Verão, férias e a economia das viagens e turismo no Brasil

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Por Hildemar Silva Brasil*

Em meio a um cenário econômico incerto e de turbulências políticas estamos vivenciando um verão com altas temperaturas” justaposto a um período de férias escolares, festas de final de ano e viagens para o descanso e lazer das famílias brasileiras. Sabe-se que 30,6% das viagens a lazer acontecem entre os meses de dezembro e janeiro, segundo dados [1].

Os principais preços da economia apontaram melhorias em relação ao mesmo período do ano passado: o real se valorizou; os juros básicos da economia recuaram; a inflação mensal medida em 15 de janeiro segundo a fundação IBGE [2] passou de 0,92% (2016) para 0,31% (2017) e os preços das passagens aéreas [3] caíram 6,99%.

Economia Brasileira

INDICADORES: 01 a 15 de janeiro

Ano Câmbio Taxa Selic IPCA-15(%)
2016 4,0246 14,75 0,92
2017 3,2173 13,00 0,31

(Fonte: Banco Central do Brasil e Fundação IBGE)

A taxa de saída em férias no mês de janeiro, projetada através de cenário econômico foi de 23,45% da população no ano passado e, em 2017 está estimada em 25,22%, indicando uma reação positiva da demanda [4]. Os destinos receptivos nacionais continuam na preferência dos brasileiros com 80,71% do total, sendo as regiões Nordeste e Sudeste as mais procuradas.

A taxa de juros básica combinada ao efeito da redução do crescimento da inflação influenciou o financiamento das viagens pelos fornecedores, ampliando prazos e viabilizando o consumo dos bens e serviços turísticos ofertados no País a preços reais. Sabe-se, no entanto que, no período de alta estação a lei da “oferta e demanda” acaba por pressionar os preços dos serviços turísticos nos destinos receptivos.

No plano internacional, as preferências de viagem para outros países representaram 19,29% do total, contra 19,94% no ano anterior.  A valorização do real frente ao dólar americano nos últimos meses aumentou a competitividade dos destinos estrangeiros.

Os desafios são muitos, e a confiança ainda não está plenamente estabelecida. As projeções para o primeiro trimestre do ano  corrente (janeiro a março/2017) permanecem conservadoras. A taxa de saída esperada é de 23,89%. O carnaval em fevereiro será um forte impulsionador das viagens no período previsto.

No plano da economia mundial, os seguintes eventos nos deixam alertas: o primeiro diz respeito ao crescimento projetado para a economia brasileira em 2017, que recuou de 0,5% para 0,2% segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI) no boletim econômico publicado em janeiro; o segundo, as tratativas e posicionamentos resultantes do Fórum de Davos, na Suíça (janeiro/2017), que afetarão a economia global.

A grande preocupação está no nacionalismo crescente e no processo de distribuição de renda que alcançou resultados pífios na realidade dos países: “Há um clima de perigo no ar. É possível que estejamos enfrentando o colapso na ordem global liberal”, afirmou Yves Tiberghien, especialista em governança e professor da University of British Columbia (Davos, 2017). Donal Trump, novo presidente dos Estados Unidos da América, declarou em seu discurso de posse (em 20 de janeiro) que seu país voltará a ser a maior economia e o melhor lugar para os americanos, numa clara posição protecionista.

Neste cenário, o término do verão brasileiro indica para os empresários do setor, movimentos cautelosos em relação ao cenário social, econômico e político global e local que nos cerca, uma vez que, os atores da economia nacional e internacional enfrentarão um tempo de mudanças nos campos da ética contratual e dos acordos bilaterais que serão revistos em breve pela nova sociedade que se desenha.

No Brasil, as reformas sociais e econômicas precisam avançar juntamente com a queda dos juros e da inflação no ano corrente, reativando a atividade econômica e a retomada do crescimento do mercado de viagens.

hildemar

*Hildemar Silva Brasil é economista, mestre e doutor pela Universidade de São Paulo, coordenador e pesquisador dos  Indicadores Econômicos das Viagens Corporativas – IEVC (2006-2016). Ele escreve mensalmente para o Brasilturis Jornal.

 

[1] Caracterização da Demanda Turística Doméstica, FIPE/MINTUR.

[2] Pesquisa Ipca-15 calculado pela Fundação IBGE.

[3] Pesquisa IPC-S de 15 de janeiro de 2017 calculado pela Fundação Getúlio Vargas – FGV.

[4] Fontes: ANAC; ABEAR; ANTT; IBGE; BCB E FGV.

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