Viaje pelo paladar: conheça os principais polos do Turismo Gastronômico nacional

De várias cores, formatos e sabores que vão do simples ao exótico, a comida brasileira conta história, representa culturas e traz novas motivações para as viagens

Qual é o sabor que representa o Brasil? Essa é uma pergunta muito difícil de se responder. De origem indígena e com influência estrangeira devido ao processo de colonização, o país de dimensões continentais é um emaranhado de culturas, tradições, aromas, crenças e sabores que podem ser desvendados aliando o Turismo Gastronômico ao roteiro de viagens.

Conforme dados da Organização Mundial do Turismo (OMT), o nicho é o terceiro maior impulsionador de viagens no mundo. No Brasil, a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) revela que a gastronomia ajudou o setor de viagens a movimentar cerca de R$ 250 bilhões por ano até 2019.

Ciente do potencial mercadológico deste nicho, o Ministério do Turismo criou um site dedicado para coletar dados relacionados a programas, projetos, ações e eventos que estão sendo desenvolvidos Brasil afora. As informações foram recebidas entre 1º e 18 de junho e serão analisadas para fomentar a atividade em esfera federal.

“A motivação é desenvolver o Turismo Gastronômico no País, valorizando e fortalecendo sua vocação natural, de modo a apoiar o avanço dos destinos brasileiros e, consequentemente, contribuir para a ampliação da competitividade internacional do Brasil. Com isso, surgiu a necessidade de estruturação e promoção da atividade por meio de um programa nacional e de um plano de ação para o setor”, afirma Gilson Machado Neto, ministro do Turismo em entrevista exclusiva ao Brasilturis Jornal.

QUESTÕES TÉCNICAS

 Machado Neto esclarece que o programa está em fase de elaboração e, para a implementação, é preciso estabelecer parcerias com a esfera privada e alinhar-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU), a fim de garantir a preservação da autenticidade e aspectos culturais das regiões participantes, além de criar condições melhores de trabalho.

Gilson Machado Neto

A busca por inovação e tecnologia são aspectos inerentes à pauta, visando a geração de valor às comunidades. Para garantir o desenvolvimento sustentável, o Mtur utilizará o Código Mundial de Ética para o Turismo, da Organização Mundial do Turismo (OMT) como base. A segurança alimentar e nutricional, além do conhecimento sobre o turista e suas necessidades, também são partes importantes do projeto.

“Após o levantamento e a sistematização dessas inciativas, será feito um mapeamento dos principais produtos agroalimentares brasileiros, considerando a indicação geográfica, aspectos culturais, técnicas tradicionais de produção e outras características relevantes para o Turismo Gastronômico”, explica o ministro.

A partir desse levantamento, segundo o dirigente da pasta, será possível propor diretrizes para o fortalecimento das políticas públicas de promoção da atividade. Em paralelo, o Mtur está elaborando o “Curso de Extensão em Turismo Gastronômico” para gestores, oferecido em ambiente virtual de aprendizagem.

“A gastronomia ganhou relevância social nos últimos anos. No caso das viagens, mais que um ato de se alimentar, passou a ser uma experiência cultural, forte o suficiente para criar e moldar uma viagem. Ou seja, gastronomia é nicho, à medida em que pessoas podem querer viajar exclusivamente para isso, e é o todo, já que não há quem não tenha experiências culinária durante uma viagem”, defende Vinícius Lummertz, secretário de Viagens e Turismo do estado de São Paulo.

Apesar do apoio manifestado à iniciativa, Sérgio Litaiff Filho, presidente da Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) destaca alguns aspectos necessários para colaborar com o sucesso da iniciativa governamental.

“Acredito que com profissionais qualificados, malha viária acessível, incentivo financeiro ao trade e promoção, conseguiremos percorrer um caminho seguro para posicionar nossos produtos turísticos com diferencial no mercado”, diz.

A fim de entender o posicionamento dos destinos diante da iniciativa, bem como destacar seus atrativos culinários, o Brasilturis Jornal contatou as secretarias de Turismo nacionais. Confira os destaques!

ALAGOAS

Em Alagoas, o Turismo Gastronômico é trabalhado como um produto-chave pela Secretaria do Desenvolvimento Econômico e Turismo de Alagoas (Sedetur), em parceria com a Abrasel-AL. Festivais como o “Bar em Bar”, “Festival Brasil Sabor”, “Festival da Lagosta” e o “Festival Quilombola” fazem parte do calendário oficial do estado.

