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Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

Crise na Venezuela suspende turismo e leva à retirada de 100 brasileiros

Ataque dos EUA e captura de Nicolás Maduro levaram à saída imediata de turistas da Venezuela, incluindo cerca de 100 brasileiros

A crise política e militar na Venezuela, deflagrada após a ofensiva dos Estados Unidos e a captura do presidente Nicolás Maduro, provocou impacto direto sobre o turismo no país, com a saída imediata de visitantes estrangeiros e a suspensão prática da atividade turística. Entre os afetados estão turistas brasileiros, que deixaram o território venezuelano com apoio da diplomacia brasileira nos dias seguintes aos ataques.

Segundo o Ministério das Relações Exteriores, cerca de 100 brasileiros que estavam na Venezuela a turismo retornaram ao Brasil por via terrestre, cruzando a fronteira por Roraima. Maria Laura da Rocha, ministra interina das Relações Exteriores, conta que a operação ocorreu sem registro de vítimas ou feridos.

“A nossa embaixada em Caracas segue acompanhando com atenção não apenas o desenrolar dos acontecimentos, mas também a situação da comunidade brasileira naquele país, não havendo qualquer relato de vítimas ou feridos. Inclusive, temos a informação de que 100 brasileiros que estavam a turismo saíram tranquilamente com a atuação da nossa cônsul”, declara.

A retirada dos turistas ocorreu após a operação militar norte-americana que resultou na captura de Nicolás Maduro, anunciada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos. Realizada durante a madrugada do dia 3 de janeiro, a ação deixou mais de 80 mortos (nenhum brasileiro), segundo o The New York Times, e parte de Caracas sem energia elétrica. O conflito também amplia o grau de incerteza sobre a governança e a segurança no país, afetando diretamente a circulação de pessoas e o funcionamento de serviços, incluindo os ligados ao turismo.

Fronteira

Do ponto de vista regional, o governo brasileiro informou que a fronteira entre Brasil e Venezuela permanece aberta e com baixo fluxo. O exército brasileiro informou que cidadãos brasileiros que ainda estejam em território venezuelano estão autorizados a retornar ao Brasil.

Reforçando a informação, José Múcio, ministro da Defesa, afirma que não há restrições à circulação de brasileiros. “A situação na fronteira nunca esteve tão tranquila quanto está hoje. Movimento mínimo, é como se fosse um feriadão”, aponta o ministro, ao comentar o cenário observado após os ataques.

Em Pacaraima (RR), o comércio local permanece aberto, embora com movimento reduzido. A ausência de compradores vindos de Santa Elena de Uairén tem impactado diretamente as vendas, apesar do funcionamento regular das lojas nos dois lados da fronteira.

Walderi D’Avila, prefeito do município, ressalta que o momento exige cautela. “Estamos aguardando os próximos dias para entender como a situação vai se comportar. A preocupação existe, principalmente com um possível aumento no fluxo migratório”, destaca.

Segundo a prefeitura, a estrutura de acolhimento segue preparada para eventual nova onda migratória, enquanto a avaliação é de que o cenário pode se manter estável até o início da próxima semana.

Diplomacia

A diplomacia brasileira mantém monitoramento permanente da situação, com orientação para que cidadãos brasileiros que ainda estejam em território venezuelano procurem as representações diplomáticas. Segundo Múcio, o apoio da embaixada e do vice-consulado tem sido fundamental para viabilizar deslocamentos em segurança. “As fronteiras estão abertas e tranquilas. O brasileiro que estiver lá pode vir. Procure o embaixador ou a vice-cônsul, que têm prestado apoio”, afirma o ministro.

No campo institucional, o Brasil passou a reconhecer a vice-presidente Delcy Rodríguez como chefe de Estado interina da Venezuela, diante da ausência de Nicolás Maduro. A posição foi confirmada por Maria Laura da Rocha após reuniões emergenciais realizadas no Palácio do Itamaraty, que reuniram o presidente Luiz Inácio e ministros das áreas de Justiça, Defesa e Comunicação.

O governo brasileiro também confirmou participação em reuniões da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), nas quais a situação venezuelana e seus impactos regionais serão discutidos. Segundo o Itamaraty, a posição brasileira segue baseada na defesa da soberania e do Direito Internacional.

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