Turismo rodoviário aquece os motores da indústria de viagens

Mercado viu no turismo rodoviário uma alternativa na oferta de pacotes e aprendeu que tendência não se pauta somente em novos nichos

Turismo Rodoviário

Por Ana Azevedo e Felipe Lima

Desde o início da pandemia, muito se fala sobre tendências. Afinal, para não paralisar por completo as operações, o mercado vem buscando alternativas concretas para reagir ao cenário. Foi assim que o turismo rodoviário viu sua ascensão, apesar de não ser nenhuma novidade no setor. 

Com as fronteiras internacionais fechadas e malha aérea reduzida, somado ao receio de se contaminar e disseminar o vírus, os viajantes ansiosos por experiências fora de casa entenderam que deveriam tomar as ruas e estradas. E não demorou muito para que o mercado abrisse os olhos para isso. 

Operadoras agilizaram parcerias estratégicas para incluir opções de serviços de viação e locação; hotéis, sobretudo os independentes – regionais e mais intimistas -, promoveram ofertas para atrair os turistas do entorno; locadoras ampliaram serviços, a fim de comprovar as vantagens de percorrer determinado itinerário… Tudo, obviamente, unido à solução de questões de biossegurança exigidas pelo cenário. 

As próprias companhias de viação entenderam que este era o momento de brilhar e que somente apostas em soluções sanitárias não eram suficientes. De acordo com Eduardo Tude de Melo, presidente do Conselho Deliberativo da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), o segmento vem reagindo, apesar de ainda operar com cerca de 50% do movimento pré-pandemia.

“O setor tem reagido e investido em novas frotas e novas modalidades de serviços, enquanto implementam viagens a preços promocionais: tentam sobreviver no período hostil, que ainda é agravado pelo avanço do transporte clandestino e por incompreensões de setores Judiciário que insistem em admitir atividades ilegais, não condizente com as regras que regem a atividade econômica”, comenta, em entrevista publicada na edição de março da Revista Abrati. 

Turismo rodoviário: Tudo para dar certo

O turismo rodoviário não é novidade no Brasil e, por muitos anos, foi encoberto pelo desenvolvimento de toda uma sociedade. O motivo? Segundo Elizabeth Wada, coordenadora de pós-graduação Stricto Sensu em Hospitalidade da Universidade Anhembi Morumbi, isso é resultado da soma entre cultura brasileira e alavancamento da nova classe média no começo do milênio. 

“Houve um reforço de diversas imagens e conotações. A primeira coisa que a pessoa quer ter é um carro para parar de andar de ônibus e também quer viajar de avião. Tudo foi proporcionado no momento em que isso se deu. O turismo rodoviário entrou em um contexto de atividades desprezadas e a comunicação de massa acabou prestigiando isso. Hoje, ainda há resíduos desse comportamento. Não é algo especificamente contra esse mercado, mas com o ‘viajar de ônibus’”, destacou a profissional. 

Elizabeth Wada

Essa questão do status e do “possuir”, ainda segundo Elizabeth, vem amenizando no Brasil, impulsionado principalmente pelas gerações mais novas. Por isso, a coordenadora acredita em um novo movimento neste mercado, motivado justamente pela geração Z e Millennials. Além disso, reforça que os brasileiros precisam conhecer o Brasil e, para isso, é necessário dar as costas para o litoral, sobretudo agora que o cenário internacional não se mostra tão favorável quanto antes. 

“Há anos tivemos aumento na oferta de voos, conexões melhores para destinos turísticos que antes não eram cobertos e, muitas vezes, o custo-benefício do turismo rodoviário não era tão vantajoso. Então, em vez de ir para o interior de São Paulo ou de Minas Gerais, por exemplo, era possível ir para Buenos Aires, Flórida, Bahamas. E, em alguns momentos, não tem nada a ver com o segmento, mas a preocupação com fornecedores confiáveis, de ter um transporte seguro e regularizado”, ressalta. 

