Turismo responsável

Turismo Responsável

Uma coisa é o produto turístico, a outra é a comunidade. Um hotel, por exemplo, pode orientar-se pela regulamentação setorial, pelas boas práticas dos segmentos, pela curadoria de assuntos de suas entidades representativas, mas e a comunidade? Os vizinhos vão receber bem esse visitante? A oferta de serviços fora do hotel vai ser suficiente? O hóspede vai ser bem-vindo fora da propriedade do hotel?

É, sim, responsabilidade do mercado engajar moradores locais nos temas de segurança sanitária, desenvolvimento local, meio ambiente e economia, entre outros, para que o Turismo recupere sua plena força. Relacionar-se em mão dupla é condição para o sucesso dos negócios. Cuidar de si e do outro já é prerrogativa e vale para comunidades de qualquer porte. É claro que a mais vulneráveis exigem atenção redobrada, mas, mesmo destinos consolidados e de grande porte demandam um processo mais interativo e propositivo.

As soluções para cada caso deverão ser encontradas em conjunto, com as partes ouvindo ativamente umas às outras, mediando conflitos e, principalmente, compreendendo que o desenvolvimento não pode ser só de um lado. Dessa vez, ou vamos juntos, ou não vamos. A indústria do Turismo sempre foi importante para a economia global e a novidade é que o desenvolvimento social terá o mesmo peso nessa conta. Questões culturais, de diversidade, de redução de pobreza, de acesso a saneamento básico e de educação – que já estavam no radar das grandes corporações – vão ter de ser mais recorrentes no cotidianos de todos.

O Turismo responsável, que cuida das comunidades locais, é o caminho para o Turismo sustentável. As soluções econômicas que abordam a preservação do meio ambiente local e o desenvolvimento social de cada região é a forma como cada um pode contribuir com as questões globais que às vezes parecem tão distantes, como os impactos das mudanças climáticas.

Temos uma janela de oportunidade gigante para estreitarmos os relacionamentos em busca de consensos. Uma pandemia deflagra uma questão comum a todos, expõe fragilidades, reduz resistências em apoio mútuo e cria um ambiente propício à inovação. Então, em vez de ficar pensando no que vai o ser o novo normal a partir de suposições ou de tentar a mesma fórmula de sucesso já desgastada, o melhor é colocar a mão na massa dentro do que é possível agora, sair das zonas de conforto, de medo ou de inércia e agir. Ou melhor, interagir.

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