São Paulo (SP) – As viagens corporativas vivem um momento de ascensão, com recordes de faturamento e perspectivas de crescimento para 2025. No entanto, fatores como inflação, juros elevados e desafios fiscais podem impactar o setor no médio prazo. Esse foi o panorama apresentado por Guilherme Dietze, assessor econômico e coordenador do Conselho de Turismo da Fecomercio-SP, durante o Lacte 20, em sua análise sobre os cenários econômicos e estratégias para o futuro do turismo de negócios.
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O setor de viagens corporativas registrou, em 2024, um faturamento de R$ 131 bilhões, um crescimento de 5,5% em relação ao ano anterior. Esse número se alinha com as projeções da Global Business Travel Association (GBTA), que indicava um avanço global de 6% para o segmento. O recorde anterior, registrado em 2014, era de R$ 127 bilhões, demonstrando que o setor finalmente superou os impactos da pandemia.
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“Esse crescimento é resultado da combinação de dois fatores: aumento da demanda e preços mais elevados”, explicou Dietze. A inflação impactou diretamente os custos das empresas, com passagens aéreas e diárias de hotel subindo acima de 10% no último ano. Ainda assim, o apetite por viagens de negócios se manteve forte, impulsionado por um ambiente econômico mais favorável.
O que esperar de 2025?
A projeção para 2025 é de um crescimento de 3,5% no setor, chegando a R$ 135 bilhões, impulsionado pelo efeito de carry over —ou seja, a continuidade dos bons resultados de 2024 — e sustentado por um cenário macroeconômico positivo. Dietze destacou alguns fatores que impulsionam esse desempenho:
• Baixa taxa de desemprego, atualmente em 6,2%, permitindo maior circulação de renda.
• Nível recorde de recursos disponíveis para as famílias, que somaram R$ 1,3 trilhão em 2023.
• Crescimento do PIB, estimado em 2% a 3% para este ano, com impacto positivo no setor de serviços.
“A economia brasileira nunca teve tanto dinheiro em circulação, o que contribui para a recuperação do turismo corporativo”, afirmou o economista. No entanto, o profissional alerta que há desafios que podem reduzir o ritmo desse crescimento.
1. Aumento dos juros – Com o Banco Central buscando conter a inflação, o custo do crédito para empresas pode subir, impactando investimentos e parcelamentos de viagens.
2. Dólar oscilante – Projeções indicam que a moeda americana pode se manter na faixa dos R$ 5,50, o que pode encarecer viagens internacionais e reduzir a competitividade do Brasil como destino para eventos de negócios.
3. Crescimento da dívida pública – O aumento dos gastos do governo pode elevar o risco fiscal, forçando juros ainda mais altos para atrair investimentos.
4. Carga tributária elevada – O setor já opera sob um peso tributário de 28%, o que limita sua capacidade de expansão.
“O grande desafio é garantir um crescimento sustentável. Se não houver uma agenda de produtividade e redução de impostos, o avanço pode ser apenas um ‘fogo de palha’, sem continuidade a longo prazo”, alertou Dietze.
O economista prevê um primeiro semestre de 2025 aquecido, impulsionado pelos bons resultados de 2024. No entanto, o segundo semestre pode sentir os efeitos da alta dos juros e de um possível ajuste fiscal, reduzindo o ritmo da economia. “Ao longo do ano, devemos ver um movimento gradual de desaceleração. Mesmo com esses desafios, o setor de viagens corporativas segue com uma perspectiva positiva”, concluiu.
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