Elizabeth também chama atenção para o fato de não haver tours regulares para destinos que são chamarizes do turismo rodoviário, como a cidade paulista de Aparecida. “Se um viajante corporativo vem para São Paulo ficar de uma semana para outra, ele não tem um serviço que possa levá-lo até lá. No entorno das cidades brasileiras há atrativos que podem ser interessantes para esse público. Na Cidade do México, independentemente do perfil, a pessoa pode ir à Basílica de Guadalupe e às pirâmides porque tem um serviço regular para isso”, cita. 

Para que haja um desenvolvimento mais acelerado do segmento, a coordenadora pontua a necessidade de unir políticas públicas com o interesse das empresas privadas. “Os potenciais destinos turísticos precisam entender que não é só o privado que deve tomar atitude. Se o poder público local tiver incentivo, como na amazonense Parintins, o investimento vai acontecer. O estado, por sua vez, tem de tirar os planejamentos do papel e pôr em prática soluções que despertem esse desejo em prestadores de serviço e viajantes”, reforça.

Outro conselho deixado pela profissional é o trabalho com veículos menores, com mais espaço e conforto. Atenta a essa demanda, a Volare participou da Feira Internacional de Turismo de Gramado (Festuris), em novembro passado, divulgando a nova configuração de micro-ônibus 1x1x1, que proporciona privacidade e respeita o distanciamento social. Sidnei Vargas, gerente comercial da montadora, sentiu o interesse das empresas no veículo e adiantou que este é um formato que deve ficar, mesmo depois da pandemia. 

Os potenciais destinos turísticos precisam entender que não é só o privado que deve tomar atitude

“O Turismo está passando por mudanças e estamos dando nosso apoio, em parceria com o Ministério do Turismo. Esse micro-ônibus roda por onde veículos de grande porte são mais restritos. Esse turismo mais regional, de curta duração, é nossa aposta, até porque os grupos tendem a diminuir para ter menos aglomeração”, comentou Vargas.

No controle do volante

Elizabeth citou o desejo de, assim que possível, reunir a família e viajar de carro. Essa é a vontade de muitos, porque, segundo a coordenadora, é um modal que proporciona segurança e a possibilidade de estar acompanhado de grupos afetivos. Seja em veículos próprios ou alugados. 

“Quando falamos da locação de veículos, podemos citar a economia, porque você usa o carro para aquele roteiro, especificamente. Vamos pensar, hoje, qual é o custo de um carro parado por um ano, durante a quarentena? Ao locar um automóvel, temos um veículo revisado, limpo, pronto para ser utilizado, que oferece seguro e que ainda te possibilita dirigir o modelo que melhor se adequa ao seu roteiro”, comenta. 

É fato que a locação de veículos se tornou um dos serviços mais desejados durante a pandemia de covid-19, pois une segurança, higiene, conforto, autonomia e mobilidade. A afirmação se confirma nos dados do Anuário Brasileiro do Setor de Locação de Veículos 2021, disponibilizado pela Associação Brasileira das Locadoras de Automóveis (Abla), no final do mês de março.

“Tivemos uma retomada acima do esperado. O Rent a Car aqueceu muito no final do ano, com pessoas buscando veículos para viagens de carro de curto percurso, já que o aéreo estava fechado ou com pouca oferta, o cenário era incerto e havia incentivo do turismo regional por parte dos estados”, declara Paulo Miguel Júnior, presidente da associação. Conforme os dados do Anuário, em 2020, o lazer foi responsável por 34% do uso dos veículos. 

Já o corporativo ficou em 16% e a terceirização dos veículos em 52%. Os números apontam, ainda, o aumento da frota total de 997.416 mil para 1.007.221 no comparativo com 2019.

“A perspectiva é grande para a locação turística, ainda mais porque tivemos, há pouco, anúncio de redução acentuada na oferta de voos. Estamos passando por uma grande restrição no Brasil como um todo e as pessoas continuam vendo o carro como seguro. Neste momento, para o setor corporativo, a locação avulsa ainda fica bastante prejudicada, já que as empresas estão restringindo o deslocamento de seus funcionários. Não podemos fazer grandes projeções, pois há mudanças com as novas cepas da covid-19”, reforça Júnior.