Caldo de Sururu

“Vale frisar que eventos gastronômicos são importantes também por superarem a sazonalidade do Turismo, além de consolidar o destino como gourmet. De acordo com uma pesquisa realizada pela Secretaria Municipal de Turismo de Maceió (Semtur), a culinária é, atualmente, o segundo motivo pelo qual o estado atrai turistas. Cerca de 80% dos visitantes avaliam nas redes sociais a cozinha da capital alagoana como ‘excelente’ ou ‘muito boa’”, afirma Paulo Kugelmas, superintendente de Turismo da Sedetur.

Dividido por regiões, a viagem pelo paladar tem como destaque a Massagueira, região localizada em Marechal Deodoro, no litoral sul do estado, e reconhecida pela gama de bares e restaurantes. Dentre os pratos principais, estão aqueles à base de peixes e frutos do mar, lagos e rios, como o sururu, massunin e peixe ao coco.

“O sururu é o prato típico de Alagoas e marca a presença da água salgada do mar com o doce das lagoas. Já quanto ao prato doce típico, a marca registrada do estado são as cocadas saborizadas, presentes em diversos restaurantes e pontos turísticos”, destaca Kugelmas.

Em Maragogi, além das belas paisagens, os sequilhos e o arroz de polvo são os chamarizes de público. A iguaria pode ser encontrada nos restaurantes da categoria internacional, pousadas de chame e também em estabelecimentos de São Miguel dos Milagres, Porto de Pedras e Passo de Camaragibe.

Já no Sertão, a carne de bode, carne de sol, e os queijos coalho e manteiga, são os principais ingredientes culinários. Na capital alagoana há a união dos pratos típicos do estado, com ofertas que vão desde a tapioca recheada até pratos da gastronomia internacional.

AMAZONAS

Historicamente ligado à cultura indígena, grande parte dos pratos amazonenses são feitos à base de mandioca e peixe, com ênfase para as espécies tambaqui, tucunaré, pirarucu, jaraqui, pacu e matrinchã, que são servidos fritos, assados ou cozidos. O pirão, acompanhamento da maioria dos pratos cozidos, pode ser elaborado com mandioca cozida no caldo de peixe, ou com o típico tucupi, um molho feito a partir da fermentação do suco da mandioca.

O cardápio fica completo com a variedade de frutas regionais que podem ser consumidas em formato de doces, sucos, molhos, geleias e sorvetes. Entre as mais apreciadas, dentro e fora do Amazonas, estão cupuaçu e açaí, além da graviola, taperebá, pupunha, araçá-boi, biribá, abio, buriti e guaraná.

O pirão acompanha a maioria dos pratos amazonenses

As especiarias são exibidas na Feira Internacional de Gastronomia Amazônica (Figa), realizada pela Abrasel-AM e apoiada pela Amazonastur. O evento é a plataforma que permite o intercâmbio cultural e a divulgação da cozinha amazonense, enquanto também apresenta o folclore, a cultura e a história local.

Sérgio Litaiff relata que, para resolver alguns dos entraves que dificultam o desenvolvimento do setor no estado, foi decretada a redução da carga tributária do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) e na Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação pelo governo.

Em contrapartida, por meio da Resolução 006/2021, a Azul Linhas aéreas está estudando a abertura de conexões em novas localidades. A medida vale para o biênio 2021/2022 e tem apoio da Amazonastur, aliada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti). Dentre os possíveis contemplados estão os municípios de São Gabriel da Cachoeira, Coari, Maués, Eirunepé, Lábrea, Barcelos e Apuí.

“Essa parceria com a Azul vai permitir a conexão de calhas dos Rios Madeira e Alto Rio Negro, que já constam no Mapa do Turismo Brasileiro como regiões turísticas a serem trabalhadas, oportunizando o fácil acesso de turistas a essas regiões e a promoção da nossa culinária”, enfatiza o presidente da Amazonastur.

Na esfera educacional, uma parceria entre o Mtur, Amazonastur e Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam) oferta mais de 6 mil vagas em cursos profissionalizantes gratuitos, que englobam inclusive a área de alimentos. As vagas destinam-se a pessoas que já realizam atividades ligadas ao Turismo em um dos 24 municípios que compõem o Mapa do Turismo Brasileiro.

