A ofensiva militar dos Estados Unidos na Venezuela na madrugada do último sábado (3), que resultou na captura de Nicolás Maduro, provocou uma interrupção em larga escala do tráfego aéreo no Caribe, com cancelamentos e remarcação de voos. A decisão das autoridades aeronáuticas afetou diretamente o fluxo turístico na região durante um dos períodos mais movimentados do ano, impactando passageiros, companhias aéreas e destinos dependentes do turismo internacional.
Mais tarde no mesmo dia do ataque, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) determinou que companhias aéreas registradas no país deixassem de operar em partes do espaço aéreo do Caribe, citando “riscos para a segurança vinculados à atividade militar em curso”. A medida teve efeito imediato sobre destinos como Porto Rico, Aruba, Barbados, Antígua e Barbuda e Trinidad e Tobago, em pleno pico das viagens de fim de ano.
Em Porto Rico, a autoridade de turismo local informou que o espaço aéreo foi fechado por volta das 2h da manhã, resultando no cancelamento de pelo menos 361 voos. No Aeroporto Internacional Luis Muñoz Marín, em San Juan, considerado o mais movimentado do Caribe, centenas de passageiros permaneceram no terminal à espera de informações sobre a retomada das operações.
As companhias aéreas norte-americanas concentraram a maior parte dos cancelamentos. A JetBlue informou que cancelou cerca de 215 voos em sua malha aérea, enquanto a American Airlines cancelou mais de 160 voos e registrou atrasos em outros 500, segundo dados do FlightAware. A empresa afirmou estar ajustando sua programação e oferecendo maior flexibilidade aos passageiros afetados. “Reconhecemos o transtorno que essas restrições causam aos nossos clientes e estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance para atendê-los”, informou a companhia em comunicado.
No Canadá, Air Canada e Air Transat mantiveram suas operações para o Caribe, enquanto a WestJet cancelou voos entre Toronto e Aruba “por excesso de cautela”. Já a Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação recomendou que companhias evitem sobrevoar o espaço aéreo venezuelano, restringindo a orientação apenas ao país diretamente envolvido no conflito.
Retomada gradual
Após pouco mais de 24 horas ao ocorrido na Venezuela, as restrições de voos no Caribe começaram a ser suspensas. Sean Duffy, secretário de Transportes dos Estados Unidos, informou que o espaço aéreo seria reaberto à meia-noite de domingo (4). Com isso, as operações aéreas no Caribe e em Porto Rico passaram a ser retomadas gradualmente, com reacomodação de passageiros e reforço de oferta em algumas rotas.
A American Airlines anunciou a inclusão de quase 2 mil assentos adicionais, totalizando cerca de 7 mil assentos com 43 voos extras, para ampliar a capacidade entre o Caribe Oriental e os Estados Unidos. A Delta Air Lines, a United Airlines e suas subsidiárias também confirmaram a retomada progressiva das operações, com foco inicial em San Juan.
Os reflexos da crise também atingiram rotas com ligação indireta ao Brasil. A Azul Linhas Aéreas informou que cancelou voos entre Confins (MG) e Curaçao, que utilizam o espaço aéreo venezuelano, além de suspender temporariamente operações entre Belém e Fort Lauderdale. A companhia anunciou voos extras e flexibilização das regras de remarcação e reembolso para mitigar os impactos aos clientes. A Gol informou que mantém suspensos os voos com origem ou destino em Caracas, conforme decisão comunicada anteriormente, enquanto a Latam afirmou não operar voos para a Venezuela.