No cenário geral, além do reforço nas medidas de segurança e higiene, destacam-se as soluções tecnológicas para facilitar a jornada do usuário e os serviços de locação por assinatura. “O mercado de assinatura de veículos é crescente e isso impacta diretamente nas responsabilidades de ser proprietário de um veículo. A pessoa tem a vantagem de ter um carro por um custo menor sem ter de arcar com impostos, documentação, manutenção e seguro”, explica.

Ajustes e novidades em produtos

Para algumas empresas que já ofereciam produtos no turismo rodoviário, foi necessário reajustar os serviços e adequar os pacotes ao novo cenário. Como a E-HTL, que afirma ter sentido um crescimento significativo no mercado durante a pandemia. “Diversas pessoas deixaram, por exemplo, de entrar em um avião, optando pela segurança oferecida pelo carro. Hoje podemos dizer que representou praticamente 50% das nossas vendas no ano de 2020”, comenta Flavio Louro, diretor geral da operadora. 

E-HTL
Flavio Louro, diretor-geral da E-HTL

O executivo declara, ainda, que por conta desse aumento, a empresa teve de fortalecer sua comunicação e realizar manutenções constantes na prateleira de produtos. Com grande parte do público representado por famílias e com foco no Sudeste e Nordeste, a operadora usou os principais canais de divulgação – como e-mail marketing e redes sociais – para mostrar as vantagens de colocar o pé na estrada. “Notamos o fortalecimento do selo ‘Viajar de Carro é um Barato’, criado pela E-HTL antes da pandemia”, complementa. 

Louro afirma que o segmento vai continuar sendo um dos focos da empresa, a fim de oferecer melhores oportunidades e condições para os clientes, abastecendo o site com produtos atrativos.  Outra empresa que já trabalhava forte neste mercado é a CVC Corp, que nasceu com essa proposta e tem o segmento como um de seus core business, desenvolvendo continuamente o nicho. 

Nathalia Pacheco, gerente de Planejamento e Estratégia de Produtos do grupo, revela que a companhia sempre teve este mercado como um de seus pilares, responsável pelo embarque de cerca de 100 mil passageiros por ano, além das vendas comerciais. 

“A CVC foi uma das precursoras do turismo rodoviário no Brasil. Hoje buscamos expandir esse segmento, que não só tem um grande público, como também oferece muitas possibilidades. O Brasil tem excelentes rodoviárias e ônibus muito confortáveis. A CVC Corp quer aproveitar as oportunidades que o segmento oferece e acredita no potencial de crescimento do setor, principalmente com o novo perfil de consumidor no pós-pandemia”, comenta. 

Nathalia também declara que mudanças comportamentais foram sentidas em meio à pandemia, como a preferência por destinos de proximidade e ao ar livre. Além disso, desde o segundo semestre de 2020, foram mapeadas praças de interesse turístico que não são atendidas pelo modal aéreo ou ficam distantes dos aeroportos – como Campos do Jordão (SP) e Gravatá (PE) – para ampliar seu portfólio. 

Uma das novidades é a oferta de pacotes para Bonito, no Mato Grosso do Sul. “Teremos saídas mensais de ônibus, previstas para começarem a partir de maio, partindo de Santo André, São José dos Campos e Londrina. Além de Bonito, estamos mapeando alguns destinos de Serra, como Gravatá, Serra Gaúcha e Serra Catarinense; cidades no Paraná, além de Olímpia e Caldas Novas. Também estamos reformulando alguns destinos, incluindo saídas de outras origens, como são os casos de Campos do Jordão, Aparecida e o parque Beto Carrero World”, adianta.

Nathalia Pacheco

Com a maioria dos mercados operados no Sudeste vem buscando implementar seu portfólio com destinos no Sul e Nordeste, a CVC Corp reforça estar sempre em negociação para buscar parcerias com as principais companhias de turismo rodoviário. “Queremos mapear o maior número possível de rotas no Brasil para operarmos”, diz Nathalia.

