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Matheus Alves
Matheus Alves
Repórter - E-mail: matheus@brasilturis.com.br

CEO da Latam atribui retomada a custos menores e foco no cliente de alto valor

CEO da Latam Brasil avalia preços de passagens, expansão da frota e impactos tributários sobre o setor aéreo brasileiro

O desempenho recente da Latam Brasil está associado à reestruturação realizada no início da pandemia, quando a empresa renegociou contratos com praticamente todos os fornecedores e ajustou sua operação. De acordo com Jerome Cadier, CEO da companhia, essa estratégia permitiu que a companhia estivesse em posição competitiva quando a demanda voltou a crescer.

“Se voltarmos para antes da pandemia, 2019 tinha sido um ano de crescimento e rentabilidade. Aproveitamos a reestruturação para melhorar nossa posição competitiva. Não fizemos apenas uma reestruturação financeira, mas de toda operação. Renegociamos todos os contratos que tínhamos”, afirma Cadier.

Segundo o executivo, a empresa conseguiu ampliar a oferta de voos a partir de 2022, período em que concorrentes ainda adotavam uma postura mais conservadora. “Quando o mercado começou a retomar, já estávamos com capacidade para crescer. Em 2022, voltamos a liderar o mercado brasileiro”, disse.

Outro fator citado por Cadier é a estratégia de concentrar esforços no chamado cliente de “alto valor”, perfil que inclui passageiros frequentes, corporativos e também viajantes de lazer dispostos a pagar tarifas mais elevadas por serviços diferenciados. “Em 2025, crescemos ocupando mais assentos e tivemos uma rentabilidade melhor. Uma receita melhor para cada assento colocado”, acrescenta. Segundo ele, isso foi impulsionado pela classe premium economy e pelo fortalecimento da atuação no mercado corporativo.

O CEO destacou que o fator de ocupação da Latam está acima do observado em concorrentes. “Eu não só coloquei mais capacidade, também estou ocupando melhor os assentos”, pontua. Para ele, o resultado é fruto da combinação entre oferta, perfil de cliente e eficiência operacional.

No controle de custos, Cadier salienta que a companhia reduziu investimentos durante a pandemia, com exceção da área de tecnologia, e simplificou operações. Entre as decisões, citou a padronização da frota internacional em um único modelo de aeronave, o que reduziu custos com pilotos, manutenção e peças. “Isso nos ajudou a ser mais eficientes”, reforça.

Sobre a decisão de incorporar aeronaves da Embraer à frota doméstica, anunciada em 2025, Cadier reconhece que haverá perda de eficiência operacional, mas avaliou que o ganho de receita compensará. “Tem várias cidades que hoje, com o A320, não vale a pena operar, porque a aeronave é grande”, explica.

Em relação aos preços das passagens em 2026, o executivo disse que a tendência é de estabilidade, desde que dólar e combustível se mantenham nos níveis atuais. “Se tiver qualquer variação, vamos ter que ajustar os preços, como a gente sempre fez”, afirma.

Cadier também aponta preocupação com o impacto da carga tributária sobre o setor aéreo. Segundo ele, a reforma tributária deve elevar significativamente os impostos pagos pelas companhias. “A Latam paga hoje R$ 2 bilhões por ano em impostos. Vai passar a pagar R$ 8 bilhões. Isso vai impactar a demanda, porque o preço da passagem vai subir”, ressalta.

Sobre a polêmica envolvendo o uso de banheiros na parte dianteira das aeronaves, o CEO conta que não há proibição formal. “Preferimos redirecionar para os banheiros da classe correspondente. Mas proibição não existe”, declara.

Cadier indica ainda que o ritmo de contratação de tripulantes deve continuar em 2026, impulsionado pela chegada das novas aeronaves da Embraer. “Quando recebermos as aeronaves, no fim do ano, precisaremos de mais gente para voar essa frota”, conclui.

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