos que fazem parte dos pilares do segmento, além da criação de uma estratégia que visa a captação de investimentos por parte de empresas estrangeiras para a exploração do wellness.  

“Nesse período, podemos aproveitar para divulgar o turismo de luxo, com a criação de mais pacotes não só em São Paulo, mas no país inteiro. Acredito que essa é a hora deste segmento e do turismo de terrestre ganhar um novo patamar. O turismo de luxo representa 3% do volume de turistas, mas é responsável por 25% do faturamento”, evidencia.

O secretário aborda ainda a melhoria da infraestrutura, privatização de aeroporto, reforço da malha aérea e necessidade de melhorar a imagem negativa do país no exterior, em prol da captação de turistas e investidores. “Temos muita coisa a fazer e um grande potencial, um exemplo é que o valor dedicado ao investimento do PIB nacional é de apenas 15%. Em termos de melhorias, acreditamos que temos a capacidade de criar um mix de marcas nacionais e internacionais para elevar o turismo de luxo no país. Não só precisamos de investimentos, mas também encontrar meios para elevar a produtividade” informa.

Gloria finaliza o painel endossando a fala do secretário: “acredito que o Brasil tem um grande potencial e o considero um diamante bruto, mas que está se saindo bem com a entrada no turismo de luxo. Nesse quesito é importante que o crescimento seja acompanhado da valorização às comunidades”.

Conceitos de Luxo

Autenticidade, diversidade e sustentabilidade são as três palavras usadas por Melissa Oliveira, vice-presidente da BLTA para definir o turismo de luxo. De acordo com a executiva, o viajante deste mercado é exigente, viajado, culturalmente rico e curioso, sempre em busca de novas vivências, além de valorizar a preservação ambiental e o contato com as culturas dos locais onde visita.

Em números, o faturamento total de membros da BLTA é de 1,2 bilhões, com 615,726 mil viajantes. A comparação entre 2018 e 2019 mostra alta de seis novos destinos, chegando ao total de 34 no Brasil. “O turismo de luxo não só gera emprego com remuneração mais alta, ele leva oportunidade de trabalho para regiões remotas do Brasil, cria mídia espontânea e promove a conscientização ambiental além da sensação de identificação e pertencimento cultural nos jovens”, dispara Martin Frankenberg, presidente da BLTA.

As tendências apresentadas sobre o comportamento do visitante indicam a busca por serviços que promovam o autoconhecimento, bem-estar, contato com a natureza, exclusividade, cultura, imersão e conforto nas acomodações. A bancada que contou também com a participação de Simone Scorsato, diretora da BLTA abordou os desafios do setor no país, os quais estão relacionados à falta de políticas públicas para o turismo de luxo; disponibilidade da malha aérea; qualificação de mão de obra; falta de segurança civil e capacidade de fornecedores receptivos, vendedores, produtores e empresas de transporte.

A BLTA ressalta o envolvimento com projetos sociais e de preservação ao meio ambiente, além dos 72 mil hectares de área preservada englobando a Amazônia, Pantanal e a Mata Atlântica. No contexto da pandemia, foram promovidas ações de apoio às comunidades no entorno dos empreendimentos associados. “Um dos aspectos que já era importante no período pré-pandemia e agora sentimos que será essencial é o contato com o ser humano, a mão de obra humana, além da busca pela natureza e experiências cada vez mais exclusivas”, afirma Melissa.


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