A gerente reforça que este é o modal mais utilizado para transporte interestadual no Brasil, com aproximadamente 160 milhões de tíquetes vendidos anualmente em comparação aos 90 milhões de bilhetes aéreos, segundo a Associação Nacional de Aviação Civil (Anac). Contudo, sente que algumas questões podem dar mais força ao mercado, incluindo a fragmentação, visto que existem mais de 200 transportadoras no País, e a venda direta nas rodoviárias. 

“O turismo rodoviário é o único meio de transporte capaz de chegar a todos os destinos brasileiros. Então, o potencial é muito grande. Seria importante haver um agregador para que as transportadoras e rodoviárias trabalhem de forma única, o que impactaria na otimização do produto. E em relação às vendas de bilhetes, é necessária uma evolução para o universo online, o que também apoiaria o crescimento do segmento”, comenta. 

Por muito tempo, o turismo rodoviário, sobretudo operado por empresas de viação, carrega o estereótipo de serviço voltado para pessoas da terceira idade ou de baixa renda – motivado pela ascensão da nova classe média no Brasil, citada por Elizabeth Wada. No entanto, Nathalia cita que essa visão vem sendo desmistificada, com oferta de frotas novas e confortáveis à disposição dos clientes. 

“É verdade que muitos idosos buscam esse tipo de viagem, mas temos acompanhado um aumento do perfil de outros públicos também. Isso depende muito do destino. Quando falamos de Bonito, por exemplo, é um lugar buscado pelo público mais jovem. Também temos bastante procura de famílias, para viagens com crianças. Esse é outro motivo para aumentar o portfólio de destinos atendidos pelo rodoviário, assim conseguiremos atender todos os perfis de público”, explica. 

Aroldo Schultz, presidente do Grupo Schultz, cita que os pacotes rodoviários da operadora vêm sendo utilizados por uma clientela acima dos 40 anos e por famílias. Ele acredita que é necessário mostrar o produto como algo para todos e reforçar que está acessível de Norte a Sul do Brasil. “Não é um produto de baixa qualidade. Ele envolve hotéis quatro estrelas, guias especializados e a possibilidade de conhecer o trajeto a fundo. As estradas do Brasil melhoraram e torço para que a infraestrutura continue a evoluir. Precisamos de boas estradas e sei que isso não é mais um agravante em nosso País”, comenta. 

Schultz Travel in Brazil
Aroldo Schultz, presidente da Schultz Operadora

É por isso que a Schultz vem trabalhando arduamente para consolidar o segmento e trazer ao território brasileiro a mesma dinâmica apresentada nos roteiros da Europa. “Eu vi um potencial imenso. O Brasil é muito grande, assim como a Europa em si e lá há turismo rodoviário o ano todo. Podemos fazer”, afirma. 

Foi pensando nisso que a operadora criou o “Travel in Brazil”, no final de 2020. A ideia é contemplar cada região com circuitos rodoviários personalizados, apresentando o País aos viajantes nacionais e internacionais. O primeiro itinerário foi focado na região Sul e chamado de “A Europa Brasileira”, na rota traçada pessoalmente pelo presidente do grupo. 

Hoje, ele viaja pelo Brasil de moto a fim de conhecer cada um dos atrativos locais para lançar os próximos roteiros, que devem ser direcionados ao Sudeste e Nordeste. Norte e Centro-Oeste também devem entrar nos circuitos.  “Temos de desenvolver rotas, preparar materiais e treinar os agentes de viagens. Estamos munidos de parceiros no Sul e já estamos catalogando para outras regiões do Brasil. No futuro, teremos um setor só para este segmento e uma pessoa coordenando o mercado. Seremos a maior operadora de turismo rodoviário”, projeta.

O trabalho vai além dos itinerários. Schultz reforça que é preciso incentivar o verdadeiro turismo, conhecendo a fundo os locais. “Assinamos o código de ética da Organização Mundial do Turismo para transformar a atividade no sentido da sustentabilidade. É fazer com que o cliente conheça a gastronomia, compre souvenires e faça a economia girar naquele lugar. Queremos novas formas de viajar, que agreguem valor”, comenta. 

