Turismo LGBT na maturidade: Viajantes 60+ querem opções

Painel faz parte da programação do Fórum de Turismo LGBT do Brasil; amanhã o debate terá foco em Diversidade e Inclusão

turismo LGBT na maturidade (Large)
Clóvis Casemiro, Alex Bernardes, Cida Araújo e Rogério Pedro

Depois de debater a participação de profissionais LGBTQIA+ no segmento Mice (Meetings, Incentives, Conferences & Exhibitions), a quarta edição do Fórum de Turismo LGBT do Brasil deu voz a uma parcela dessa população que costuma ser deixada de lado na promoção: a melhor idade.

A Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que o planeta terá mais de 2 bilhões de pessoas acima dos 60 anos até 2050 – em 2015, eram 900 milhões. Uma pesquisa realizada em 2019 delineou quem faz parte da geração prateada no Brasil e constatou que, em 2030, o número de idosos será maior do que o de crianças e jovens de até 14 anos. Em 2050, a tendência é que o País seja o mais velho do mundo, com 68,1 milhões de habitantes 60+.

Isso se deve ao fato de que as mulheres de hoje têm menos filhos do que nas décadas passadas. Entretanto, assim como o cenário de natalidade no País difere do passado, a chamada terceira idade também mudou. Hoje, idosos estão em universidades, participam ativamente das redes sociais – inclusive as focadas em relacionamentos afetivos –, têm tempo e poder de compra considerável.

Essa combinação de fatores começou a chamar a atenção para a Economia Prateada, soma de atividades econômicas dessa parcela da população. A movimentação anual é estimada em US$ 7,1 trilhões! Mas como ficam os idosos LGBTQIA+ nesse contexto? O painel mediado por Clóvis Casemiro, coordenador Brasil da Associação Internacional de Turismo LGBT (IGLTA), trouxe muita informação para quem pensa em desenvolver opções para viagens à melhor idade LGBT.

Cida Araújo, empreendedora e promoter, é um exemplo claro da mudança no perfil da chamada terceira idade. Um dos nomes mais conhecidos na noite LGBT brasileira, ela caminha de 10 km a 20 km, mantém uma dieta equilibrada durante a semana e reserva o fim de semana para badalar pela noite paulistana. Aos 69 anos, comemora o avanço em termos de visibilidade e proteção. “Nós colocamos a cara a tapa e a nova geração não vai ter parte dos problemas que enfrentamos. Para viajar com a companheira era preciso fazer tudo muito escondido; a liberdade era limitada às quatro paredes no hotel”, defende.

Faltam opções

Ela enxerga que a legislação específica contra homofobia teve papel importante, aliada à visão que passou a ser orientada aos negócios. “O leque se abriu para tudo: bares, restaurantes e turismo. Mas ainda há pouca divulgação de opções para viagens LGBT no Brasil”, pontua. Casemiro explica que há mais opções para gays do que para lésbicas, o que cria muitas oportunidades para o mercado. “É preciso fazer um trabalho de acolhimento porque as mulheres são mais escondidinhas. Mas adoram viajar, quem não gosta?”, questiona.

À frente da ONG Eternamente Sou, centro de referência e convivência para idosos LGBT, Rogério Pedro lamenta a falta de atenção em relação ao processo de envelhecimento dessa parcela da população – especialmente entre trans e travestis. “A falta de políticas públicas específicas para idosos e as lacunas na militância do próprio segmento faz com que essas pessoas ‘voltem para o armário’ depois dos 50 anos e descontruam sua identidade”, explica.

Poucos destinos se promovem para esse público ou inserem personagens idosos em suas campanhas de promoção e marketing. Exceção à regra, Portugal contempla essa parcela da população no vídeo Proudly Portugal, exibido durante a transmissão do painel como um ponto fora da curva nesse sentido. A opinião dos painelistas é que toda a cadeia deve se engajar para abrir o mercado para a terceira idade: de companhias aéreas aos atrativos, passando pelas redes hoteleiras.

Além disso, é urgente que a sociedade e que a própria comunidade LGBT passem por um processo de reeducação em relação a questões do envelhecimento, incluindo pessoas de diversas faixas etárias para um debate intergeracional. “A Eternamente Sou recebe 900 idosos e há um mix grande de perfis. Tem quem goste de sair e os que só querem o sossego do hotel”, revela Rogério.

Visão dos idosos

Ele questionou parte dos idosos que frequentam as casas em São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis (SC) sobre a visão deles em relação às viagens. “Eles se limitam porque não sentem que as pessoas têm preocupação com questões específicas, como restrições alimentares e limitações físicas. É preciso pensar em adaptações”, defende Rogério. Cida completa com uma solicitação especial. “Sinto que as mulheres teriam mais segurança se houvesse um médico ou enfermeiro acompanhando o grupo, ainda que isso onere o valor do pacote. Pode ser um opcional”, sugere.

Para quem não conseguiu assistir, a organização do evento informa que o painel está disponível, na íntegra, no canal do Brasilturis Jornal no YouTube. O link de direcionamento está no final desta matéria. O conteúdo foi gravado no estúdio do hotel, em formato HD e com suporte técnico da R1 Soluções Audiovisuais, para garantir qualidade e evitar eventuais problemas relacionados às transmissões ao vivo.

Raffaele Cecere, CEO do grupo R1, reforça o apoio das empresas à diversidade. “É um tema que faz parte do nosso dia a dia, deveria ser tratado como simples e natural, como de fato é”, defende. Apoiando o Fórum de Turismo LGBT do Brasil desde a primeira edição, em 2017, a R1 é referência na produção de eventos no País e oferece uma série de opções para esse momento. As possibilidades vão de filmagens com chroma key até realidade aumentada e QR Code, sempre com o suporte de uma equipe profissional e preparada.

Edição 2020

Com conteúdo programado para a semana toda, o Fórum de Turismo LGBT do Brasil segue com inscrições abertas, diretamente no portal. O evento tem patrocínios da R1 Soluções Audiovisuais, Hotel Pullman Vila Olímpia, Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, ProColombia, Greater Miami Convention & Visitors Bureau, Hertz Rent a Car e CC Hotels, entre outros, além do apoio institucional da Associação Internacional de Turismo LGBT (IGLTA) e da Abav São Paulo.

Agenda da semana

  • 25/11: Diversidade LGBT no Turismo
  • 26/11: Políticas Públicas
  • 27/11: Marcas Com Propósito Social

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