Via G debate impacto, cenário e retomada do turismo LGBT

De acordo com Alex Bernardes, diretor da publicação Via G, o momento exige união, trabalho e criatividade para a retomada do setor

A Via G, pertencente à Editora Via, promoveu, na tarde desta terça (28), uma live no Facebook da empresa, com o tema “O Turismo LGBT no cenário pós Covid-19”. O webinar foi trabalhado em três temas: 1) Impactos causados pela pandemia; 2) Comportamento do viajantes durante e pós crises; 3) Projeção para o futuro; e 4) Considerações finais.

O evento contou com a participação de Clovis Casemiro, coordenador da IGLTA; Jim McMichael, gerente de Marketing para Cultura e Diversidade do LVCVA; Pablo de Luca, diretor da Câmara de Comércio Gay Lésbica Argentina (CCGLAR); e André Almada, Fundador do Grupo The Week. Toda a conversa foi apresentada por Alex Bernardes, diretor de vendas e Marketing da Via G, e mediada de Raffaele Cecere, presidente da R1 Soluções Audiovisuais.

Os impactos da Covid-19

Ao ser questionado por Cecere, Casemiro afirma que os membros estão praticamente parados, com redes hoteleiras fechadas e cidades com restrições no fluxo de turistas. “Empresas e destinos estão sofrendo com isso, inclusive nós da associação. Estamos esperando a situação voltar para voltarmos a trabalhar na matriz. Enquanto isso, observamos alguns empreendimentos atuando em prol do combate à pandemia, como Marriott e Hilton. Além disso, não deixamos de tentar manter todos informados por meio de nossas newsletters e redes sociais”, explica.

Quanto a Las Vegas, McMichael declara que o setor de eventos, bem como o de lazer, demonstram perdas com as paralisações. “Estamos tentando descobrir quando vamos voltar a operar e quais serão os protocolos de operação. Dessa forma, poderemos oferecer as experiências que nossos visitantes merecem. Cada região do país foi afetada de uma forma e tem alguns estados norte-americanos já com seus comércios reabrindo de forma gradual”, declara.

A parte de eventos culturais, representada por Almada, também foi claramente impactada por conta das orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) em evitar aglomerações, algo que é normal quando o assunto são festas e baladas. “Seria imprudência deixar o negócio aberto e nosso fechamento aconteceu voluntariamente dia 21 de março. Quando falamos dos nossos clientes, estamos falando de um público que frequenta regularmente o espaço e quer estar perto dos amigos. O jeito é ser criativo e encontrar outras forma de compensar isso”, avalia.

De Luca também lamenta pelo cenário apresentado na Argentina, que já demonstrava certos problemas socioeconômicos antes da pandemia, mas com indícios de melhora no primeiro trimestre, até das recomendações da OMS de isolamento social. “Em março, nossos números caíram, assim como em todo o mundo. Devemos reconquistar a segurança dos viajantes e faremos isso em pequenos passos, garantido o fortalecimento dos visitantes”, afirma.

Viajantes em crise

Casemiro, da IGLTA – que está desenvolvendo uma pesquisa, a fim de entender melhor os perfis e comportamentos futuros dos viajantes –, chegou a comparar a atual pandemia com o preconceito enfrentado pela comunidade nos anos 1970/80, quando houve o “boom” do HIV. “Naquela época, 74 países tinham restrições para quem fosse HIV positivo, enquanto 12 não deixavam esses visitantes entrar. Nos Estados Unidos, por exemplo, faz apenas 11 anos da liberação da entrada do público, ainda durante o governo de Obama. Isso demonstra como o tema saúde é uma pauta importante quando o assunto é Turismo.”

Outra comparação realizada foi quanto à crise ocorrida em 2008 e, para Almada, por mais que ela tenha, sim, impactado e gerado queda, esse decréscimo não se iguala àquele observado em 2016. “Foi uma queda bem maior em termos de consumo e de público. Mas para minha área, que é de festas e eventos, é como se o público usasse o espaço para esquecer os problemas. Eles utilizavam o cartão de crédito e iam empurrando com a barriga”, relembra.