Teremos um setor só para este segmento e uma pessoa coordenando o mercado. Seremos a maior operadora de turismo rodoviário

Ele relembra como o mercado turístico foi fortemente afetado, até mais do que muitos imaginavam, mas olha com otimismo para um novo horizonte. “Seremos um dos primeiros a levantar. Não tem como falar que o Turismo é supérfluo, que não enriquece e que não ensina. Os agentes de viagens são muito importantes e devem aguentar firme, porque vamos superar isso. Desejo que vocês acreditem nos seus sonhos assim como acreditamos no nosso”, incentiva. 

Incremento na oferta

Após tanto se falar em turismo rodoviário como tendência, é natural que outras operadoras ficassem atentas a este mercado e incrementassem seu portfólio com ofertas que se adequam ao segmento. Uma dessas empresas foi a Diversa Turismo, que enxerga com bons olhos o modal e vem planejando parceria de integração direta com a Click Bus, conforme declara Rafael Ortiz, gerente de Produtos Brasil. A previsão é fechar o acordo ainda este semestre.

“Estamos fomentando essa aliança e evoluindo por conta dos grupos e vendas no nacional. Tínhamos uma força grande no internacional e passamos a focar na demanda doméstica, fortalecendo as ofertas do Brasil, que está cheio de novidades. Já contamos com todas as locadoras nacionais ao nosso lado e sentimos um aumento significativo nesse nicho. É um segmento com público e com várias possibilidades”, detalha. 

Hoje, os principais mercados atendidos pela Diversa envolvem São Paulo e a região Sul, principalmente para grupos, considerado um dos carros-chefes da operadora. “Dobramos nosso time de grupos, porque os pedidos vêm aumentando e apostamos nesse movimento”, conta Ortiz, que também reforça o crescimento na busca por hotéis-fazenda próximos à capital paulista. 

Com prioridade no cronograma de vacinação, a terceira idade é observada pelo gerente como um público muito promissor. “Não tenho dúvidas que, assim que eles puderem viajar, teremos resultados ótimos. É um perfil que viaja mais de uma vez por ano, principalmente em grupo”, afirma. 

Assim como a Diversa, a Flot tinha muito de suas vendas voltadas para o mercado internacional. Teve de readequar seu portfólio e colocar na prateleira novos produtos e serviços, incluindo as locadoras com quem a operadora trabalha em novas parcerias.  “Já incorporamos a Movida e estamos em processo de desenvolvimento de GDS de outras locadoras. Então, fica fácil montar o cronograma com o aluguel”, afirma Eduardo Barbosa, presidente da Flot.

O profissional também afirma estar atento ao grupo de terceira idade, que, segundo o calendário de vacinação, deve ter mais uma grande parcela vacinada em abril. “Eles gostam muito de viajar em grupo e queremos fazer roteiros e itinerários justamente para viajar na melhor idade”, adianta. 

Rodando pelas cidades

Um portfólio com ofertas de 150 empresas de ônibus – com destaque para a recente chegada da viação Gontijo – que atendem mais de 4 mil destinos no Brasil. Esse é o escopo da Click Bus, que vem investindo nos setores de segurança e tecnologia. Segundo Fernando Prado, CEO da empresa, a chegada da pandemia acelerou a digitalização do mercado, permitindo que a venda de passagens crescesse, assim que houve flexibilização das medidas restritivas no combate à covid-19. 

“Em épocas pré-pandemia, a penetração online de compra de passagens era de 10% e, durante a pandemia, o índice dobrou. As pessoas estão em busca de mais comodidade e segurança na hora de adquirir as suas passagens, pois assim conseguem embarcar mais rapidamente”, diz. 

A Click Bus foi responsável pelo lançamento do Selo de Segurança Reforçada, que foi adotado por mais de cem empresas de ônibus nacionalmente, garantindo que as operações sigam os padrões de segurança orientados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Ministério do Turismo. “Entendemos que a volta do setor de turismo acontecerá mais forte com o avanço da vacinação e com a população brasileira voltando às ruas com mais segurança”, enfatiza.

