Via G destaca ações e legados LGBT friendly do Mato Grosso do Sul

De acordo com Bruno Wendling, diretor presidente da Fundação de Turismo do Mato Grosso do Sul, o estado vem apostando em campanhas para o segmento

Mato Grosso do Sul Fundtur-MS
Bruno Wendling presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul (Fundtur).

A Revista Via G, publicação pertencente à Editora Via, promoveu, nesta terça (9), uma live com Bruno Wendling, diretor presidente da Fundação de Turismo do Mato Grosso do Sul (Fundtur). A ideia central é debater as estratégias que o estado vem fazendo para atrair o público LGBT+. Além do representante de Mato Grosso do Sul, o bate-papo teve a participação dos jornalistas Otávio Furtado, JP Polo e Emerson Maranhão. A transmissão, ministrada por Alex Bernardes, diretor da publicação, aconteceu na data prevista para realização da quarta edição do Fórum de Turismo LGBT do Brasil, adiado para o segundo semestre por conta da pandemia de covid-19.

A conversa foi dividida em três blocos:

  • Retomada do turismo
  • Apostas no segmento LGBT+
  • Legado

MS: Retomada da atividade

Questionado por Maranhão, Wendling afirma que as estratégias do estado envolvem tendências deste novo cenário pós-pandemia, adotando medidas que estão sendo exigidas pelo novo turista. “Nosso plano de retomada tem um conjunto, principalmente no que tange à questão de higienização e comunicação, buscando as novas experiências procuradas pelo público, focando em segmentação, como já fazíamos”, complementa.

Furtado, por sua vez, buscou entender o que o Mato Grosso do Sul vem fazendo na prática para seguir os protocolos do Ministério do Turismo. O diretor presidente da Fundtur declarou que a ideia é pegar os protocolos do MTur e unir com os protocolos regionais, criados pelo Sebrae e Sesi para a realidade do estado. “Nosso trabalho é garantir que a informação chegue a todos os segmento, como hotelaria e atrativos, aos grandes e aos pequenos, auxiliando nessa implementação, que tem iniciativas fáceis de adotar. A fiscalização será feita pelos próprios turistas, que poderão avaliar os empreendimentos com notas de um a cinco”, detalha.

Polo destacou que a comunicação é um dos pontos forte do estado, mas questionou como o Mato Grosso do Sul vai atuar também na informação ao turista. Wendling disse que o destino continuará com as estratégias B2B e B2C. “Temos inteligência de mercado nas redes sociais e temos uma equipe capacitada que se responsabiliza nesse setor. Claro que há uma nova comunicação, informando aquilo que a gente está adotando, e estamos desenvolvendo um planejamento mais robusto que será divulgado para os viajantes para mostrar como estamos trabalhando. Utilizaremos todos os canais nossos e o de parceiros”, comenta.

Mato Grosso do Sul

Respondendo a Bernardes, o representante afirmou que serão lançadas duas campanhas focadas em turismo rodoviário. “Temos algumas conversas já acontecendo para atender até mesmo destinos que ainda não estão na malha rodoviária regular já que, atualmente, sofremos com as restrições de malha aérea. Também temos a possibilidade de atrair visitantes internacionais por terra, enquanto o aéreo não estiver resolvido, já que Bolívia e Paraguai estão bem próximos do estado”, pontua Wendling.

Atuação exclusiva

Falando especificamente sobre o público LGBT+, Wendling destaca que, apesar da imagem com estereótipo “masculinizado” associada ao pantaneiro, esses residentes são amáveis e não colidem com o segmento LGBT+. “São pessoas receptivas. Em 2018, fomos reconhecidos como o estado mais hospitaleiros pelo viajante internacional. Vamos quebrar paradigmas. O Mato Grosso do Sul está pronto para fazer um trabalho maravilhoso com esse segmento maravilhoso”, defende.

