A Aldeia COP, espaço dedicado ao diálogo entre povos, culturas e temas ambientais dentro da COP30 em Belém (PA), foi palco, nesta terça-feira (18), da apresentação do primeiro mapeamento nacional do turismo em comunidades indígenas. O levantamento, conduzido pelo Ministério do Turismo (MTur) em parceria com o Ministério dos Povos Indígenas, a Funai e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), reúne dados inéditos sobre 146 iniciativas de etnoturismo conduzidas por 93 etnias em todas as regiões do país.
Resultado de um trabalho integrado entre órgãos públicos, representantes indígenas e pesquisadores, o estudo oferece um panorama abrangente e detalhado da atividade, servindo como base para a formulação de políticas públicas voltadas ao fortalecimento do turismo responsável nos territórios tradicionais.
Turismo como ferramenta de autonomia e identidade
Durante a abertura do evento, a secretária-executiva do MTur, Ana Carla Lopes, ressaltou a relevância histórica do material, que consolida o compromisso do governo com um turismo centrado na ancestralidade e no protagonismo indígena.
“Esse estudo nasce de uma visão de território, comunidade e regionalização e reforça o compromisso do Governo do Brasil com um turismo que valoriza a ancestralidade indígena. Apresentar esse material na Aldeia COP reafirma a importância de construir políticas públicas ao lado de quem protagoniza o turismo nos territórios”, afirmou.
Eloy Terena, secretário-executivo do Ministério dos Povos Indígenas, destacou que o diagnóstico representa uma guinada na forma como o Estado brasileiro trata o tema. Para ele, o turismo indígena se apresenta como um instrumento de autonomia, geração de renda e fortalecimento cultural. Terena reforçou ainda que cabe ao poder público apoiar as atividades definidas pelas próprias comunidades, respeitando seus modelos de organização e prioridades.
Reconhecimento internacional e expansão do debate
O encontro contou também com a participação de Heitor Kadri, diretor da ONU Turismo para as Américas, que elogiou o Brasil pelo pioneirismo e pela profundidade do estudo. Kadri afirmou que a instituição internacional está ampliando sua atuação no país, em um esforço para fortalecer políticas de turismo alinhadas à diversidade cultural, à proteção dos territórios e à preservação das identidades originárias.
Para ele, o diagnóstico brasileiro se torna referência global por integrar diferentes dimensões — sociocultural, ambiental e econômica — e por dialogar diretamente com lideranças e organizações indígenas, garantindo legitimidade ao resultado final.
Metodologia colaborativa e foco em políticas estratégicas
A metodologia utilizada no mapeamento foi apresentada pelo arqueólogo Bruno Máximo, do MTur. Ele detalhou que o levantamento foi construído com base em consultas a organizações indígenas, instâncias regionais da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), unidades da Funai, secretarias estaduais e municipais de turismo, além de pesquisas acadêmicas e um formulário preenchido pelas próprias comunidades.
Segundo Carolina Fávero, coordenadora-geral de Turismo Sustentável e Responsável do Ministério, o estudo inaugura uma nova etapa de atuação no etnoturismo brasileiro. Ela destacou que o MTur já desenvolve projetos-piloto em diferentes estados, apoiando comunidades em distintos estágios de organização turística. As ações auxiliam na elaboração de metodologias adaptadas às realidades locais e fortalecem iniciativas lideradas pelos povos indígenas.