Fernando Prado

Nesse ínterim, a Click Bus está focada em fortalecer a relação com as empresas de ônibus parceiras, além de garantir a biossegurança dos passageiros para a retomada das atividades turísticas. Em relação à atuação paralela e ações junto ao trade de Turismo, Prado destaca o tamanho desse mercado e se diz aberto a novas parcerias.

Segundo ele, cerca de 80% dos viajantes de ônibus acabam indo até uma rodoviária para comprar suas passagens. Em 2019, esse percentual foi o equivalente a 128 milhões de passagens. “Quando falamos em vantagens aos parceiros, nos referimos a um complemento ao portfólio de produtos e serviços de turismo, garantindo que o viajante terá todas as opções em um só lugar, sem mencionar a oportunidade de gerar novas fontes de receita para a agência e a opção de oferecer uma experiência completa ao viajante de ônibus, que em sua grande maioria não utiliza outros modais para viagem, englobando, por exemplo, hospedagem e seguro”, pontua.

De olho nas movimentações mercadológicas, a Click Bus prevê investimentos e parcerias ainda para 2021, incluindo ações de precificação dinâmica, a fim de oferecer valores mais acessíveis aos viajantes e trabalhar a ociosidade das empresas de ônibus. “Nós comercializamos os preços que as empresas de ônibus disponibilizam e, desta forma, quando as viações fazem promoções automaticamente replicamos essa condição comercial para todos os nossos parceiros. Por outro lado, cada canal de venda tem também suas estratégias de marketing e cria, eventualmente, campanhas subsidiando descontos para os usuários”, finaliza.

Detentor das marcas Viação Cometa, 1001, Catarinense, Expresso Sul, Buslog, Autoviação, Fretur e Wemobi, o Grupo JCA usa a expertise de mais de 70 anos de operação para apostar na criação de uma plataforma digital de vendas B2B, que tem como objetivo oferecer condições exclusivas para os associados. “Ao trabalhar com as empresas, os agentes de viagens têm a garantia de comercializar serviços e produtos de qualidade, seguros, regulados e operados por equipes de atendimento que visam sempre oferecer a melhor experiência aos seus clientes”, ressalta Leandro Zulião, diretor comercial do Grupo JCA.

Leandro Zulião

A facilidade, ainda sem data de lançamento, se soma às negociações da empresa para a captação de novos parceiros no mercado e às iniciativas tecnológicas para melhorar a experiência do cliente. “Está previsto também, criar ações de fidelização, novos produtos e serviços cada vez mais personalizados, centrados nas preferências do nosso público, além de ampliar a atuação e operações de algumas marcas do Grupo JCA”, enfatiza.

Em termos de tecnologia, uma das apostas da empresa é o e-bus, unidade de negócios digital em exercício há três anos e que visa diversificar o mercado, atender às necessidades da nova geração de consumidores, além de tornar a experiência cada vez mais ágil e atrativa. Um dos exemplos é a Wemobi, em que o usuário tem uma jornada inteiramente online e ainda pode usar tanto o QR Code gerado na compra da passagem quanto o reconhecimento facial para o embarque no veículo.

O e-bus também é responsável pela criação do aplicativo Clube Giro, primeiro programa de fidelidade do turismo rodoviário, e a startup Outlet de Passagens, que disponibiliza bilhetes a preços promocionais o ano inteiro para vários destinos nas regiões Sudeste e Sul. “Os brasileiros começaram a redescobrir o ônibus, seja pela questão da sustentabilidade ambiental, economia, ou mesmo pela comodidade de rodar pelas estradas. Esse movimento é provocado pela mudança gradativa do perfil de passageiros e pela própria digitalização do mercado, fatores que abriram oportunidades de aprimorar os serviços e implementar novas iniciativas no segmento”, finaliza.

Ofertas no pátio

Com a pandemia, as locadoras também precisaram se reajustar. Esse movimento se deu muito por conta do fechamento dos aeroportos, visto que muitos clientes faziam o combinado entre avião e carro, o chamado de Fly and Drive, com retirada do veículo após o desembarque no destino. As empresas detalham boas apostas futuras e as expectativas para o ano, com destaque para o uso de tecnologia. 

