Turismo Rodoviário requer desburocratização para crescer

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Por Marcos Lucas

O preço dos bilhetes aéreos disparou nos últimos meses. Um dos motivos é o fim das operações da Avianca Brasil. Com uma concorrência menor e com menos oferta, a tendência é mesmo termos tarifas mais altas. Isso, no entanto, reascendeu o interesse do brasileiro por uma outra modalidade de viagem: o Turismo Rodoviário.

Entre janeiro e maio deste ano, segundo a Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), a procura por viagens interestaduais cresceu 12%. Como o número de viagens não aumentou tudo isso, concluímos que os ônibus estão “roubando” passageiros dos aviões. Há um mercado muito grande a ser explorado por este nicho de viagens. Hoje, os veículos são muito mais confortáveis, sem contar as estradas – que na sua maioria contam com uma maior infraestrutura, malgrado pedágios elevados.

Nós, agentes de viagens do interior de São Paulo, conhecemos bem esta modalidade, uma vez que há muitos clientes no nosso estado que fazem as suas viagens de ônibus. Porém, precisamos dizer que há ainda muito a se avançar no que diz respeito à legislação. Assim como em outros setores, algumas regras travam o desenvolvimento do segmento.

Um exemplo é a exigência, com grande antecedência, da lista de nomes e documentos dos passageiros, especialmente pela Prefeitura de São Paulo, a capital nacional de eventos, que insiste em dificultar sobremaneira o livre acesso de ônibus de turismo em seu centro expandido. Isso atrapalha a formação de grupos e, por muitas vezes impede que se venda mais. Um prazo mais adequado resolveria este gargalo.

Um dos nossos maiores pleitos é a atualização das Leis 10.233/01 e 11.771/08 no tocante a este serviço que é o meio necessário para excursões rodoviárias. A legislação dificulta a operação de circuitos rodoviários em ônibus fretados, o que muitas vezes inviabiliza a formação de grupos.

O Brasil é um País continental. A logística, tanto de passageiros como de mercadorias, depende, sim, do setor aéreo.  No entanto, o modal rodoviário atua tanto como um complemento – pois há uma série de cidades economicamente fortes que não contam com um aeroporto, muito menos com voos comerciais que atendam os principais destinos domésticos -, como por questões de custos – uma vez que há aqueles preferem viajar de ônibus. E, por fim, viagens mais curtas podem ser mais vantajosas pela via terrestre.

O mercado do Turismo está mudando. Todos os setores estão se modernizando, ganhando legislações menos burocráticas e se abrindo à economia de mercado. O rodoviário ajudou a moldar o nosso setor no Brasil. Basta lembrar que a maior operadora do País, a CVC, começou fazendo viagens e excursões rodoviárias. A Gol, companhia com maior participação no mercado nacional, nasceu após o sucesso de uma empresa de transporte rodoviário de seus fundadores.

O setor merece, portanto, muito mais atenção por parte do poder público. A necessidade de atualizar a legislação é mais do que urgente. Lembro que as cerca de oito mil empresas de transporte rodoviário empregam aproximadamente 200 mil pessoas. Incentivar e destravar o Turismo Rodoviário, pode também incentivar a economia e a geração de empregos.

Marcos Lucas é agente de viagens e presidente da Aviesp

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