Você na tevê

0

Por Ricardo Hida

Tudo o que se podia falar da importância do YouTube na comunicação das empresas já foi dito. Os números e pesquisas estão disponíveis para os mais descrentes. Mas, surpreendentemente, a maioria das empresas no turismo não possui uma estratégia clara e as ferramentas corretas para trabalhar com a mídia que mais cresce no planeta, se assume protagonista na influência dos hábitos de consumo e melhor se comunica com os jovens – sim, eles mesmos, os clientes do futuro.

Em um dado momento, os donos dos hotéis, das agências de viagens e das operadoras, assim como os diretores dos escritórios de promoção de destinos, pediram para seu pessoal de marketing criar um canal Youtube que está lá, meio que jogado às traças digitais, com meia dúzia de vídeos institucionais. Mas se nem o Facebook e o Instagramdas organizações estão funcionando 100%, o que dizer do YouTube?

As gerações com poder de decisão ainda não entenderam como o universo digital funciona. Têm um smartphone, usam e-mail e redes sociais, mas não entendem qual o papel de cada rede social na construção da marca e na geração de vendas. Acreditam que os canais de distribuição mudaram, mas não percebem que a lógica do consumo é que mais se transformou.

O primeiro passo é ter um site com conteúdo interessante, que incentive compras e converta rapidamente o visitante em cliente. Essa é a base de tudo. As redes sociais são as ferramentas que fazem o público conhecer melhor os serviços de sua organização, que os divulgue e os aprimore, através, inclusive, de críticas e sugestões. Cada um deles tem uma linguagem própria e fala com públicos distintos.

YouTube pode ser usado para vários objetivos e de formas diferentes. Uma empresa pode ter seu canal com conteúdo relevante para o público, pode anunciar de forma bem segmentada, fazer merchandising utilizando-se da fama dos YouTubers ou, ainda, dialogar com seus consumidores.

No caso dos vídeos, eles não são iguais àqueles institucionais que se fazia no passado – longos e entediantes, que eram refeitos a cada dez anos. Se os próprios palestrantes do TED, os profissionais mais ‘feras’ da atualidade, mostraram que as melhores apresentações têm 18 minutos, no máximo, os vídeos de empresas não podem passar de três minutos. A narrativa precisa ser empolgante e ter elementos mitológicos, a linguagem deve ser atraente e a estética, seduzir de imediato.

Ao contrário do que se pensa, os vídeos não podem ser amadores. Mas também não é necessário ter um ‘Projac’ à disposição. Há agências que oferecem o serviço para todos os bolsos, mas a atenção maior é na estratégia e no roteiro.

O vídeo tem de ter um objetivo. E, sinto muito em informar, 80% tem de conter um serviço para o internauta. Os 20% restantes é promoção. A construção de uma audiência fiel ao seu produto e serviço exige esforços e tempo.

Sucessão de belas imagens não funciona no YouTube se pensarmos nos destinos, por exemplo. Fotos bonitas têm seu lugar: Instagram ou Pinterest. Os vídeos precisam ter movimento, testemunhos de pessoas, sempre com humor e, obviamente, respeitando os valores da marca e o público.

Lembre-se que é preciso capturar a audiência nos primeiros 15 segundos. Caso contrário, todo o esforço pode ter sido jogado fora. No caso das publicidades, a sedução tem um tempo menor, 4 segundos.  As tags também são imprescindíveis no YouTube. É preciso saber taguear para que o vídeo seja facilmente encontrado.

Outro detalhe importante é lembrar que no universo digital há cross selling todo o tempo. Isto é, uma mídia é chamariz para outra, mas o objetivo, ainda que não imediato, é gerar as vendas de pacotes, noites, passagens aéreas ou tudo isso junto, no caso do destino.

É possível monetizar o canal? Sim, é claro! E o dinheiro, quando vier, pode ser reinvestido na própria mídia ou até em ações com outros YouTubers, influenciadores digitais que melhor conversam com seus clientes.

Tecnicamente não é difícil colocar um canal eficiente no ar. O importante é estar convencido dessa necessidade. E, se um dia, grande parte dos executivos do turismo relutou em vender pela internet, outra grande fatia ainda hoje resiste em ter uma estratégia bem definida e executada nas redes sociais.

O futuro dos renitentes será o mesmo dos que pensaram que as comissões das companhias aéreas seriam pagas eternamente.

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here