Vida ao ar livre: Conheça a Califórnia além do óbvio

Califórnia aposta em viagens terrestres para explorar a oferta variada de natureza que combina mar, montanha e deserto com cidades charmosas e serviços de primeira

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Jipes preparados para descortinar as paisagens dos Indian Canyons, nos arredores de Palm Springs

Esqueça tudo o que você (acha que) conhece sobre a Califórnia. Famoso no Brasil pelas praias e pela efervescência cultural de Los Angeles, o estado norte-americano tem muito mais a oferecer aos viajantes. Em uma época de valorização das experiências, o Golden State esbanja uma oferta que combina esse lado mais conhecido com uma outra face que ainda vem sendo descoberta pelos brasileiros.

Há desertos que escondem paisagens esculpidas ao sabor do tempo, vegetação única que inspirou um dos álbuns musicais mais famosos dos anos 1990, casas modernistas que revelam o passado de glória dos famosos de Hollywood e uma feira de rua que une propostas que vão do artesanato local até uma inusitada banquinha de aconselhamento espiritual. E tem o espetáculo do céu, que pode ser observado nos mínimos detalhes, com modernos telescópios, ou em todo o esplendor do conjunto, a olho nu.

O melhor é que tudo está ligado por ótimas rodovias, permitindo o fácil deslocamento pelos atrativos que costuram a geografia desse estado de natureza diversa. Não à toa, a nova campanha de promoção do Visit California aposta em roteiros terrestres para ampliar essa percepção dos viajantes. Afinal, é só quando estamos totalmente inseridos em um ambiente que podemos sentir tudo aquilo que ele pode proporcionar. Seja de carro, ônibus, motocicleta ou motorhome: todos os sonhos são bem-vindos na república da road trip.

Para todos os gostos

O ponto de partida é Anaheim, a uma hora do aeroporto internacional de Los Angeles. Arborizada e agradável, a cidade é conhecida mundo afora pela Disneyland, parque fundado por Walt Disney em 1955 que deu início à história de sucesso do grupo. A grande novidade é a área dedicada a Star Wars, aberta no final de maio com “Millennium Falcon: Smugglers Run” e que ganha o reforço de “Rise of the Resistance”, atração que será inaugurada em 17 de janeiro de 2020. O complexo californiano inclui ainda o Disney California Adventure Park e o Downtown Disney District.

Em Buena Park, a 15 minutos dali, o Knott’s Berry Farm é outra boa dica para quem não abre mão de se divertir em áreas temáticas. Bem famoso nos Estados Unidos, o parque do Snoopy é uma grata surpresa. Aberto em 1940, ele tem cenografia inspirada no Velho Oeste – com direito a cidade-fantasma e funcionários caracterizados que interagem com os visitantes – e reúne 40 opções para todas as idades. Os mais radicais devem experimentar as montanhas-russas Xcelerator e a Silver Bullet, enquanto as famílias podem curtir o Knott’s Camp Snoopy, área  inspirada nos personagens com 15 atrações kids friendly.

Se o viajante não abre mão de praia, há pelo menos duas regiões que são imperdíveis. A 30 quilômetros de Anaheim, Huntington Beach tem sua história ligada ao surf e atrai praticantes do esporte do mundo todo. Mesmo quem não se arrisca nas ondas pode simplesmente assistir ao espetáculo, de preferência próximo ao icônico píer da Surf City USA. Um pouco mais ao sul fica Laguna Beach, destino que hoje é frequentado por ricos e famosos, mas tem suas origens ligadas à comunidade artística.


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De hippie a chique

No início do século 20, um grupo de artistas buscou esse trecho do litoral para se isolar dos centros urbanos mais movimentados. A decisão se baseou na combinação de topografia acidentada e iluminação natural que encantou seus primeiros moradores. Em 1932, com a realização dos jogos Olímpicos de Verão em Los Angeles, eles decidiram expor suas obras nas ruas para atrair os turistas. Criou-se, assim, a cena artística que permanece na cidade até hoje, com mais de cem galerias em pleno funcionamento.

Essa veia pulsa ainda mais durante o “Pagent of the Masters”, festival que reúne artistas anualmente no verão, e foi responsável por colocar a cidade no mapa dos viajantes norte-americanos. A tradição vem de 1933 e tem como destaque a encenação de um enredo com apresentação de quadros-vivos, reproduções de obras clássicas com pessoas reais dentro das molduras. A caracterização detalhada combinada com a imobilidade dos voluntários dificulta a missão de diferenciar o que é pintura do que é feito de carne e osso.

Na década de 1940, um anfiteatro foi construído especialmente para as apresentações de 90 minutos que são acompanhadas por orquestra e mudam de tema a cada ano – em 2020, será “Made in America”, homenageando artistas que fizeram dos Estados Unidos o seu lar. Os shows acontecem de 6 de julho a 3 de setembro e os ingressos se esgotam com vários meses de antecedência. No local, dá para visitar também os bastidores para ver cenários, figurinos e cartazes de produções passadas.


