As ações da Azul Linhas Aéreas tiveram desvalorização superior a 70% nesta quinta-feira (8). No acumulado dos últimos cinco dias, a queda chega a cerca de 90%, movimento associado à reestruturação financeira da companhia e não a problemas operacionais.
A variação ocorre no contexto do plano de recuperação judicial da Azul, no qual parte das dívidas financeiras está sendo convertida em ações. Com isso, credores deixam de receber juros e passam a integrar a base acionária da empresa. Para viabilizar essa conversão, a companhia lançou uma oferta de R$ 7,4 bilhões em ações ordinárias, com direito a voto, e preferenciais, sem direito a voto.
O aumento expressivo no número de ações em circulação provocou a redução do preço unitário dos papéis negociados em bolsa. Segundo comunicado divulgado em dezembro, quando a operação foi anunciada ao mercado, o objetivo da oferta é capitalizar a companhia por meio da “troca obrigatória de dívidas financeiras”.
Foram emitidas 723,9 bilhões de ações ordinárias da Azul e o mesmo volume de ações preferenciais, comercializadas em lotes de mil e 10 mil papéis. Na avaliação da empresa, a medida contribui para reduzir o endividamento e viabilizar a reorganização financeira.
A Justiça dos Estados Unidos aprovou o plano de reorganização da Azul em dezembro de 2025, marcando mais uma etapa do processo de recuperação judicial. “Essa decisão reforça a consistência geral da reestruturação proposta, permitindo que a companhia avance para as próximas fases de implementação”, informou a empresa em comunicado divulgado em 12 de dezembro.
A Azul entrou com pedido de proteção sob o Capítulo 11 da Lei de Falências dos Estados Unidos, conhecido como Chapter 11, em maio de 2025. O mecanismo estabelece condições para a reorganização das obrigações financeiras e operacionais da companhia.
Segundo a empresa, a decisão foi motivada pelos impactos da pandemia de Covid-19, somados a pressões macroeconômicas e setoriais que elevaram o nível de endividamento. “Em meio à instabilidade econômica e política no Brasil, a companhia adotou diversas medidas de reestruturação e captação de recursos entre 2020 e 2025, culminando no protocolo do Chapter 11 em maio de 2025”, declarou a companhia.
A Azul não é a primeira companhia aérea brasileira a recorrer ao Chapter 11. Gol e Latam também passaram por processos semelhantes. A Latam concluiu sua reestruturação em 2022, enquanto a Gol encerrou o procedimento em junho de 2025. No caso da Azul, a expectativa é finalizar o processo ainda em 2026.