McMichael declarou que este momento causa receio aos viajantes e que este é a hora de preparar as atrações ao público, que, aos poucos, voltará a se reunir. De Luca concorda e reforça que novas inciativas estão sendo estudadas em parceria com Instituto Nacional de Promoción Turística (Inprotur). “A comunidade LGBT foi afetada, assim como todos os outros viajantes. Mas não mediremos esforços para recuperar e retornar o mais rápido possível. A união a melhor coisa que podemos fazer”, complementa o representante argentino.

Projeção para o futuro

O representante de Las Vegas afirmou que o retorno no mercado doméstico é a estratégia inicial, ao mesmo tempo em que há uma conversa entre os diferentes segmentos do Turismo para desenvolver novos pacotes e, consequentemente, trazer de volta o fluxo intenso de viajantes ao destino. “Vários estados já estão com plano de retomada no turismo interno e vamos trabalhar em produtos que agreguem ainda mais a experiência de quem nos visita”, adianta.

Na Argentina, De Luca afirma que a estratégia é parecida. “Primeiro haverá o trabalho no turismo doméstico, com foco em treinamento e capacitação, levando mais conhecimento ao setor e investindo, posteriormente, na atração internacional. Queremos conquistar novamente a confiança de todos e passar por este momento com o mínimo de impacto possível e com empresas ainda ativas”, estima.

Clovis observa que o Turismo demonstra a necessidade do contato físico e interpessoal entre os seres humanos e que a retomada é uma realidade. Além disso, o coordenador lembrou da Convenção IGLTA, que estava prevista para ocorrer em Milão, na Itália, em um mês. Agora, a associação espera novos posicionamentos governamentais e fica de olho na edição de 2021, que devem ocorrer em Atlanta (EUA).

Para os eventos culturais retornarem, Almada foca na necessidade de tratamento ou vacinas que tornem a covid-19 uma doença controlável. Ademais, declara que os formatos deste segmento não vão mudar, mas que a quantidade de público pode ser revista. “Os grandes eventos continuarão acontecendo, porque atraem muitas pessoas do mundo inteiro. Só há a necessidade de termos ferramentas que auxiliem na viabilização deles”, completa.

Recado final

McMichael aponta que este momento exige ajudar os pequenos negócios. Indo ao encontro desta ideia, o diretor da CCGLAR declara que os executivos devem tomar este tempo para continuar trabalhando, dobrando os esforços para que haja o reaquecimento esperado, independente se vem em julho ou em setembro, como aponta algumas especulações. “A única maneira de superarmos é trabalhando unidos. Juntos como segmentos, como empresas e como destinos”, ressalta.

O representante da IGLTA, que demonstrou interesse em aprofundar sua pesquisa em união com a The Week, afirmou que pretende estudar como o público está pensando em retornar suas atividades quando o assunto é viajar. E, mais uma vez, a palavra “união” se fez presente. “Estamos todos juntos.”

Já Almada lembra que manter a calma e estar próximos de quem você realmente confia trará resultados tanto em âmbito profissional quanto pessoal. “O momento é de reflexão. É agora que vemos quem está do nosso lado. Já quem tiver uma condição mais tranquila, aproveite para ajudar seis, dez, quantos amigos puder. Estão todos fragilizados”, aconselha.

Fórum de Turismo LGBT

Bernardes aproveitou a oportunidade para lembrar que o Turismo está passando por mais uma fase que trará mudanças a todo o setor. Também conta que, por mais que a tecnologia esteja muito mais presente no cotidiano de todos durante essa pandemia, o contato humanizado nunca vai ser substituído.

“Está todo mundo no mesmo barco. A gente, como Fórum do Turismo LGBT, Via G e Brasilturis Jornal, acredita no setor e sabe que não sairemos disso sozinhos, de maneira individual. Está todo mundo se abraçando, com força e trabalho. A retomada não vai acontecer como um milagre. Tem de haver trabalho e criatividade”, conclui o executivo, que lembra que o Brasilturis Jornal mantém sua edição impressa sendo distribuída e o portal diariamente atualizado, assim como a Via G, que entra em um processo de atualização, pronta para trazer novidades com um portal totalmente renovado em breve.

O evento foi finalizado com um vídeo do Fórum de Turismo LGBT de 2019, matando a saudade do evento, que tinha sua quarta edição marcada para junho, mas teve de ser adiada por conta da pandemia.

Aqueles que perderam a live poderão assistir o debate completo neste link.


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