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Como uma típica cidade litorânea, Laguna Beach não tem prédios muito altos para permitir que a vista do mar continue democrática. “A ideia é preservar a cultura da época de fundação da cidade”, explica Ashley Johnson, presidente e CEO do Visit Laguna Beach. Essa natureza rústica se divide por 30 praias, dezenas de hotéis charmosos e restaurantes locais – todos independentes, já que nenhuma marca famosa fincou sua bandeira por lá. Essa aura genuína faz parte da experiência de viagem.

Outro destaque do vilarejo – que, hoje, tem casas vendidas por cifras que chegam a milhões de dólares – é a oferta de atividades de natureza. Em 2012, a região se transformou em uma reserva marinha com regras rígidas que proíbem a pesca e a prática de esportes motorizados a três milhas da costa. A iniciativa fez com que a vida marinha voltasse ao local. Doug Oyen, autointitulado “chefe de aventuras” do receptivo La Vida Laguna, explica que há diversas opções que incluem tours de caiaque, aulas de surf e stand up paddle.


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Oásis de luxo

A próxima etapa da viagem propõe uma mudança radical na paisagem. Da restinga litorânea com exuberantes folhagens, vamos até as retorcidas formas vegetais do deserto californiano. No caminho para o interior dá para ver bem essa transição de biomas, o que resulta em um atrativo extra para a viagem desde o litoral. O trajeto leva duas horas até a primeira parada sugerida, em Indian Wells, no Vale do Coachella. Vale lembrar: O sol é impiedoso, então a dica é manter-se hidratado.

Junto a outros oito municípios, a cidade forma a região conhecida como Greater Palm Springs, de fama internacional pela variedade de atividades culturais, trilhas pela natureza e imersão em charmosos centros de bem-estar. Quem não abre mão de adrenalina e tem tempo pode se inscrever para aulas de direção que compõem o programa The Ultimate Driving Machine, oferecido na BMW Performance Center West, localizada dentro do The Thermal Club. Mesmo se estiver só de passagem, vale participar da experiência dentro de um carro, com um piloto treinado que percorre um circuito a altíssima velocidade.

Muito procurada pelos próprios norte-americanos, canadenses e também pelos europeus, essa área cercada por quatro cadeias de montanhas ainda é uma ilustre desconhecida dos latino-americanos. Segundo Gary Orfield, diretor de vendas para o trade de turismo do Greater Palm Springs Convention & Visitors Bureau, o fato de não haver ligação aérea direta entre a porção sul do continente americano e o aeroporto internacional da região causa impactos na atração desses turistas. Ele reforça, entretanto, que os destinos estão a uma distância curta de carro de Los Angeles e comemora a chegada de 13,3 milhões de visitantes anualmente.

A fama das cidades tem mais de um século, com pico nos anos 1950. Foi nessa época que os famosos de Hollywood descobriram a região e passaram a comprar casas de veraneio para garantir privacidade nos períodos de folga. A lista é imensa e tem nomes como Frank Sinatra e Marilyn Monroe. Isso porque a localização era estratégica para os artistas que tinham de cumprir a “regra de duas horas”, item contratual que impedia os participantes das produções cinematográficas de se afastar para locais a um raio maior do que duas horas de distância dos estúdios.

É em Palm Springs, mais especificamente na Palm Canyon Road, que acontece o Palm Springs Villagefest, festival que ocupa as calçadas todas as quintas-feiras, dividindo espaço com a calçada da fama local. Nas barracas há de tudo: comida, bebida, camisetas com dizeres divertidos, souvenires dos mais diversos, quadros pintados por artistas locais e até o inusitado espaço intitulado “Ask the Rabi”, onde um rabino responde às questões dos passantes – a maioria relacionada a assuntos do coração, segundo ele. Por todas as esquinas há apresentações de músicos locais, alguns com produções mais simples, outros equipados com iluminação e canhões de vento. Seguro e imperdível!


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Dançarina do fogo

Fãs do mundo do entretenimento encontram opções de tours que passeiam pelas antigas casas das celebridades, amantes de arquitetura podem conhecer o conjunto de construções modernistas da década de 1950 e jipes levam os aventureiros para explorar as paisagens naturais do entorno. Guias da Desert Adventures Red Jeep Tours buscam os grupos nos hotéis e oferecem roteiros pré-formatados e itinerários criados sob medida.

