Viagem no tempo: conheça as principais opções de trem turístico no Brasil

O passeio de trem turístico, indicado para todos os públicos, une belas paisagens, história e cultura enquanto auxilia na economia local

Trem turístico
Foto: reprodução

No final de 2020, o estado de São Paulo inaugurou um atrativo que combina história, cultura e lazer com um toque de nostalgia. O Trem Republicano, atrativo turístico operado pela Serra Verde Express, percorre os trilhos entre Itu e Salto, municípios a pouco mais de 80 quilômetros da capital paulista. O nome faz alusão à Convenção de Itu, a primeira realizada no Brasil República, em 1873.

Foram 15 anos para estruturar o trem turístico e fazer o roteiro de 7,6 quilômetros sair do papel. Ao que parece, a espera valeu a pena. Com investimento de R$ 14,1 milhões do governo do estado paulista, o tour propõe um resgate às origens dos locais visitados e é uma homenagem ao turismo de antigamente, sem deixar de lado as comodidades da vida moderna.

A viagem de 40 minutos é realizada em uma locomotiva de 1952, movida a diesel, que pertencia à Companhia Mogiana de Estradas de Ferro. Os três vagões comportam até 132 passageiros, sendo um convencional, um turístico e um pet friendly. Por conta das limitações decorrentes da pandemia, as operações ocorrem de segunda à sexta-feira, das 9h às 17h, com dois trajetos de ida e dois de volta.

Durante a cerimônia de inauguração, em dezembro do ano passado, Vinicius Lummertz  reforçou a importância da novidade. “Nós precisamos do turismo ferroviário em toda São Paulo para podermos começar a fazer com que esse modal seja um conjunto comercializado pelas agências de viagens, desejado pelas pessoas que já fazem o trajeto Curitiba/Paranaguá. Aqui não é apenas um passeio turístico de trem, é muito mais que isso, e veremos, ao longo do tempo, que muitas coisas serão construídas no entorno, gerando riqueza, empregos e oportunidades pelo turismo”, defendeu o secretário Estadual de Turismo.

Adonai Aires de Arruda, diretor-presidente da Serra Verde Express e da Associação Brasileira das Operadoras de Trens Turísticos e Culturais (Abottc) reforça a opinião de Lummertz. “Acreditamos que podemos propiciar lazer, cultura e história aos turistas e moradores. Com o trem turístico, a tendência é que muitos viajantes de outros locais do estado e de todo o Brasil passem a conhecer a cidade”, reforça.

Quem quiser agregar mais experiência ao roteiro, pode oferecer aos clientes passeios opcionais aos atrativos do entorno. As sugestões são o Parque Maeda, o Museu de Energia, o Museu Republicano e o Parque Ecológico do Varvito, entre outros. “O trem é sempre o ícone, a cereja do bolo, mas é necessário que as ferramentas regionais estejam adaptadas e aptas ao atendimento dos turistas em todos os graus de exigência”, complementa Arruda.

NA MIRA

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Trem Republicano. Foto: reprodução

Em 2019, segundo dados da Abottc, cerca de 3 milhões de passageiros viajaram de trem pelo Brasil. O produto tem a particularidade de não ser sazonal e é indicado para todos os perfis, desde viajantes solo até grupos familiares e de amigos, além de atender a diferentes classes econômicas. Arruda reforça que há outros três projetos em andamento, além de atenção especial à ampliação de ofertas nas regiões já operadas.

“Desenvolvemos produtos voltados a todos os públicos, desde aqueles turistas que buscam por desprovimento total, como os mochileiros, até ciclistas e terceira idade. Também temos pacotes criados para aqueles que querem um passeio mais luxuoso, para comemorar uma data especial ou impressionar alguém com a experiência”, enfatiza o diretor-presidente da Abottc.

O mais recente roteiro ferroviário se une a outros 28 tours sobre trilhos que já estão no catálogo da Bancorbrás. A agência informa que o Trem Serra do Mar (PR), o Trem do Vinho (RS) e o trajeto entre São João Del-Rei e Tiradentes (MG) são os destaques.

