João Ricardo Rangel Mendes, ex-CEO da Hurb, é alvo de ao menos 1.400 processos na esfera cível movidos por clientes que não conseguiram realizar viagens contratadas junto à agência. O levantamento foi apontado em apuração do RJ2 e reforça o volume de ações judiciais envolvendo a empresa, que teve o cadastro cancelado pelo Ministério do Turismo em abril de 2025.
Diante do descumprimento de medidas cautelares impostas anteriormente pela Justiça, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) solicitou a inclusão do empresário na lista vermelha de procurados da Interpol, além do bloqueio de seu passaporte. Para a Justiça do Rio, João Ricardo já é considerado foragido após deixar de cumprir determinações judiciais, como a apresentação periódica às autoridades e a entrega de relatórios médicos mensais.
Segundo reportagem do G1, entre os clientes lesados está o conselheiro tutelar Matheus Faria, que aguarda há dois anos a realização de uma viagem de lua de mel para Roma. Segundo ele, o pacote tinha um significado especial. “Para mim e para minha esposa era uma questão religiosa, nosso sonho era ir a Roma para receber a bênção do Papa.” O cliente afirma ter pago mais de R$ 4,5 mil pelo pacote adquirido junto à Hurb, antiga Hotel Urbano, e decidiu recorrer à Justiça ao desconfiar que a viagem não seria realizada.
A empresa foi condenada a emitir os vouchers, sob pena de multa diária, mas não cumpriu a decisão. “A Hurb não cumpriu com essa determinação. E uma vez que não existe mais os vouchers, virou perda e danos. Estamos pedindo para que os sócios façam esse pagamento, em especial o João”, afirma André Luís Oliveira, advogado do casal.
João Ricardo Rangel Mendes chegou a ser preso em flagrante em abril do ano passado, acusado de furtar obras de arte de um hotel e peças de um escritório de arquitetura. Quatro meses depois, a prisão foi substituída por medidas cautelares, sob o argumento de comprometimento da saúde mental. Segundo o MPRJ, essas determinações deixaram de ser cumpridas.
Nesta semana, o empresário foi detido por um dia em Jericoacoara, no Ceará, ao tentar embarcar para São Paulo. De acordo com as investigações, ele utilizava documento falso e estava com a tornozeleira eletrônica descarregada. Após audiência de custódia, foi solto, mas, na quarta-feira (7), a Justiça do Rio decretou novamente sua prisão preventiva. Na decisão, o juiz afirmou: “É evidente que a liberdade do acusado gera risco concreto à ordem pública, fato que justifica o seu retorno à cadeia”.
Em nota, o Procon-RJ informou que recebeu mais de 8 mil reclamações envolvendo a Hurb nos últimos quatro anos e que o alvará de funcionamento da empresa foi cassado. Já a defesa de João Ricardo Rangel Mendes afirmou que só irá se pronunciar sobre o pedido de inclusão do nome do cliente na lista vermelha da Interpol após decisão da Justiça.