ESPÍRITO SANTO

No Espírito Santo, a rota gastronômica é divulgada junto a outros atrativos turísticos. A terra capixaba promove eventos dedicado à temática, como o Santa Teresa Gourmet, em Santa Teresa; o Festival Capixaba dos Frutos do Mar, em Iriri; e a Festa da Polenta, realizada no município de Venda Nova do Imigrante.

Com tradições indígenas e afrodescendentes, o Festival da Torta Capixaba, que ocorre em Vitória, na época da Páscoa, une a expertise das desfiadeiras de siri com a tradição da panela de barro. Além deste preparado, a Moqueca Capixaba e Moqueca de Banana são pratos típicos da região litorânea.

O Socol é uma iguaria tradicional da família Lourenção

“A Secretaria de Estado de Turismo do Espírito Santo considera o projeto Turismo Gastronômico do Ministério do Turismo muito valioso para o incremento da atividade turística. Sem dúvida, a gastronomia de cada local é um atrativo para o turista que busca não só degustar determinada iguaria, mas conhecer seu modo de produção, as origens da receita e a representatividade para o local”, enfatiza Lenise Loureiro, secretária de Turismo do Estado.

Na região das montanhas, as massas, polenta e o socol, embutido tradicional no estado, se destacam. O tour fica completo com os vinhos e cervejas artesanais, além de pães Milchbrot, Strudel, linguiça de carne de boi e queijo tipo puina.

“Com a vinda de imigrantes europeus, novos pratos foram acrescentados à cozinha capixaba. Dos italianos, que exerceram maior influência, temos o anholini, o tortei, a sopa pavese, o risoto e a polenta. Dos alemães, recebemos uma culinária à base de batatas e carne de porco. Os portugueses deixaram sua marca com as delícias dos pratos à base de bacalhau, azeite, batata e doces feitos com ovos”, conta.

MATO GROSSO DO SUL

Bruno Wendling, diretor-presidente da Fundação de Turismo do Mato Grosso do Sul (Fundtur), destaca a capital, Campo Grande, o Pantanal e a Serra da Bodoquena como os territórios ideais para uma imersão na culinária sul-matogrossense. A comida pantaneira é o símbolo cultural local, caracterizada pelos peixes pacu, pintado e dourado, que são apresentados fritos, cozidos, em caldos ou assados.

Paçoca salgada, prato típico do Mato Grosso do Sul

No menu, há ainda o churrasco com mandioca, sopa paraguaia, arroz carreteiro e, para beber, o tereré, preparado de erva-mate com água bem gelada. Para os curiosos, a dica é provar a carne de jacaré, que pode ser encontrada em formato de bolinho ou assada.

“Eu acho muito importante esse projeto Ministério do Turismo, especialmente porque a gastronomia é um dos principais motivadores de fluxo turístico. O trade tem entendimento de que a culinária não é um item à parte do seu produto, mas que tem de ser comunicada como um diferencial junto a um pacote ou roteiro. No segundo semestre, lançaremos uma campanha nacional que trata também da segmentação ao turista gastronômico, apresentando nossa cozinha de forma diversa”, aponta.

MINAS GERAIS

Terra do pão de queijo, broa de fubá, frango com quiabo, costelinha com orapronobis, feijão tropeiro, doce de leite, compotas, tutu à mineira e bamba de couve, entre tantas outras delícias, Minas Gerais é um estado que não só reconhece a importância do Turismo Gastronômico, como investe em seu fomento.

Frango com quiabo

“O projeto do Ministério do Turismo está em consonância com uma das principais potencialidades turísticas de Minas Gerais. Minas é um estado onde a cultura alimentar e a cozinha mineira vão muito além da refeição: aqui é geração de renda e emprego, fator de desenvolvimento social, econômico, humano e turístico. Por isso a ação é de grande relevância para todo o estado”, pontua Leônidas Oliveira, secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais.

Conforme dados do Observatório do Turismo de Minas Gerais (OTMG), quase 30% dos viajantes que chegam ao estado apontam a comida local como a primeira imagem que vem à cabeça. Diante disso, há diversos programas que promovem a capacitação do trade local gratuitamente e tratam o nicho como política pública, a fim de promover seu desenvolvimento em todas as esferas e torná-lo um patrimônio imaterial.

