Viagem na pandemia: Demonstrações de cuidado mobilizam mais que regras

No complexo Iberostar Praia do Forte, os colaboradores trocam a cor da máscara a cada turno de três horas

Apesar de todas as orientações de distanciamento social, de recomendações para ficar em casa, e da manutenção da quarentena pelos governos, o fato é que há pessoas viajando. Não tem nem como tapar o sol com a peneira. Elas estão lotando as praias, ocupando hotéis e imóveis de locação temporária, e de volta às estradas. A procura é menor quando falamos dos aviões, mas ainda assim, as pessoas estão viajando. 

Terminei o meu artigo de outubro com afirmação de que as rupturas provocadas pela pandemia da covid-19 geraram, entre tantas consequências, uma sede nos clientes por viajar. E, ainda, com a provocação de que é uma grande responsabilidade ajudá-los a se reconectar com o turismo. Com o aumento do número de casos nas últimas semanas esse desafio é exponencial e, apesar das notícias animadoras sobre a vacina, ainda temos um tempo largo sem ela.

A forma de adoção dos protocolos contra a covid-19 agora faz parte da experiência de viajar. Isso mesmo! O recurso mais usado nos últimos tempos aplica-se perfeitamente aqui. Quem pode agir para que ela seja excelente ou mais do mesmo, é você. Das vendas até o receptivo, toda inovação conta.

O reaquecimento econômico está ocorrendo, a reabertura de destinos importantes dão sinais de retomada, mas a vulnerabilidade da saúde é uma preocupação altamente crítica. E não pode ser negligenciada. 

Os protocolos de prevenção disponíveis foram amplamente validados, o selo Turismo Responsável do Ministério do Turismo – que estabelece boas práticas de higienização para cada segmento do setor – é um incentivo à atividade. Mas ninguém pode oferecer garantias reais.

Na prática, o que conta para a melhor eficiência das ações preventivas é a gestão das pessoas. Se antes os treinamentos já eram intensos, agora eles são questão de sobrevivência. Assim como os próprios clientes flexibilizaram o isolamento – seja por exaustão ou por qualquer outro motivo – e começam a viajar, também os colaboradores têm diferentes motivações pessoais e podem relaxar nos padrões.

Do mesmo jeito que a premissa do encantamento está nos detalhes, a da confiança dos clientes também está. Basta um deslize para colocar tudo a perder.

É preciso apoiar e estimular quem trabalha a manter os protocolos e comunicar aos clientes o que está sendo feito. Não com avisos, placas e recomendações protocolares. Mas com atitudes. E, de novo, com experiências. Porque não pensar neles com criatividade? Vamos lá, coloque a cabeça para funcionar.

Não pense que são mudanças exclusivamente para o curto prazo. As pessoas mudaram hábitos simples, como por exemplo, deixar os sapatos do lado de fora das habitações. Se alguém já pensou em sapateiras do lado de fora dos quartos, por favor, me manda uma mensagem!

Demonstrações de cuidado mobilizam mais que regras. Oferecer a sensação de que todos trabalham para reduzir os riscos de contaminação estimula que os clientes relembrem também o seu papel e cria mais do que um círculo virtuoso – um vínculo. Não é uma garantia, mas é um pacto pelas melhores práticas.

As ações privadas têm potencial de causar impactos na sociedade. Presumo que ninguém queira que um funcionário, fornecedor, cliente, ou qualquer pessoa seja contaminado pelo novo coronavírus. Então, cada vez que uma empresa responsabiliza-se e compromete-se com a segurança sanitária, mitiga o potencial de impacto negativo em sua comunidade.

Coloca logo esse pensamento de promover uma experiência diferente em ação porque as viagens só começaram. E o que a gente quer é viajar, com segurança.

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