Turismo sem Preconceito: Conheça a plataforma que promove a hospedagem inclusiva

Há um ano, a Diaspora Black oferece serviços de hospedagem compartilhada e comercial, além de roteiros e experiências. Tudo sem discriminação

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O turismo não segrega por cor, raça, etnia, sexo, ou qualquer outro motivo. Ou será que distingue? Foram experiências negativas que levaram Carlos Humberto, CEO e fundador da Diaspora Black, a pensar em um produto que não proporcionasse situações de mal-estar e momentos de intolerância e discriminação.

Segundo o IBGE, no Brasil, cerca de 54,9% da população é parda ou negra, o equivalente a cerca de 110 milhões de pessoas. E foi ali que Humberto achou um mercado, que estava carente de um serviço que oferecesse bem-estar e, acima de tudo, respeito. Fundada há um ano, a Diaspora Black começou sendo um catálogo de hospedagem compartilhada, conectando usuários a anfitriões, promovendo o turismo sem preconceito.

“Quando eu entendi que faltava um serviço que contemplasse a população negra, que ainda é muito marginalizada, eu vi um oceano de oportunidade, porque o que o estrangeiro quer é viver experiências autênticas, principalmente aquelas ligadas aos povos que materializam a cultura nacional, os seja, os povos indígenas e africanos. Você tem elementos que são riquíssimos e que não estão presentes no catálogo convencional”, explica o CEO.

Foi assim que, o que era previsto para ser apenas um portal de vendas de acomodação compartilhada, veio a se tornar um portal de venda de turismo. Hoje, a Diaspora Black, vende hospedagem compartilhada, hospedagens comerciais – com participação de resorts e hotéis independentes -, além de roteiros e experiências turísticas, que, segundo Humberto, vem se expandindo, com a inclusão de novas experiências gastronômicas, por exemplo.

“A pessoa que se inscreve como anfitrião na nossa plataforma está dizendo ‘eu não tenho preconceito’. A pessoa que está buscando hospedagem está dizendo que está aberta a ficar na casa de uma pessoa que pertença a qualquer classe social, porque a plataforma já tem esse valor, promovendo um espaço no turismo acolhedor e qualificado”, pontua.

O portal, presente em mais de 100 cidades e 18 países e que conta com mais de quatro mil usuários, sendo 68% representado por mulheres, tem como seu principal diferencial o intenso trabalho em capacitações e treinamentos de anfitriões, sejam eles de hospedagem compartilhada ou de meios de hospedagem já em funcionamento.

“A capacitação é um selo. Para receber, os usuários passam por um treinamento de 16 horas e o acompanhamento de quatro horas, que é a certificação. No ano passado fomos acompanhando isso. O treinamento, por exemplo, começa com a apresentação do racismo, que demonstra que o preconceito persiste nos dias de hoje e serve como um choque de realidade para os participantes do curso. É sensacional os resultados que obtemos”, detalha.

Por mais que haja todo o serviço por trás, Humberto destaca, principalmente, a humanização possibilitada pela empresa, ligando pessoas e famílias. “A gente quer promover um modelo de mundo onde essas pontes humanas existem. Promover um turismo do bem, com respeito, com qualidade e isso nos dá muito orgulho. As pessoas nos comparam com o Airbnb, mas eu nego, porque eles nunca vão garantir que alguém não vá sofrer preconceito. Temos uma base do bem formada por nossos clientes”, se orgulha o profissional.

Conheça um dos roteiros oferecidos pelo portal

Promovida pela Blackbird Viagem e Representatividade, a Caminhada São Paulo Negra acontece uma vez por mês e tem duração média de três horas. A caminhada, que se inicia na Praça da Liberdade, passa por pontos importantes da cidade para a história negra, até chegar ao Largo do Arouche.

Histórias como Largo da Forca, Igreja Nossa Senhora da Boa Morte, Bairro do Bixiga, além da apresentação de personagens como Luís Gama e Carolina Maria de Jesus complementam e interligam os participantes da caminhada com o local.

Durante a caminhada, os condutores buscam deixar os presentes à vontade e sempre reforçam que, caso eles conheçam alguma outra história do lugar ou que complemente e enriqueça ainda mais aquela que está sendo contada, que tenha a liberdade de falar. Segundo o jornalista Guilherme Soares Dias, um dos condutores da caminhada, o roteiro hoje é justamente formado em união com seus participantes.

Além disso, os próprios presentes, em alguns momentos, aproveitam a oportunidade para debater assuntos relacionados, como a presença de negro na capital paulista, o período de escravidão, entre outros temas pertinentes.

Ao final da caminhada, as pontes interpessoais acontecem, como Carlos Humberto destacou. Os participantes se despedem com abraços, risadas, trocas de contatos e novas amizades garantidas.

Naquele momento, é possível notar que a caminhada deixou, em algum momento, de ser apenas um roteiro com pessoas estranhas. A partir daquele momento elas estão conectadas e, vistas de fora do grupo, parecem configurar um passeio em família.

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