Ainda de acordo com o executivo, o estado vem trabalhando com o mercado para quebrar barreiras de aceitação do trade em trabalhar com a comunidade, adequando processos de trabalhos das empresas. “Em 2017, eu vi que encontraria um cenário mais salutar, quando identificamos que alguns negócios já focavam e trabalhavam nesse segmento. Nosso setor é muito aberto, ninguém pode ter preconceito, quem trabalha com Turismo principalmente. Confesso que a gente tem que mergulhar mais, para que consigamos trabalhar melhor políticas, quebrando paradigmas e preconceitos”, destaca.

Após debater o perfil homem pantaneiro, Polo buscou entender como trabalhar a imagem pré-concebida do viajante gay, mesmo que haja diferentes perfis. O diretor presidente da Fundtur explica que, agora, com uma campanha mais forte para o segmento, a ideia é calibrar essa atuação. “É possível mesclar e o ponto central é entender o perfil de consumo. Estou focado em entregar o que os visitantes buscam. O produto, na minha visão, está prontos com a oferta que temos, mas precisa de leves ajustes”, reforça.

O interesse em se consolidar como destino gay friendly é explícito, conforme conta Wendling, que reafirma a necessidade de quebrar preconceitos. Por isso, o Mato Grosso do Sul vem acompanhando esse mercado desde 2017. “O Observatório de Turismo começa a se debruçar nessas pesquisa e queremos criar uma base maior de dados do segmento. Com essas novas campanhas, teremos uma comunicação mais alinhada, iremos capacitar mais as agências em relação à oferta de operadoras que atuam nesse nicho. Estamos nos preparando cada vez mais”, afirma.

Segurança foi outro assunto abordado por Bernardes e o representante do Mato Grosso do Sul garante que o estado é seguro de maneira geral. “Nós somos um destino seguro para a população, para turistas, não tenho notícias de casos com qualquer tipo de turista, mas obviamente temos que ficar atentos”, declara.

Legado do estado

Iniciando o último bloco, Wendling se diz preocupado em relação à continuidade de trabalhos para fortalecer esse segmento e, para isso, a estratégia é trabalhar governança. “A gente tem o desafio de consolidar oferta de produto e comunicação, mostrando que este é um excelente segmento. Eu vejo que pra continuar, não ser algo temporário, isso tenha de estar enraizado no empresariado e tenho o desafio de fazer a gestão do destino. Como fazemos isso? Por meio de capacitação. Teremos um filtro para ver as empresas que estão dispostas a atuar com o segmento, lembrando que a responsabilidade de se manter capacitado é também do empresário”, avalia.

Ao ser questionado por Maranhão sobre a questão da aceitação das questões em relação à diversidade sexual, o diretor presidente da Fundtur reforça que os destinos turísticos do estado não apresentam casos de preconceito. “Posso ser surpreendido com novas informações, tenho que estudar melhor isso. Eu estou muito atento. Agora vamos saber se o nosso povo é, de fato, receptivo. Essas campanhas já dão repercussão. Agora é a hora da verdade e vamos identificar as cidades mais propícias a isso. No entanto, eu, particularmente, acredito que não”, pontua.

Wendling esclarece que ainda não há eventos específicos – como prides ou semanas temáticas, sugeridas pela audiência da live – porque as ações acontecem durante todo o ano e relembra que a atuação envolve fortalecer o processo de governança. “Que essa gestão marque o estado e traga vergonha para os sucessores, no caso de não pensarem em dar continuidade. Sei que o desafio é grande. Se eu conseguir incorporar isso ao governo, busco ao menos deixar esse legado”, comenta.

Para concluir, o representante sul-mato-grossense lembra que a Fundtur vem pressionando o setor público em nível federal para inclusão do segmento LGBT+ no plano de retomada. “Eu estou focado no mercado e sei que tem que entrar. Se o governo federal não quiser, tenho certeza que vários estados e o empresariado farão. Não vou esperar que o governo faça para que eu siga. Temos condições de fazer de maneira nacional, mas se eles não estiverem em linha com a gente, continuaremos atuando de forma regional”, conclui.


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