Turismo… O que é o que é?

No início do século 19, turismo se referia à pratica do ‘touring’; de viajar por prazer. A definição era utilizada, geralmente, de forma depreciativa

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Turismo é uma palavra mágica, usada, pronunciada, aplicada e discutida por milhões de seres humanos nos quatro cantos do mundo e, mesmo assim, não parece, ainda, ter encontrado seu significado global e definitivo. E, muito provavelmente, dificilmente encontrará este significado pela simples razão de que todas as definições, sugeridas até hoje, não são nem certas, nem tampouco erradas – todas dependerão de um ponto de vista.

Milhões de pessoas falam de turismo em todas as línguas, cada qual vendo ou sentindo o fenômeno do seu jeito, naquela hora, e de outro jeito em distinta ocasião. Todos sabem o que querem dizer e, ao mesmo tempo, sem saber como explicar as diferentes facetas deste simples vocábulo. Para chegar ao seu significado, muitos se preocuparam em saber qual a origem da palavra para, depois, de forma um tanto obstinada, tentar construir uma ponte entre esta origem e o sentido contemporâneo da mesma.

No início do século 19, turismo se referia à pratica do “touring”; de viajar por prazer – a definição era utilizada, geralmente, de forma depreciativa. Turista, por sua vez, era aquele que efetua um “tour”  por motivos de recreação; quem viaja por prazer, lazer ou cultura, visitando um número de lugares por seus objetos de interesse, por seus cenários ou por outros motivos.

Muitos acreditam que a palavra “tour” precede o inglês do século 18 como galicismo do francês “tour” (torre). O pensador Arthur Haulot apresentou a possibilidade de uma origem hebraica quando menciona a própria Bíblia (Números, capítulo 13, versículo 17) que conta a atuação de Moisés quando este envia um grupo de representantes ao país de Canaã para uma “visita” a fim de receber, posteriormente, informações sobre as condições topográficas, demográficas e agrícolas da região.

Tur” é hebraico antigo (e já não existe no hebraico moderno) e correspondia ao conceito de “viagem de descoberta, reconhecimento e/ou exploração”.

Outros pesquisaram o termo “tornus” (em latim) que poderia dar a conotação de  “giro” ou, talvez, de uma viagem “circular” (de volta ao ponto de origem), possibilitando a raiz do verbo “tornare” (tornear ou  “girar”).

Segundo o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, a palavra turismo é uma adaptação do inglês “tourism”, através do francês “tourisme”. O verbete teria sido introduzido na língua portuguesa apenas no século 20. Sua definição oficial, de acordo com o dicionário Aurélio, nos diz que o termo se refere a “uma viagem ou excursão, feita por prazer, a locais que despertem interesse ou, até, ao conjunto de serviços necessários para atrair àqueles que fazem turismo (e dispensar-lhes atendimento por meio de provisão de itinerários, guias, acomodações, transporte, etc.) como, também, o próprio movimento de turistas”.

Análises complementares vão além da raiz etimológica e das definições acima expostas verificando que, mais do que um excepcional vocábulo, turismo expressa uma centena de conceitos que se entrelaçam e se cruzam para se reencontrarem num ponto especifico à conjuntura da referência desejada.

Existem conceitos ainda não estabelecidos. Para muitos, turismo é também “viajar” entre novas culturas, costumes, povos, pensamentos, etc. “Viajar para a Grécia”, por exemplo, poderia se constituir no ato de saborear um prato de “moussaka”, apreciando um delicioso “ouzo”, vibrar com o som do “bouzouki” e dançar como no filme “Zorba”. Tudo isso no restaurante típico em frente de nossa própria casa.

Nem todos se preocupam em enquadrar o fenômeno dentro de padrões econômicos ou, mesmo, na necessária deslocação física do núcleo de residência para outro. Há, ainda, indivíduos que partem para o absurdo, afirmando: Lendo Pearl Buck, posso “viajar” e me “deslocar” até os mais remotos cantos da China e “viver”, “passear”, “ver”, “conhecer” seus encantos, sua gente, sua terra, seus costumes, suas tradições, etc.  O fator econômico seria, neste caso, totalmente esquecido mas o turismo estaria presente através deste particular ponto de vista.

Talvez seja melhor entender o conceito de “fazer turismo” como a visitação a um núcleo, sem permanecer para residir neste último, não importando os motivos e/ou as razões desta mesma visita. Turista corresponderia, assim, à denominação da pessoa que pratica turismo e/ou que conjuga, de fato e de direito, o verbo “turistar” (que já existe como gíria, mas ainda não é parte formal de nosso rico vocabulário).

Em tempo, lembro que o sufixo “tour” (de “tourism” em inglês) possui a conotação de circuito/roteiro turístico (de duração variável) que pode ser adequado (numa lista praticamente interminável) de acordo às suas características ou qualificações: city tour, familiarization tour (o famoso famtour), walking tour, shopping tour e wine tasting tour, apenas para citar alguns. Devem ser mencionados também os Tour Operators (operadores de turismo que coordenam todas as atividades necessárias e que dão vida à realização de circuitos e/ou roteiros turísticos), os Tour Guides (guias de turismo), entre outros.

E, para não terminar, eu perguntaria: Não seria o turismo a própria vida em si? Afinal, viemos do “além-da-vida” devendo  para lá regressar, passeando por esta vida como autênticos turistas, visitando a existência, conhecendo e apreciando a própria consciência.

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