“Nosso esforço tem sido o de entregar soluções tecnológicas bastante alinhadas à jornada de mobilidade do cliente. Esse é um movimento permanente e uma característica no DNA da Localiza: atitude inovadora permanente. Com a pandemia, reforçamos o compromisso com a saúde e o bem-estar de cada cliente, colaborador e parceiro”, pontua Paulo Henrique Pires, diretor de Vendas Localiza.

Paulo Henrique Pires

Por meio do Localiza Fast, a empresa permite que os clientes aluguem e façam todos os procedimentos via aplicativo, sem a necessidade de ir à agência. Outra facilidade é o Pass by ConectCar, disponível em toda a frota e que agiliza o pagamento em pedágios, estacionamentos e drive-thrus.

Jamyl Jarrus, diretor-executivo Comercial e de Marketing da Movida, reforça que a digitalização auxiliou na adesão do mercado. A empresa desenvolveu a locação online e o web check-in durante a pandemia e ressalta que a permanência média com o veículo dobrou durante a pandemia – de uma média de quatro diárias para atuais oito -, além de um crescimento na busca da locação pelo mercado corporativo.

“Investimos muito, não apenas financeiramente, mas em tecnologia, porque queremos que nossas ferramentas sejam intuitivas. Neste novo momento de agravamento da crise, vemos que o corporativo está buscando o produto mais rápido, pois já tem na memória o uso do serviço e sabe que é bom e seguro. Temos um cenário bem positivo para a locação de carros e acredito que vamos sair ainda mais fortes”, ressalta. 

Jamyl Jarrus

O desejo da Movida pela popularização, padronização e qualidade do serviço de locação levou a empresa a investir no dispositivo Movida Cargo, de abrangência nacional, que atua com entregas por aplicativo e é voltado tanto para a pessoa física quanto jurídica. “Trabalhamos em prol do nosso cliente. Criei o Movida Cargo, porque eu vi um montante de clientes desse segmento sem alternativas. Por isso, eu compro, alugo por um preço acessível e ele consegue lucrar muito mais”, enfatiza.

Outro pilar essencial para a Movida é a sustentabilidade. Jarrus reafirma esse compromisso por meio do Programa Carbon Free – que visa diminuir o impacto ambiental com o plantio de árvores realizado em parceria com instituições parceiras – e com o investimento constante na popularização do carro elétrico. “Além de ser carbono zero, ele é muito vantajoso porque roda uma semana com R$20, enquanto o carro comum consome, em média R$ 200, no mesmo período”, diz. 

O diretor pontua que o alto custo na produção e a falta de infraestrutura no Brasil ainda impactam na oferta – hoje há 90 unidades, 70 em São Paulo e 20 no Rio de Janeiro -, mas garante que a Movida continuará investindo nesse modelo. “Vamos crescer em todo o portfólio, inclusive com o carro híbrido”, esclarece. 

Em reposta às iniciativas de diminuição de carbono na atmosfera, a Movida estreou em 2021 no Índice Carbono Eficiente (ICO2) da B3 e foi eleita pelo segundo ano consecutivo como a única locadora a integrar o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), além de participar do Climate Ambition Summit 2020, promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Horizonte à frente

Com mais de 118 mil veículos em sua frota, a Movida registrou recordes na receita por carro no Rent a Car, entre outubro e dezembro de 2020, chegando a uma alta de 25,7% na comparação trimestral. A taxa de ocupação ficou em 84,4%. “O turismo passou a vender carros quando começou a enxergar a rentabilidade. Quando falamos do agenciamento corporativo, o setor é ainda mais importante. Por meio de uma agência de viagens corporativa eu atinjo em média 40 empresas. Hoje, tenho agências que produzem três vezes mais com o carro, porque o escopo do cliente pede esse produto, já que há pouca oferta nos outros modais, fazendo do carro o principal meio de locomoção”, afirma Jarrus.

