Uso responsável da energia

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Por Cássio Garkalns

A geração e a distribuição de energia impõem altos cultos e impactos que não podem ser desconsiderados. Usar a energia racionalmente significa entender a possibilidade de economia financeira e, também, aderir a um movimento global de consumo consciente. Melhorar a eficiência energética ativa consiste em obter o melhor desempenho na produção de um bem ou serviço com o menor consumo possível de energia.

Isso pode ser conseguido por meio de diversos processos, de forma direta – como a implantação de um sistema de iluminação natural que possibilite a diminuição de luz artificial – e indireta – por exemplo, quando o check-in em hotéis passa a ser feito de maneira mais ágil, pensando na otimização do tempo do hóspede, mas que também causa impacto na quantidade de energia consumida pelo uso dos computadores.

Da mesma forma como fiz com o tema “água”, na edição de junho do Brasilturis, escrevo agora com o objetivo de ajudar pequenos e médios empresários a dar os primeiros passos para a melhoria do uso da energia em seus estabelecimentos. Apresento, a seguir, algumas práticas que são simples e podem ser adotadas sem grandes investimentos.

 

  • Selo Procel: O selo do Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica foi criado com o intuito de promover o uso eficiente da energia elétrica e combater o desperdício. É um processo de avaliação dos equipamentos, com uma escala que vai de A a G, sendo a primeira a mais eficiente e com menor consumo de energia e a última, a pior. Priorizar a compra de equipamentos da categoria “A” significa optar por eficiência.

 

  • Mobilização da equipe: Compartilhar com os funcionários a importância do uso racional da energia é uma oportunidade de identificar formas de diminuir o desperdício e, ao mesmo tempo, ajudá-los a entender como podem fazer o mesmo em suas casas. Isso pode ser conseguido durante reuniões periódicas com a equipe, nas quais a importância da redução do consumo e a identificação de novas maneiras para evitar desperdício podem ser discutidas e os resultados mensais compartilhados e monitorados, inclusive com a definição de metas. Mais do que cobrar resultados, é fundamental qualificar a equipe para as novas práticas, desenvolvendo e implantando processos de treinamento que ensinem os funcionários a utilizar os equipamentos adequadamente e a diagnosticar desperdícios, como verificar se as portas e janelas das áreas comuns com uso de ar-condicionado estão fechadas; regular a temperatura dos aparelhos para 23o C, seguindo a recomendação da Organização Mundial da Saúde; e desligar o ar-condicionado das áreas administrativas de 30 a 60 minutos antes do término do expediente.

 

  • Engajamento dos clientes: Divulgar aos clientes, de forma lúdica e de fácil entendimento, a campanha de redução de consumo de energia pode ser uma forma de estimular o engajamento, valorizar a atitude do empreendedor e esclarecer sobre a importância do comprometimento de todos no contexto de produção e consumo sustentáveis. Algumas possibilidades são adesivar os interruptores com lembretes criativos sobre a importância de “apagar a luz ao sair” ou fazer sugestões simpáticas sobre a possibilidade de, por exemplo, abrir as cortinas em vez de acender a luz. Vale também informar, no check-in ou nos cardápios, que o estabelecimento faz parte de uma campanha de melhoria da ecoeficiência e que o envolvimento dos clientes é muito importante para a redução dos impactos ambientais. Com o aumento do número de pessoas engajadas à causa da sustentabilidade, este posicionamento pode, inclusive, atrair um perfil específico de novos clientes.

 

  • Equipamentos: Utilizar lâmpadas de baixo consumo, substituindo as incandescentes por fluorescentes ou de LED (a depender das possibilidades de investimento inicial, considerando que o custo da LED é maior, embora ela seja mais vantajosa no longo prazo) é uma mudança que gera resultados rapidamente. Além da diminuição imediata na conta mensal de energia, há também o impacto nos custos de reposição, pois lâmpadas fluorescentes e de LED têm vida útil muito maior do que as incandescentes.

 

Configurar adequadamente o ar-condicionado também pode ter um impacto significativo: uma variação de 1o C no ajuste pode gerar uma diferença de até 6% no consumo de energia. O uso de equipamentos de redução compulsória de consumo, como sensores de presença em corredores e banheiros de uso comum, já são práticas amplamente utilizadas, e devem ser previstas. Nos meios de hospedagem, controladores eletrônicos como chaves-cartão que desligam as tomadas e a luz assim que o hóspede deixa o ambiente também evita desperdícios.

Mobilizar pessoas para a importância do impacto de determinados padrões de consumo e da adoção de ações simples que diminuam a quantidade de energia necessária para uma mesma finalidade é fundamental para pensarmos o Turismo que queremos. Isso não é difícil e há possibilidade de resultados expressivos no curto prazo, com reduções de até 50% no consumo total de energia com a implantação de um programa envolvendo as estratégias sugeridas.

No site do Procel é possível baixar o manual de eficiência energética para micro e pequenas empresas, e fazer uma avaliação do empreendimento. Para começar, basta dar o primeiro passo. Vamos em frente!

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