Os 853 municípios mineiros oferecem uma gama de oportunidades e particularidades que merecem ser descobertas. No entanto, é relevante destacar a crescente valorização e produção dos queijos artesanais da Canastra e do Serro, os cafés e azeites da Mantiqueira, as cachaças de Salinas e os vinhos do Sul de Minas.

“A cozinha mineira é uma das mais apreciadas no País e os mais de 400 restaurantes de comida mineira espalhados pelo Brasil são prova disso. Além disso, há importantes registros do setor no nosso estado, como 209 produtores de queijos cadastrados; 357 produtores de cachaça registrados com 1.680 marcas; 178 cervejarias; mais de 150 produtores de azeite; 23 vinícolas e 747 mil produtores da agricultura familiar registrados”, evidencia.

PERNAMBUCO

Dividido em três grandes regiões – Zona da Mata, Agreste e Sertão -, Pernambuco não só é desejado pela pluralidade natural, mas também pelos diversos sons e sabores. Com uma vasta lista de eventos gastronômicos, Rodrigo Novaes, secretário de Turismo e Lazer, enfatiza o Recife Beer Tour, promovido por José Jayme, sommelier de cervejas que também oferece o Tour Cervejeiro da Ilha de Deus, unindo a cervejaria artesanal à visita ao Bistrô de Negralinda, local de prática do turismo criativo.

Mungunzá Salgado

Outras opções são o Festival da Tapioca, em Olinda; o Pernambuco Restaurante Week e o festival gastronômico “Bar em Bar”, da Abrasel, que ocorre em diversas cidades espalhadas pelo estado. Pernambuco também está bem servido em termos de destinos propícios ao turismo gastronômico. Patrimônio Imaterial de Pernambuco, a Feira de Caruaru reúne uma seleção de pratos típicos.

 Já em Agrestina, é o alfenim, doce de tradição árabe, que chama a atenção dos visitantes junto aos bolos produzidos no município de Bezerros, principalmente o Barra Branca, feito com mandioca.

“Para não ser injusto, diria que cada cidade pernambucana tem seu prato forte e característico. Em relação aos frutos do mar, destacamos a caldeirada de Itapissuma, no litoral norte, que mistura desde o sururu à lagosta, e o magnífico centro gastronômico de Porto de Galinhas, em Ipojuca, sem falar, claro, dos mercados públicos do Recife e do Alto da Sé de Olinda. A Cidade Alta reúne restaurantes premiados e as tradicionais tapioqueiras. No Agreste, Gravatá oferece toda a diversidade da comida popular no seu Mercado Cultural e já há agências de turismo que vendem essa experiência”, enfatiza.

Novaes inclui na lista o munguzá salgado, típico do Sertão, que pode ser preparado em diferentes formatos – seco, como carne de sol, guisado ou na buchada -, os peixes do São Francisco, a lagosta do Sertão, os vinhos de Lagoa Grande e Santa Maria. De sobremesa, a cartola, o Bolo Souza Leão e o bolo de rolo, que também é patrimônio do estado. “E nem falei ainda da culinária dos engenhos da Zona da Mata e de Fernando de Noronha. É muita gostosura!”, finaliza.

RIO DE JANEIRO

O Rio de Janeiro, além da diversidade turística já conhecida, tem atrativos dedicados aos sabores regionais, como o Festival Gastronômico de Búzios, de Frutos do Mar de Rio das Ostras e de Marisco de Cabo Frio, além do Petrópolis Gourmet e do “Café, Cachaça e Chorinho”, no Vale do Café. Já na Serra Verde Imperial, a culinária de maior popularidade tem influência alemã e a italiana.

“Nas Agulhas Negras, a truta é a base de muitos pratos dos restaurantes das cidades. Outro produto muito apreciado e comercializado na região é o pinhão, que dá nome a um grande festival realizado em Visconde de Mauá, distrito de Resende”, elabora Gustavo Tutuca, secretário de Estado de Turismo.

Reconhecida internacionalmente pela inovação gastronômica, Paraty tem como carro chefe o sabor da culinária caiçara, como o peixe com banana, o camarão casadinho – que traz dois camarões grandes fritos e recheados com farofa – e o manuê de bacia, um bolo feito com melado de cana.

