Uma vinícola como destino

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Por Didu Russo*

Eu não sei se você já pensou em ter uma vinícola como destino de viagem. Acho que seu cliente gostaria, pois o mundo do vinho é formado por pessoas fabulosas, gente que lida com a terra e que se dedica a mostrar na taça o que aquele ano lhe deu no vinhedo. Conversar com um vinhateiro é uma lição de vida, de paciência e de persistência.

Imagine que se você quisesse montar um vinhedo, precisaria antes, estudar solo, clima, ventos e então listar as castas (tipos de uva) que se adaptariam em seu futuro vinhedo. Depois disso, você terá de plantar as videiras e cuidar para que deem bons frutos. Porém, nos três primeiros anos você não terá maturidade das vinhas para fazer o vinho. É a natureza quem decide as coisas num vinhedo.
Se você odeia produtos químicos e pensa que eles só servem para fomentar o desequilíbrio ecológico, a situação é ainda mais complicada. Você terá de estudar bastante para ser um agricultor orgânico. Por experiência própria, a melhor maneira de ser orgânico é ser biodinâmico, praticar a agricultura apoiada nos preceitos antroposóficos de Rudolf Steiner, que não usa absolutamente nada que não seja natural e que considera a Terra um elemento vivo que não tem doenças quando está em equilíbrio. Mas isto é assunto técnico demais…
O fato é que só depois desses três anos, você poderá ter uvas sãs para fazer um bom vinho. E se ele for bom o suficiente para que pessoas gostem dele e divulguem boca a boca, aos poucos você começa a agregar valor ao seu rótulo e a ganhar algum dinheirinho. Essa é a realidade dos produtores, mas você não é o produtor. Você é o agente de viagens pensando na felicidade do seu cliente, o turista.
Se ele tiver uma vinícola como destino, vai adorar participar de uma vindima, colher uvas, conhecer a recepção das uvas e a avaliação delas por um mostímetro, vai ver como as uvas são selecionadas, como são transportadas em esteiras para as prensas, vai sentir aquele cheirinho indescritível, acompanhar os estados de fermentação das uvas.
E, claro, vai poder provar vinhos de tanques que ainda não fermentaram, os que estão em fermentação, vinhos já prontos, visitar a sala de barricas, onde ficam descansando e afinando os melhores vinhos. Na adega poderá, com sorte, provar alguma garrafa com mais idade e talvez descobrir um vinho fantástico. Vai aprender a avaliar um vinho e a perceber as diferenças entre diversos tipos de uva.

De quebra, seu cliente terá à disposição todas as atrações do lugar que escolher – museus, teatros, restaurantes, cidades desconhecidas. E a companhia constante e próxima do vinho. Saúde!

*Fundador da Confraria dos Sommeliers, autor de livros e reportagens focadas no universo dos vinhos (www.didu.com.br)

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