O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitou à Justiça a prisão preventiva de João Ricardo Mendes, ex-CEO da agência de viagens Hurb, por descumprimento de medidas cautelares impostas após sua soltura no processo em que responde por furto de obras de arte no Rio de Janeiro. O pedido foi encaminhado pela Promotoria de Justiça junto à 32ª Vara Criminal da Capital.
João Ricardo Mendes voltou a ser detido na segunda-feira (5), no Aeroporto Regional de Jericoacoara, no Ceará. Segundo as autoridades, ele portava documento falso e estava com a tornozeleira eletrônica descarregada, apesar de ser obrigado a utilizar o equipamento por determinação judicial do Rio de Janeiro. Nesta terça-feira (6), o empresário passou por audiência de custódia no Ceará e obteve liberdade provisória.
Ao fundamentar o pedido de prisão preventiva, o MPRJ apontou que o ex-CEO da Hurb vem descumprindo reiteradamente as determinações judiciais. Além da nova detenção no Ceará, o órgão destacou que João Ricardo não apresenta relatórios médicos ao processo desde setembro, uma das obrigações estabelecidas como condição para sua liberdade.
O empresário havia sido preso em flagrante em abril de 2025, no Rio de Janeiro, acusado de furtar obras de arte e outros objetos de um hotel e de um escritório de arquitetura localizados em um shopping da capital fluminense. Imagens de câmeras de segurança mostraram João Ricardo Mendes retirando peças avaliadas em cerca de R$ 28 mil. Ele também foi denunciado por adulteração de identificação de veículo.
Após cerca de três meses de prisão preventiva, a Justiça concedeu liberdade ao empresário em agosto de 2025, mediante o cumprimento de medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de deixar a cidade sem autorização judicial e a entrega do passaporte. Na mesma decisão, foi instaurado um incidente de insanidade mental para avaliar a condição psicológica do réu à época dos crimes.
Paralelamente aos processos criminais, João Ricardo Mendes está associado à crise da Hurb, empresa que fundou em 2011. Em 2023, a agência cancelou viagens de milhares de clientes que haviam adquirido pacotes com passagens e hospedagem. Apesar de promessas de remarcação e reembolso, consumidores afirmam que ainda não receberam compensação financeira, o que levou ao afastamento do empresário do comando da companhia.
Sobre o episódio mais recente, o advogado Vicente Donnici afirmou que, na audiência de custódia realizada nesta terça-feira (6), o Ministério Público e o juiz responsável concordaram com a soltura de João Ricardo Mendes no caso do Ceará. Segundo ele, “no momento, a prioridade é o restabelecimento de sua saúde plena, com acompanhamento médico adequado”. O advogado acrescentou ainda: “Ainda não há nenhuma informação confirmada e/ou nos autos, prestada por qualquer autoridade, que a tornozeleira estava descarregada”.