Os roteiros mais próximos acontecem nos Indian Canyons, formações que ficam bem perto da cidade e fazem parte da reserva indígena Agua Caliente. O respeito aos primeiros habitantes dessa região é tanto que as empresas que operam por lá têm acordos com os índios da tribo Cahuilla. São eles que administram o parque e a pequena loja de souvenir no interior. Eles também fazem questão de batizar os guias com nomes indígenas.

Nosso passeio foi liderado pela “dançarina do fogo” De Karlen, uma apaixonada por Palm Springs. Durante todo o percurso no carro – que pode ficar com a lona abaixada para amenizar o calor – ela explica sobre as formações rochosas milenares, soluciona dúvidas, fala sobre a cultura dos ancestrais e indica os principais pontos de interesse – que vão da grande variedade de plantas nativas e árvores gigantescas até oásis com quedas d’água. De ainda fica de olho nas trilhas, para evitar que o grupo tope com as cascavéis que vivem por ali, e abastece constantemente as garrafinhas de água dos participantes.

Outro passeio popular é a subida ao monte San Jacinto, a bordo do Palm Springs Aerial Tramway. O bondinho com vista panorâmica gira 360 graus para permitir que todos possam observar o cenário durante o trajeto de quatro quilômetros que chega a 1.595 metros de altitude. A paisagem desértica que se vê em detalhes no tour de jipe, pode ser observada de maneira mais ampla lá de cima. Além dos mirantes, o local oferece restaurantes e 87 quilômetros de trilhas pelo parque estadual de mesmo nome.


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Rock’n’roll

Twentynine Palms tem um nome curioso que remete às 29 palmeiras que existiam na época da fundação da cidade, parte do condado de San Bernardino. Localizada na parte sul do deserto Mojave, ela é porta de entrada para o Joshua Tree National Park, um dos espaços mais emblemáticos dessa região. Antes de se aventurar pelo interior do parque, vale dedicar um tempo em um dos centros de visitantes que ficam na via de acesso ao parque para entender um pouco da história e se preparar para o que vem pela frente.

A área de mais de três milhões de quilômetros quadrados se destaca pelas formações geológicas. A brincadeira sugerida por Keith Flood, um dos rangers locais – guias que acompanham os grupos em tours gratuito de 30 minutos que acontecem todos os dias, às 10h – é sugerir nomes a elas, de acordo com os formatos.

Mas a grande atração – pelo menos para quem não é escalador – é observar a vegetação. Mais especificamente a Joshua Tree, que já deu nome a um dos álbuns mais famosos na discografia do U2 e – pasmem – não é uma árvore. Com troncos altos e espinhosos, ela só existe nessa região da Califórnia, o que faz a visita valer em dobro. Escolha um dos mirantes naturais, relaxe e aprecie a paisagem sem pressa. Ali, a vida segue um ritmo mais lento e as tão desejadas experiências não apenas acontecem como tendem a ficar gravadas para sempre.


O céu é o limite

Clique da lua feito com um dos telescópios disponíveis no local

São voluntários que administram o trabalho cotidiano no “Sky is the Limit”, observatório de uma organização não governamental que funciona em Twentynine Palms. Os guias ajudam a conseguir as melhores visões, seja com os potentes telescópios, ou a olho nu. Por estar em uma área preservada por conta do parque nacional, a ausência de iluminação urbana torna o local propício para a atividade que fica ainda mais interessante acompanhada pelas histórias contadas pelos colaboradores. Eles são extremamente gentis ao fornecer dados e solucionar as dúvidas dos interessados e só ficam bravos se alguém ligar um smartphone por perto. Isso porque os olhos se acostumam ao escuro total, facilitando a visão de estrelas, planetas e constelações. Mas basta um feixe de luz para que um clarão surja no local, atrapalhando não apenas quem opera o aparelho, como todos os que estão próximos. Vale conferir a agenda de apresentações e dedicar algumas horas à atividade, que é gratuita.


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Paisagem mutante

A 90 minutos de Twentynine Palms, Big Bear Lake complementa a oferta com uma variedade de esportes de montanha que muda de acordo com a estação do ano. A face mais conhecida do destino se mostra nos meses de inverno, quando os resorts Snow Summit e Bear Mountain atraem milhares de praticantes de esqui e snowboard para suas pistas cobertas de neve. Mas a cidade também promove atividades no verão. Basta subir o teleférico panorâmico de Snow Summit até o topo, a 2.500 metros de altitude, para curtir nada mais, nada menos que 96 quilômetros de trilhas. Todas são devidamente sinalizadas e há roteiros diferentes para pedestres e ciclistas. Quem prefere se divertir em terra pode relaxar e embarcar em um cruzeiro pelo lago que parte de uma das seis marinas às margens do lago. Barcos como o Miss Liberty oferecem roteiros com jantar ao pôr do sol.

Brasilturis viajou a convite do Visit California, US Travel Association e Brand USA, com proteção Affinity e dados móveis Flexiroam Brasil

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