Turismo e um mundo melhor

Por Cassio Garkalns

A responsabilidade social de uma empresa envolve a capacidade de ouvir os interesses das diferentes partes interessadas (acionistas, funcionários, prestadores de serviço, fornecedores, consumidores, comunidade, governo e sociedade) e conseguir incorporá-los no planejamento e na execução de suas atividades, buscando atender às demandas de todos.

Como já abordei anteriormente nesta coluna, a sociedade está em um momento de intensa transformação durante a qual valores e princípios como ética, compromisso, engajamento e reputação passam a fazer parte da agenda diária de pequenas e grandes empresas, em um ambiente de negócios fortemente influenciado pela mídia e por um posicionamento cada vez mais incisivo e consciente dos consumidores.

Mais do que “dizer” o que deveria ser feito, as empresas precisam “ser” e “fazer” o certo, e a responsabilidade social empresarial representa essa postura. No Turismo, área em que o relacionamento produtor-consumidor está permeado por vivências, expectativas e sonhos, esse contexto torna-se ainda mais importante e parte integrante do próprio negócio. Não importa qual é o tamanho do empreendimento e, sim, sua disposição em aderir à causa da responsabilidade social.

Algumas estratégias simples podem ser eficazes na implementação de boas práticas:
  • Desenvolver ou participar de um programa de responsabilidade social. Não importa se é um projeto próprio ou o apoio a algum já em desenvolvimento na região, o importante é incorporar à filosofia e à essência da empresa a vontade de contribuir para com o desenvolvimento regional, passando a implementar atividades que sejam atreladas ao conceito do negócio e contribuam para um futuro melhor. Além disso, um projeto social ou ambiental ajuda no fortalecimento das relações pessoais entre os funcionários e cria uma motivação adicional para as pessoas engajadas. Comece com algo simples, preferencialmente envolvendo os funcionários e colaboradores como um concurso interno de ideias de projetos a serem desenvolvidos pelo grupo.
  • Divulgar dicas de comportamento sustentável e responsável em seu website e no estabelecimento, o que pode contribuir para o posicionamento do empreendimento e, ao mesmo tempo, ajudar na orientação aos hóspedes/clientes sobre o consumo sustentável.
  • Priorizar a contratação de pessoas da comunidade local. Quem trabalha perto de casa gasta menos tempo se deslocando e, consequentemente, fica mais tranquilo e produz melhor. A distância menor entre casa e trabalho também pode ser de grande importância na área do Turismo, em que uma demanda maior do que a planejada pode impor a necessidade de envolvimento de pessoas fora da escala programada. Principalmente quando se trata de empreendimentos turísticos em regiões mais afastadas, a contratação de pessoas locais pode ser uma opção importante para estimular o desenvolvimento regional, dando oportunidade de trabalho para as comunidades próximas.
  • Incluir pelo menos dois produtos orgânicos regionais, devidamente sinalizados, no café da manhã (para hotéis) ou um prato do cardápio (para restaurantes). Isso cria uma identidade com a região em que o estabelecimento está inserido, ajudando na sua diferenciação, abre a possibilidade de atendimento a clientes que apreciam esse tipo de alimentação e sinaliza aos fornecedores a possibilidade de plantio sem o uso de agrotóxicos e a existência de mercado.
  • Incluir em sua política de contratações a inserção de pessoas portadoras de necessidades especiais. Embora a obrigatoriedade legal seja aplicada apenas a empresas com cem ou mais empregados, a criação dessa oportunidade em empresas menores pode ser uma chance muito importante para pessoas que, principalmente longe dos grandes centros, não recebem muitas ofertas. Além disso, trata-se de uma atitude inclusiva e um ótimo exemplo para a região, considerando que determinadas deficiências não têm qualquer tipo de impacto no desempenho do profissional.

Atitudes simples, mas com um grande potencial transformador. Vamos em frente!

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