“A Secretaria de Estado de Turismo trabalha incentivando todos os segmentos. Temos projetos já sendo executados em turismo rural, cicloturismo e turismo religioso. Outro fator que traz resultados consistentes é a promoção de festivais gastronômicos que faz com que o fluxo de visitantes aumente consideravelmente para esses destinos”, pontua.

Tradicional em todo o Brasil, a feijoada é considerada a cara do Rio, na opinião de Tutuca. O prato feito com feijão preto e carne de porco é servido com acompanhamentos como arroz, farofa, couve, fatias de laranja, bacon e torresmo.

RIO GRANDE DO NORTE

Ginga com tapioca

O estado é conhecido como o maior produtor de camarão do Brasil e, por isso, a especiaria pode ser encontrada em diferentes preparos por todo o território potiguar, inclusive como ingrediente do tradicional baião de dois. Os amantes de frutos do mar também podem se deliciar com lagostas e caranguejos, além de iguarias como polvo e arraias. Na capital, Natal, o destaque é a ginga com tapioca, prato considerado Patrimônio Cultural do estado e feito com goma de mandioca, coco e peixe frito com azeite de dendê.

Em Carnaúba dos Dantas, no sertão, a dica é provar o chouriço doce, feito a partir da mistura de sangue e banha de porco, com mel de rapadura, castanha-de-caju, leite de coco e farinha de mandioca. Outro prato peculiar do sertão potiguar é o arroz de leite, feito com o grão vermelho do arroz da terra e consumido com farofa e carne de sol. A paçoca de carne de sol, aliás, é outro prato bastante conhecido! Na receita, farinha de mandioca, coentro, cebolinha, cebola roxa, manteiga da terra e, claro, a carne de sol.

SÃO PAULO

A terra da garoa também é palco para a culinária, identificando a presença da cozinha de mais de 70 países. Não é à toa que, desde o final dos anos 1980, entidades do setor atuam para a concessão do título de Capital Mundial da Gastronomia à cidade. Se unirmos a fama de São Paulo à oferta paulista, a diversidade dispara, o que traz desafios para a roteirização, na opinião de Vinícius Lummertz.

Virado à paulista

“O desafio não é simples. Depende muito da preferência do turista e, eventualmente, da necessidade de olhar a gastronomia de forma mais ampla. A vantagem de São Paulo é que além de uma oferta gastronômica enorme, variada e de qualidade na capital, o estado experimenta qualificação em praticamente todos os destinos, moldada às peculiaridades de cada região”, explica o secretário de Turismo.

Regiões com características marcantes, como as localizadas às margens dos rios Tietê, Paraná e Grande, desenvolvem uma culinária rural, incluindo pratos à base de peixes de água doce. Já na capital, os destaques são o virado à paulista e o “cannoli do Juventus”.

Segundo Lummertz, o nome é uma homenagem não só ao futebol, mas a todos os imigrantes que ajudaram a construir o estado. Não podemos deixar de fora o pastel de feira, frito na hora, o sanduíche de mortadela do Mercado Municipal, o cuscuz paulista e as especiarias da Zona Cerealista, além é claro, do famoso “pingado” (café preto e leite) com pão na chapa, combinação clássica no café da manhã paulistano.


EXPERIÊNCIAS DO BRASIL RURAL

O Ministério do Turismo desenvolve, em paralelo, o projeto “Experiências do Brasil Rural”, que tem por objetivo fortalecer a agricultura familiar no Turismo por meio do incentivo à promoção e comercialização de produtos e serviços. O projeto, agora, está em fase do diagnóstico e da construção do Plano de Ação para os roteiros. Em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), foram selecionados oito roteiros turísticos pertencentes às cadeias agroalimentares do queijo, vinho, cerveja e frutos da Amazônia.

São eles: Rota Amazônia Atlântica (PA); Caminhos do Campo (SC); Rotas do Queijo – Terroir Vertentes (MG); Roteiro Farroupilha Colonial (RS); Agroturismo (ES); Terra Mãe do Brasil – Seus caminhos, segredos e sabores (BA); e a Rota Gourmet das Terras Altas da Mantiqueira, abordando Minas Gerais a Ferradura dos Vinhedos no Rio Grande do Sul.

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