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Maurício Herschander
Maurício Herschander
Repórter - E-mail: mauricio@brasilturis.com.br

Trilha Amazônia Atlântica é lançada na COP30 e reforça vocação sustentável do Pará

Nova rota de 468 km integra comunidades, unidades de conservação e paisagens naturais, consolidando-se como produto turístico estratégico da Amazônia

O Ministério do Turismo e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima oficializaram, durante a COP30, o lançamento da Trilha Amazônia Atlântica. A nova rota, apresentada no estande “Conheça o Brasil” em Belém (PA), marca um avanço decisivo para o ecoturismo nacional. Com 468 quilômetros de extensão, o percurso oferece uma imersão completa na biodiversidade, na história e na cultura da região, consolidando-se como um dos mais relevantes produtos turísticos já desenvolvidos para a Amazônia paraense.

Imersão ambiental e cultural em 468 quilômetros

A trilha pode ser percorrida a pé, de bicicleta ou a cavalo, conectando estradas de terra, áreas de floresta, os Campos Naturais Bragantinos e o litoral amazônico — uma área reconhecida por abrigar a maior faixa contínua de manguezais do planeta. A rota integra atrativos históricos, áreas protegidas e comunidades tradicionais, configurando um mosaico de experiências que valorizam tanto a conservação quanto os saberes locais.

Para a ministra do Turismo em exercício, Ana Carla Lopes, o lançamento representa a força do território e das comunidades que o habitam. “Ela nasce da vocação do território e da vontade das pessoas que vivem nele. Estamos concretizando um sonho que começou há cinco anos, movido por quem acredita que trilha não desmata, ela conserva. Hoje celebramos um caminho construído a muitas mãos, que gera oportunidades, conecta pessoas e mostra ao mundo como vivemos, fazemos e preservamos”, afirmou. Ela destacou ainda o simbolismo de apresentar a rota justamente na COP30: “Não acredito em coincidências. Era para ser hoje, no maior evento de mudanças climáticas do mundo, com as pessoas que sonharam e fizeram essa trilha acontecer. Que possamos voltar aqui quando ela chegar aos 500 quilômetros – e eu acredito que vai acontecer!”

Rota construída de forma colaborativa

O projeto nasceu de um esforço voluntário conduzido pela Associação Rede Brasileira de Trilhas. Um de seus idealizadores, Júlio Meyer, celebrou a dimensão alcançada pela iniciativa. “Cinco anos atrás, isso era apenas uma ideia na cabeça de um pequeno grupo. Hoje lançamos uma trilha com quase 500 quilômetros, toda sinalizada, com uma rede linda de empreendedores e um movimento de baixo para cima, que conecta pessoas e paisagens”, disse. Ele também ressaltou o protagonismo do Pará, que já conta com nove trilhas cadastradas.

O caráter cultural da rota também foi lembrado por Nilson Pinto, presidente do Ideflor-Bio, ao destacar que o trajeto serve há anos como rota peregrina para romeiros do Círio e da festa de São Benedito. “A trilha une pessoas e fortalece o amor à natureza”, afirmou.

Conservação, identidade e integração territorial

Carla Guaitanele, diretora substituta do ICMBio, ressaltou o impacto da trilha enquanto política pública. Para ela, o projeto exemplifica como unidades de conservação podem integrar territórios, mobilizando comunidades, quilombolas e municípios. A secretária nacional de Biodiversidade, Rita de Cássia Mesquita, reforçou que trilhas de longo curso valorizam os modos de vida locais e fortalecem a conexão entre pessoas e natureza. “As trilhas são democráticas: todos podem participar, cada contribuição fortalece a conexão entre pessoas e natureza”, declarou.

Caminho atravessa 17 municípios e seis territórios quilombolas

A Trilha Amazônia Atlântica é dividida em sete trechos que conectam 17 municípios e 13 áreas protegidas — entre elas sete unidades de conservação e seis territórios quilombolas.

O percurso começa no centro histórico de Belém, segue por parques urbanos e áreas de mata até a Vila de Caraparu, avança para Castanhal e passa por quatro territórios quilombolas. Em seguida, percorre a histórica Estrada Belém–Bragança, atravessa Capanema e chega a Nova Olinda. Depois cruza os Campos Naturais Bragantinos, passa por Bragança e Augusto Corrêa até atingir Viseu, já na fronteira com o Maranhão.

No ponto final da trilha, o visitante é recebido pelo mirante da Serra do Piriá — uma das vistas mais privilegiadas da Floresta Amazônica, onde natureza, cultura e história se encontram como síntese da experiência proposta pelo novo percurso.

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