“O aumento na procura depende de uma maior divulgação dos trens em operação ou de roteiros específicos para turismo, visto que as viagens nacionais são as mais propícias atualmente”, afirma Christian Soliva, coordenador da Bancorbrás.

Todas as opções informaram que operam sob protocolos de segurança no combate à covid-19, incluindo limitação na capacidade de público por viagem. É válido ressaltar que a disponibilidade de rotas pode variar de acordo com a fase em que cada localidade se encontra, portanto vale verificar o site das operadoras dos passeios com antecedência para checar eventuais mudanças nos itinerários.

DE VOLTA AO SÉCULO XIX

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Trem turístico de São João Del Rei – Tiradentes. Foto: Eduardo Rocha/Reprodução

Operada pela VLI Trens Turísticos, a rota São João Del-Rei a Tiradentes (MG) possui 12 quilômetros de extensão, realizado entre 40 e 50 minutos, a bordo de uma locomotiva a vapor com capacidade para até 250 passageiros. A maria-fumaça roda sobre a antiga Estrada de Ferro Oeste de Minas (Efom), inaugurada em 1881 por Dom Pedro II e oferece aos turistas um vislumbre da natureza do entorno e da arquitetura de dois séculos atrás, preservada nas estações.

Um dos pontos altos do passeio – na ponta Tiradentes – é a rotunda, o giro manual realizado quando a locomotiva chega ao destino, alterando o sentido da viagem. Já em São João Del-Rei, o visitante pode aprender sobre a história ferroviária brasileira no museu local. Segundo a concessionária, a rota cruza fazendas centenárias, rios, montanhas e permite avistar belas paisagens, como o Rio das Mortes e a Serra de São José, área de preservação ambiental também conhecida como Serra de Tiradentes.

NATUREZA, TÚNEIS E PONTES

Trem turístico
Trem turístico da Serra de Morretes. Foto: reprodução

Outro tour que vale a pena indicar é o roteiro Serra do Mar, com o trecho entre as estações de Curitiba e Morretes (PR), pela estrada de ferro que teve a Princesa Isabel como primeira passageira, em 1884. O percurso de 68 quilômetros, realizado pela Serra Verde Express em 4 horas e 15 minutos, inclui lanche, serviço de bordo e guia local. A operadora também vende uma extensão rodoviária de Morretes a Antonina e opções focadas em experiências – como o Expresso Classique (jantar a bordo, com inspiração nos anos 1930, embarque e desembarque em Curitiba) e os pacotes na litorina de luxo.

Além das belezas naturais que acompanham o trajeto, os turistas também se encantam com as criações humanas. São 13 túneis e 41 pontes, incluindo a de São João, com 55 metros de altura, e o Viaduto de Carvalho, que conecta os túneis 4 e 5 e promove a sensação de flutuação. Há ainda, o túnel da Roça Nova com 457 metros de comprimento localizado 956,63 metros acima do nível do mar.

TRADIÇÃO REGIONAL

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Aferição de temperatura pela equipe da Giordani Turismo, no Trem do Vinho

Seguindo para a Serra Gaúcha (RS), o Trem do Vinho é operado pela Giordani Turismo, desde 1992. O roteiro passa pelos municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa e promete uma série de experiências enogastronômicas.

“O trem sempre teve um papel ligado ao desenvolvimento e à conexão de pessoas. Acreditamos neste princípio e seguimos em constante aperfeiçoamento para melhor receber os visitantes desde o nosso primeiro passeio”, declara Andréia Zucchi, diretora-executiva da Giordani Turismo e Eventos.

A viagem de duas horas inclui teatro, coro italiano, show gaúcho e degustação de produtos alcoólicos e não alcoólicos derivados da uva, nas estações de cada município. No Parque Cultural Epopeia Italiana a história da imigração na região é encenada em um espetáculo que tem nove cenários em tamanho real.

“O passeio fomenta toda a cadeia do turismo em três cidades e dá espaço para que os artistas se apresentam nas estações e no interior da Maria Fumaça. Beneficia também comerciantes, prestadores de serviços e estabelecimentos que recebem os viajantes que vêm à região para o passeio de Maria Fumaça”, finaliza.

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