Diante desses números, a Movida investe no serviço de locação mensal ou de longo prazo, disponibilizado desde março de 2020 nas versões ‘Mensal Flex’ – a partir de 30 dias – ‘Mensal Flex Nacional’ – pelo mesmo período, mas com abrangência em todo território brasileiro, além do direito à troca de veículo e zero quilômetro – e em contratos com duração acima de um ano.

A modalidade nacional, por exemplo, permite que o usuário faça a locação em São Paulo, viaje para outro estado e usufrua do serviço com o mesmo contrato, sem pagar nada a mais. Dentre as vantagens do modal, destacam-se a manutenção inclusa, documentação, licenciamento, IPVA, DPVAT, pagamento mensal e com desconto progressivo, além de pontuação do programa de fidelidade da Movida. 

“A mudança no comportamento foi drástica. Os jovens vêm passando por uma cultura de multi-mobilidade e agora optam, por conta da pandemia, pelo uso do carro, por ser mais seguro. É um segmento que vem crescendo em larga escala desde o ano passado tanto para a pessoa física quanto jurídica. Entramos nos meses de janeiro e fevereiro na mesma pegada forte de crescimento no aluguel mensal de pessoa física em que estávamos no ano passado”, conta.

Outra locadora que aposta na locação mensal é a Mobility, empresa que atua em parceria com agências de turismo nacionais e internacionais. Mobility Flix, um conjunto de planos com preços, condições diferenciadas e benefícios para clientes que buscam pela locação mensal ou períodos ainda maiores, é a solução proposta pela empresa liderada por Oskar Kedor. O produto foi lançado em março e agrega as ofertas das principais locadoras do País, incluindo também empresas que trabalham com locação por assinatura – como a montadora Toyota e a seguradora Porto Seguro.

Entre os diferenciais da solução Mobility Flix, está a renovação automática do contrato de locação do veículo e a possibilidade de renovação com troca de veículo. Os valores incluem custos com seguro, IPVA, documentação, manutenção preventiva e quilometragem livre, conforme definido em contrato.

Há mais de 35 anos atuando no Brasil, a Unidas está focada em melhorar a experiência do cliente e também comemora bons resultados. “Nós temos uma excelente capilaridade com mais de 300 lojas em todas as regiões do país. A Unidas tem um contato próximo com o público e acompanha de perto as mudanças e necessidades do mercado, por isso está ciente que a demanda pode sofrer oscilações em momentos de maior restrição à circulação em virtude da pandemia do coronavírus”, ressalta Paulo Chequetti, diretor comercial RAC Unidas.

Paulo Chequetti

O executivo celebra a alta na demanda pela locação de veículos, principalmente para lazer e pequenas viagens, já que no atual cenário é a opção que oferece mais conforto e segurança. “Sabemos que os viajantes possuem demandas específicas e oferecemos soluções personalizadas a esses consumidores”, declara. 

Afora o B2C, a Localiza vê a parceria com o trade como essencial para atravessar o cenário de crise. “Entendemos que as agências de viagens são parceiras bastante relevantes ao longo deste grande ecossistema de negócios relacionados ao turismo no País. Mesmo diante dos muitos desafios trabalhamos para, junto com elas, criar oportunidades que beneficiem os clientes em suas mais diversificadas necessidades”, enfatiza.

Entre os benefícios, Paulo Henrique Pires ressalta o programa de fidelidade Multiprêmios, destinado a remunerar os emissores, e a comissão sobre as locações de veículos alugados. “O agente de viagens ganha porque o emissor é incentivado a vender mais a locação nas viagens comercializadas. Com isso, o emissor fica motivado a incluir o aluguel de carro e o agente de viagem ganha mais receita”, explica.

Chequetti também destaca o programa de fidelidade da locadora como vantagem aos parceiros. “O agente de viagens possui benefícios e condições promocionais exclusivas que poderão tornar o pacote do cliente ainda mais vantajoso, além de contar com programa de incentivo Unidas Club, em que ele pode ganhar prêmios e ter um canal de comunicação dedicado”, finaliza.

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